O La Tour d’Argent (a torre de prata) é um dos restaurantes mais longevos do mundo (fundado em 1582). Localizado em Paris, às margens do Sena, do seu salão principal que fica no sexto andar, há um vista maravilhosa do rio com seus famosos barcos Bateaux Mouches e da Catedral de Notre Dame. A decoração é clássica e elegante, e se você não seguir a recomendação de ir bem vestido (no mínimo um blazer para os homens), vai se sentir deslocado; as únicas exceções eram alguns casais da África e do Oriente Médio que estavam usando trajes típicos de seus países, mas com certeza os mais elegantes (poucas vezes me senti tão cosmopolitano).  

A maior especialidade desse restaurante é o Caneton La Tour d’Argent (uma espécie de pato à cabidela). Os detalhes (secretos) da preparação deste pato vão desde a criação da ave, em uma propriedade do restaurante, até a sua ritualística finalização no meio do majestoso salão. Este prato é servido em duas etapas: primeiro vem a coxa e sobrecoxa servida com uma salada de tenras folhas, depois o peito é servido com o molho au sang e acompanhado de delicadas batatas fritas estufadas. Desde 1890, o prato é sequencialmente numerado, e tive o privilégio de me deliciar com o número 1.081.530 em setembro de 2009.  

A carta de vinhos, que parece uma Bíblia, pesa 8 kg e tem mais de 400 páginas, e tem quase todos os clássicos franceses, incluindo algumas safras que são raríssimas. Também não haveria outra forma de catalogar uma adega com mais de 400.000 garrafas. Um fato histórico interessante foi a parede falsa que foi erguida durante a II Guerra Mundial, para esconder a preciosa adega dos nazistas que invadiram Paris.  

Para completar, o serviço é impecável: os garçons tem cordialidade e prontidão, sem ser invasivos (perfeito!).  

O La Tour d’Argent está atualmente fazendo um trabalho de recuperação de sua imagem, que ficou um pouco desgastada, devido a uma fase de acomodação nos últimos 15 anos. Depois de ostentar as três estrelas do Guia Michelin por mais de 50 anos, passou para 2 estrelas em 1996 e para 1 estrela em 2006. Eu apostaria nessa recuperação.  

E se você quer passar por essa vivência, faça a sua reserva com antecedência (www.latourdargent.com ) e prepare o seu bolso, pois o casal gasta no mínimo 300 euros, sem contar com o vinho que vai de 100 euros (já são bons vinhos) a alguns milhares de euros (é o preço das raridades). Mas, vale cada centavo.  

E no final, quando extasiado pela experiência, você percorre os corredores para sair do restaurante, você percebe que os quadros pendurados na parede são fotos de grandes celebridades (nada a ver com as celebridades instantâneas do mundo moderno), que já se deliciaram nesse restaurante. Só para citar alguns exemplos: Theodore Roosevelt, Charles Chaplin, John Kennedy, Rainha Elizabeth, Grace Kelly… É um verdadeiro passeio pela História da Humanidade.  

Elcio Nagano/ O povo online