Viagem ao Chile | Vale do Maule (Vinícola Casa Donoso/San Vicente) e Vale do Colchagua (Vinícola Siegel)

Recentemente viajei ao Chile para conhecer as novidades. Verifiquei produtores de vinho experientes testando novas variedades de uvas e técnicas de vinificação, e uma indústria que continua a se expandir e, cada vez mais, produzindo vinhos que competem com os melhores do mundo.

Consumo x Exportações

O Chile tem o menor consumo anual de vinho entre os principais países produtores e exportadores. Os chilenos consomem apenas 18 litros per capita, em comparação aos 42 na Itália e 45 na França. Então, para onde vai todo o vinho? É exportado…o Chile é agora 4º do mundo em volume. A China é um mercado importante e crescente. Mas os chilenos também estão se tornando consumidores de vinho mais sofisticados, fato esse são os Wine Bar/Restaurantes em Santiago com experiencias vínicas bem interessantes, como Bocanáriz, Baco Vino y Bistro em Providencia e Bistro Kilometro 0 em Las Condes.

Carmenére

A Carmenere, uma variedade de uva de Bordeaux que nunca se deu bem no clima frio e úmido daquela região, é hoje a terceira variedade vermelha mais plantada no Chile, e as plantações continuam a crescer.

Romano – Cesar Noir

A César Noir, também chamada de Romano, é desconhecida na maior parte do mundo. Possui apenas 10 hectares certificados na França e, nesse país, é usado principalmente para enriquecer alguns Pinot Noirs. Recentemente está presente no Chile como um vinho monovarietal com resultado interessante.

Carignan

A casta Carignan não é novidade no Chile, mas está em alta. Foi cultivada no Vale do Maule por mais de 70 anos. Primeiro plantado em grande escala no início dos anos 1940. A alta acidez, cor e sabor da uva foram vistos como um plus para melhorar os vinhos locais.

Sauvignon Blanc

Me impressionou a o resultado da Sauvignon Blanc plantada em solos vulcânicos no Maule, sem aquele maracuja enjoado, e sim uma mineralidade deliciosa e boca mais estruturada. Perfeito com ostras.

Tinajas

Antes do advento das barricas de carvalho francês, dos tanques de aço inoxidável e do moderno lagar, o vinho no Chile era feito à mão. As uvas foram colhidas manualmente e prensadas à mão usando um zaranda, que separava as bagas das hastes. As bagas parcialmente esmagadas fermentaram em um processo não muito diferente da maceração semicarbônica encontrada em Beaujolais. Tradicionalmente fermentavam e eram envelhecidos em grandes potes de barro chamados tinajas. Hoje, esses métodos tradicionais de vinificação estão sendo atualizados por alguns dos produtores de vinho.

Vinícola Casa Donoso | San Vicente

A Vinícola Casa Donoso está localizada no coração do Vale do Maule, uma das regiões mais antigas e tradicionais produtoras de vinho no Chile. Seus vinhedos com até 80 anos estão plantadas nos melhores solos do Vale do Maule. A sua história começou em 1989 quando um grupo de empresários adquiriu a fazenda La Oriental, que pertencia à senhora Lucia Donoso Gatica, primeira a engarrafar vinhos com o Doña Lucía.

No início de 2011 novos proprietários chegaram, continuando com o compromisso de qualidade das linhas de produção das cepas tradicionais Cabernet Sauvignon, Carmenere, Merlot, Sauvignon Blanc e Chardonnay, atual base para na produção de todas as suas linhas.

Com Felipe Ortiz, enólogo chefe da vinícola tive a oportunidade de provar seus vinhos premium com pontuação de (91 a 95 pontos Descorchados).

Nesse line-up estavam o Sucesor Romano 2015 – Cesar Noir 85% e 15% Carignan, 7 meses em barricas de carvalho usadas e o Sucesor Romano 2017– Cesar Noir 90% e 10%, com passagem por madeira 60% e Tinajas/Anforas 40%. Os dois muito perfumados, com boca mais estruturada. Resumindo, nariz de Pinot Noir e boca de Cabernet Sauvignon. R$ 250 preço médio.

Sucesor Red 2013 e 2015 – as duas safras com as mesmas composições, Carmenére 80% e 20% Malbec, e tb o mesmo tempo em barrica, 18 meses. A safra 2015 nitidamente mais fresco, bem equilibrado e puro, mostrando notas atraentes de frutas vermelhas no nariz e cereja. Gostei muito. R$ 170 preço médio.

Donoso Gran Domaine 2014 – Carmenere 60% e Malbec 40% com 24 meses em carvalho, um vinho perfumado, estruturado, com uma textura untuosa. Precisa de comida e aeração para aproveitar o seu melhor. R$ 400 preço médio.

Não podia deixar de falar desse Chungará Gran Reserva Sauvignon Blanc 2017, um branco delicioso elaborado com uvas da Vinícola San Vicente plantadas em solos vulcânicos e vinificado na Casa Donoso pelo enólogo Felipe Ortiz. Não tem aquele maracujá enjoado, e sim uma mineralidade deliciosa e boca mais estruturada. Adorei a combinação com ostras.

