Quem são os brasileiros com fabulosas coleções de vinhos que valem até 5 milhões de dólares ?
Existe um pequeno grupo de afortunados brasileiros que, além de ter dinheiro, poder, grandes negócios e um nome famoso, são donos de inacreditáveis tesouros engarrafados. Só os amigos com quem compartilham a milionária paixão fazem idéia do que eles guardam em seus fabulosos subterrâneos. Trata-se das mais fantásticas adegas do Brasil. Pertencem a colecionadores como o ex-prefeito Paulo Maluf, o homem de televisão José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, o empreiteiro Emílio Odebrecht, os herdeiros do também empreiteiro Sebastião Camargo, o industrial Ivo Rosset, o ex-senador Gilberto Miranda, as estrelas da medicina Silvano Raia e Fúlvio Pileggi, o banqueiro Walter Moreira Salles, o magnata dos shopping centers Roberto Baumgart e alguns outros figurões. É assombroso o que eles armazenam em suas cavernas dignas de Ali Babá: vinhos e mais vinhos de rótulos lendários que valem 1 000, 2 000 e até 10 000 dólares a garrafa. Uma única taça de semelhantes preciosidades pode custar 25 salários mínimos, ou 230 gramas de ouro. Não se monta uma adega de tal porte com menos de 500 000 dólares. As maiores estão avaliadas entre 3 e 5 milhões de dólares pelos especialistas do mercado.
Cinco milhões de dólares em vinho? Para clonar uma adega igualzinha à de Baumgart, o caro leitor, que se deleita com um agradável Chianti de 20 reais no acompanhamento do macarrão dominical, teria de dispor de uma quantia mais ou menos como essa.
A mudança de Maluf – Na Borgonha, as jóias mais cobiçadas vêm do Domaine de La Romanée-Conti. Saem da pequena propriedade, com uma cruz de pedra do século XVIII na entrada, sete vinhos diferentes, de preços estratosféricos. O do topo é um mito chamado Romanée-Conti, do qual se arrolham 6 000 garrafas por ano, disputadas acirradamente pelos bebedores mais ricos do planeta. Das safras ainda disponíveis, a número 1 é a de 85. No Brasil, cada garrafa é vendida por 11.800 dólares. Isso mesmo: 20.300 reais pelo câmbio comercial, suficientes para adquirir dois Uno zero-quilômetro (sobra troco para quatro caixas de vinho chileno comum). Muito bem. Em uma das dezenas de escaninhos de Baumgart repousa uma dúzia de Romanée-Conti 85. Ou seja, mais 141 600 dólares. A caixa foi-lhe oferecida por um vendedor, que reservara seis garrafas para Baumgart e seis para Emílio Odebrecht. Baumgart respondeu que ou comprava tudo ou não comprava nada. Ficou com as doze.
Materia retirada da revista veja do ano de 1999