Degustar um vinho é pesquisar e descobrir as características e suas potencialidades dessa bebida dos deuses para melhor apreciá-la. Para tanto algumas condições tem que ser respeitadas. Como vinho evoca prazer, não é bebido em solidão e exige ser compartilhado. A primeira exigência é a escolha dos confrades. Há uma necessidade absoluta que as pessoas tenham afinidades entre si e, como dizem os italianos piacevoli em relação ao vinho, isto é, que tenham conhecimentos técnicos do que vão avaliar e saibam o devido valor da obra de arte que têm às mãos.

Em resumo, existem dois tipos de avaliação que se faz sobre um vinho: a objetiva e subjetiva. Na objetiva, utilizada pelas revistas especializadas, a equipe de degustadores deve ter previamente uma formação, experiência e desenvolvimento dos órgãos dos sentidos para que utilize a mesma terminologia da expressão das sensações organolépticas. Nesse caso podemos comparar a apreciação de uma obra de arte, seja pictórica, literária ou musical. Você pode não gostar, mais deve concordar que o estilo, a técnica e a emoção que permite e transmite catalogá-la como fora de serie ou, melhor exemplificando, você pode não gostar da poesia de Fernando Pessoa, me tem que admitir que ele foi um grande poeta.

Na degustação subjetiva você deve decidir apenas se gosta ou não de determinado vinho e obrigatoriamente sua opinião não é coincidente com os demais apreciadores. Por exemplo posso ter preferência pelos vinhos da Rioja, quando outras pessoas não gostem. Só bebendo os diversos vinho e educando seus sentidos alguém torna-se um bom degustador. Uma estreita gama de preferência causa uma deformação no paladar chamado “erro de enquadramento”. Em outras palavras, é uma pessoa gostar apenas de vinhos chilenos amadeirados e tânicos e achar que todos os vinhos tenham a mesma características e, quando tem a oportunidade de experimentar um Valpolicella ou um Borgonha, achá-los desequilibrados.

O local onde se realiza a degustação deve ter boa iluminação preferentemente de luz solar, evitando penumbras ou lâmpadas de néon, que interferem com o gradiente de coloração e nuanças de reflexos. Alguns recintos forrados ou que tenham madeiras que exalam odores devem ser evitados. O angelin-pedra usado na decoração de ambientes deixa um desagradável e persistente cheiro de uréia. Até mesmo os participantes devem moderar o uso de perfumes e desodorantes florais.

A correta temperatura do vinho e a correta escolha da taça de cristal com boa qualidade, ajuda de sobremaneira o vinho a se expressar.

A aeração, utilizada na maioria dos vinhos jovens, consiste na transferência da garrafa para o decantador de cristal para maior superfície de contato com ar rapidamente elimine a acidez volátil e o vinho mostre sua plenitude de olfato e paladar.

Bom chega de regras. Aproveite o vinho da melhor maneira possível, escolha o seu preferido e não de atenção para os que ditam regras.

Tim-tim, salut, prosit ……….    

Vinho muito prazer – Carlos José Vieira

  • Dr Carlos José Viera, cirurgião plástico, criador da primeira confraria de vinhos do Espirito Santo a Sereníssima. Um nariz privilegiado, experiente, que ensinou a muitos como eu a respeitar o vinho e entendê-lo.