Seus vinhos são importados pela Uaine Group – e estão disponíveis no mercado brasileiro.

Vinícola Siegel

A Siegel Family Wines é uma vinícola de tradição familiar, com raízes profundas no Vale do Colchagua, região que detém combinação única de solo, clima e topografia – excelente para a produção de vinhos de alta gama. Sua trajetória contempla o trabalho de diversas gerações dedicadas à arte de produzir vinhos com identidade, que refletem o seu terroir de origem e o compromisso da família com a excelência. As uvas cultivadas são produtos de uma cuidadosa seleção dos melhores vinhedos. Seus taninos maduros e redondos traduzem claramente o terroir de Colchagua, resultando em vinhos modernos e elegantes. A Siegel possui certificação de “Vinho Sustentável do Chile” e atualmente tem mais de 700 hectares plantados, desde os pés da Cordilheira dos Andes em Los Lingues até zonas mais costeiras.

As variedades de uvas cultivadas são a Cabernet Sauvignon, a Merlot, a Carménère, a Syrah, a Chardonnay e a Sauvignon Blanc, com outras novas variedades adicionadas à demanda do mercado, como a Petit Verdot, Cabernet Franc, Carignan, Grenache e Mourvedre.

Provei com o enólogo Alberto Siegel praticamente todos os seus vinhos que são divididos entre as linhas – Crucero (vinhos de entrada), Siegel Gran Reserva, Siegel Vineyard, Unique Selection – todos muito bons, com perfil mais modernos, fáceis de beber e de agradar.

Nesse post gostaria de destacar o lançamento da vinícola, o ultra-premium Ketran 2013, feito a partir de 35% Syrah, 30% Petit Verdot, 25% Carmenere, 10% Cabernet Franc, 30 meses em barricas de carvalho francesa.

O nome Ketran vem da língua mapuche e significa “terra arada” pelo fogo da atividade vulcânica. Uma homenagem aos solos vulcânicos que deram origem ao fantástico terroir de Los Lingues, localizado no pé da “Cordilheira dos Andes”.

Foi eleito o melhor vinho Colchagua Andes com 95 pontos no Guia Descorchados 2018 pelo jornalista Patricio Tapia.

Na taça um belíssimo vinho, concentrado e sedoso. O nariz revela frutas vermelhas e negras, notas de chocolate e carvalho – tostado, baunilha e especiarias. Um vinho encantador, que surpreende! O Brasil vai receber somente 60 garrafas, que será vendida em torno de R$ 500.

Seus vinhos são importados pela Uaine Group – e estão disponíveis no mercado brasileiro.

Anbordu 2015 e Anbordu Limited Edition 2014, com assinatura de José Inacio Maturana

Grande estrela da América do Sul, o Chile tem excelentes condições de clima, solo, geografia para o cultivo de uvas de ótima qualidade. Além disso, o país conta com modernas vinícolas. As principais uvas são as varietais francesas, como as tintas Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah, além da Carmenére, que se transformou no mais conhecido símbolo da vitivinicultura local.

Ontem provei dois rótulos e safras do vinho chileno Anbordu, 2015 e 2014 Limited Edition. Anbordu é uma marca registrada de importadora de mesmo nome, localizada em Vitória/ES. O projeto têm um conceito diferente que é de ir mudando de vinícola, região e enólogo, de tempos em tempos, sem data definida.

A primeira safra 2012 foi produzida na vinícola Vik, vale do Cachapoal, com assinatura do enólogo Patrick Valett, ex-sócio fundador da vinícola El Principal (Memórias).

Já na safra 2015 o projeto foi para o vale do Colchagua, sendo produzido na vinícola Puent Austral Wines, com a assinatura do enólogo José Inacio Maturana, responsável pelo MW Carmenére, um dos melhores caldos feitos com esta casta no Chile.

Anbordu 2015 (14% Alc) – 58% de Cabernet Sauvignon, 22% Syrah, 15% Carmenére e 5% Merlot, que estagiou 18 meses em carvalho sendo 25% de primeiro uso e 75% de segundo. R$ 169

Destaca-se pelos aromas frutados, com toques de especiarias. Corpo médio, macio, é muito gastronômico e agradável. Harmoniza com tábua de queijos e embutidos.

Anbordu Limited Edition 2014 (14,5% Alc) – 504 garrafas produzidas – um corte inusitado de 50% Carmenére, 43% de Cabernet Sauvignon e 7% Garnacha. estagiou 18 meses em carvalho sendo 40% de primeiro uso e 60% de segundo. R$ 239 

É um vinho que chama atenção logo no início, super perfumado, fruta exuberante, concentrado e textura aveludada. Precisa de tempo em decanter.  Harmoniza bem com costela bovina e queijos maturados.

Onde encontrar > Zanatta, Wine Vix, Espaço Doc, Wine Spot e no Supermercados Perim.