Da mesma forma que recentemente falei da tecnologia agindo em favor do vinho, agora me cabe comentar sobre invencionices que apenas – em minha humilde opinião – depõem contra a natureza lúdica do mundo da enogastronomia. Ou seja, meras bizarrices.

Seguindo a estética do artigo anterior, pretendo me concentrar em três exemplos emblemáticos que possam emoldurar esse quadro um tanto grotesco, ainda que ensejem certa diversão.

Inicialmente, a curiosa versão dos vinhos “Hello Kitty”. Sim, isso mesmo. Vinhos produzidos na Itália com a marca Hello Kitty, cuja linha contém um vinho tinto, um branco, um rosé e uma mini garrafa de prosecco; todos derivados da casta Pinot Nero. Os rótulos? Cor de rosa, è vero!

Considerando que o público que acompanha a personagem está na faixa etária compreendida entre 04 e 10 anos, é no mínimo curioso – senão antinatural – associar uma marca tipicamente infantil a bebida alcoólica. Mesmo sendo o vinho uma “bebida lúdica”, o lado lúdico das crianças certamente não coaduna com bebidas de espécie alguma.

Obviamente, o tema gerou polêmica e até mesmo aqui no Brasil, os – para mim, ridículos – vinhos da Hello Kitty já foram motivo de acalorado debate no site Enoeventos (www.enoeventos.com.br), já que nos EUA há uma natural associação com “Joe Camel” o famoso camelo que incentivava as crianças a fumar. Meu comentário à época foi o seguinte: “Absolutamente ridículo. Absolutamente patético. Chega a ser “non sense”. Lamentável que tenha esse potencial (intencional ou não) de subverter o interesse infantil”.

Bem, ridículo ou não, o fato é que os vinhos são vendidos lá fora por cerca de U$ 30,00 a garrafa; ou seja, cerca de R$ 55,00.

Outra inovação que considero uma bizarrice exemplar é a invenção do vinho em lata. Atribui-se à vinícola Cavas Hill, da Espanha, o pioneirismo no lançamento de um vinho em lata. Da Itália saiu o Vino & Fashion (foto), um vinho frisante produzido a partir da uva Lambrusco. A despeito do que dizem os produtores, se o Lambrusco em si, já não grande coisa como vinho, imaginem então, enlatado?

Democratizar e popularizar o vinho, esse é o mote dos vinhos em lata. A considerar que muitos de nós começamos “bebendo” vinhos de garrafão e hoje estamos degustando vinhos de bom padrão, buscando sempre apurar o paladar, tal democratização é bem vinda.

Mas, justamente por isso, por já me encontrar em um padrão mais mediano, vinho em lata, se não chega a ser um anátema, não deixa de ser mais uma bizarrice.

Por fim, a maior das bizarrices de que ouvi falar no mundo dos vinhos, nos últimos tempos. Vinhos para cães e gatos…Pasmem! Até aonde pode chegar a sanha capitalista do ser humano (rsss)?

A bizarrice desenvolvida pela Bark Vineyards, obviamente não leva álcool, pois além de patético, seria politicamente incorreto. Nem por isso deixa de ser um triste simulacro.

Os rótulos Bakundy, Sauvignon Bark, Pinot Leasheo e White Sniffn-Tail são, na verdade uma espécie de suco que simula sabores de famosos vinhos franceses.

Ao custo módico de U$ 20,00, agora já podemos mimar nossos bichinhos de estimação com fabulosos vinhos, desenvolvidos exclusivamente para eles. Ora, francamente, se me permitem a licença poética, vá se f…(rsssssss).

Bem, em se tratando de bizarrices enológicas, creio estarmos bem fornidos. Há certo divertimento, claro, mas, via de regra, quem leva a sério toda a ritualística que envolve os vinhos, não consegue encarar essas brincadeiras – de gosto duvidoso, diga-se – com isenta naturalidade.

Considerando que gosto de uma boa polêmica, a palavra está em aberto…

 

Esta postagem me foi enviada pelo futuro Blogueiro Marcelo Carneiro, parabéns amigo, ótima matéria!!!