Mais um encontro da confraria, desta vez o tema foi Nebbiolo safra 2004. O responsável por esta seleção foi o confrade Luiz Cola, que selecionou e nos apresentou as cegas quatro vinhos, sendo três Italianos e um Argentino também da uva Nebbiolo, que foi uma surpresa para min. Foi muito interessante esta degustação, talvez a melhor que tivemos na confraria até hoje, tivemos até palestra. A princípio achei todos os vinhos muito parelhos, mais com o decorrer da noite as coisas foram se esclarecendo e se dividindo de forma clara. O 2° vinho se entregou mostrando uma coloração bem mais escura que os demais e logo abriu um dulçor entre nariz e boca o separando, assim ficando mais fácil e lógico qual seria o restante dos vinhos na mesa. A grande qualidade dos vinhos na minha opinião, foi a acidez é sua elegância. Vou descrever a minha opinião pessoal sobre os vinhos da noite, e logo abaixo colocarei a descrição do confrade Luiz Cola sobre as características da região.



Marchesi di Barolo Barbaresco 2004 – WE91 – WS89 – World Wine R$ 177,00 – ST(88)

  • Visual castanho, nos aromas se mostrou o mais fechado da mesa, até o final da degustação ainda não conseguia achar nada no nariz. Na boca apresentou sua qualidade, taninos macios, acidez muito boa, alias uma qualidade de todos da mesa e um boa persistência.


Viña Alícia Nebbiollo 2004
– RP 92 – Decanter R$ 187,00 – ST(90)

  • Visual vermelho rubi, aromas doces de goiabada, com boca confirmando o dulçor, mais não desmerecendo sua qualidade, mostrando também bom conjunto.


Bruno Rocca Barbaresco 2004 – WS93 – RP90 – World Wine R$ 298,00 – ST(93+)

  • Visual castanho claro, aromas leves de ameixa, cacau, medicamento (Olina) e alguma especiaria. Na boca se mostrou equilibrado, aveludado, retrogosto doces, álcool não aparente e uma longa persistência.


Pio Cesare Barbaresco 2004 – WS92 – Decanter R$ 326,80 – ST(94)

  • Na minha opinião o melhor da noite, mostrou um visual atijolado, aromas de baunilha, rosas, leve couro, terra e frutas vermelhas como cereja. Na boca se mostrou pronto apesar de sua idade, um belíssimo conjunto entre acidez, taninos, álcool e persistência que estou lembrando até agora.


Por Luiz Cola

Barbaresco – Regiões

  • Barbaresco: As vinhas ao redor da vila de Barbaresco são responsáveis por 45% da produção regional, com muitas vinhas localizadas dentro da cidade. As vinhas desta área tendem a ser relativamente mais claras na cor e ter um corpo mais bem estruturado e aromático.
  • Neive: Aqui a Nebbiolo é apenas a 4ª casta mais plantada, ficando atrás do cultivo de Barbera, Dolcetto e Moscato, mas a região é conhecida por alguns dos mais poderosos e tânicos Barbarescos. A área abrange os famosos vinhedos de Santo Stefano e Bricco di Neive, onde alguns produtores vinificam o vinho em pequenas barricas de carvalho. Localizada a leste de Barbaresco, Neive produz 31% do Barbarescos.
  • Treiso: Localizada ao sul de Barbaresco, com vinhedos nos pontos mais altos das montanhas locais, Treiso fornece vinhos de corpo mais leve, conhecidos pelo equilíbrio e elegância. Sua pequena área é responsável por 20% da produção da DOCG.

Barbaresco D.O.C.G

  • O regulamento da DOCG de Barbaresco estipula que os vinhos devem amadurecer 2 anos no mínimo (sendo pelo menos 1 ano em carvalho), podendo chegar a 4 anos para ser considerado Riserva.
  • Os vinhos devem ter entre 12,5% e 13,5% de álcool. Barbarescos devem esperar entre 5 e 10 anos para ser consumidos, pois são extremamente tânicos e duros na sua juventude. Os melhores podem continuar a ser apreciados por mais de 20 anos.
  • O estilo típico do Barbaresco oferece um bouquet de rosas e violetas e notas de cereja, trufas e licor. Com a idade, pode desenvolver notas defumadas, terrosas e aromas de couro e alcatrão.

Barbarescos x Barolos

  • Apesar de utilizarem a mesma casta e ser produzidos a 15 km um do outro, os vinhos das DOGC’s Barbaresco e Barolo tem diferenças bem distintas:
  • Localizado ao sul do rio Tanaro, os Barbarescos tem uma leve influência “marítima” que permitem a Nebbiolo amadurecer um pouco mais cedo que na zona do Barolo, loalizada em maiores altitudes, ao “pé do monte”. Isto proporciona a uva, uma fermentação e maceração mais curtas. Assim, os taninos mais jovens dos Barbarescos não são tão duros como os dos Barolos, e pelas regras da DOCG, permitem que eles amadureçam um ano a menos que os Barolos.
  • Os Barolos tendem a ser mais fechados e encorpados, mas é nos taninos que se estabelece a grande diferença. Os Barbarescos tendem a ter taninos mais delicados e podem ser bebidos mais cedo, enquanto os Barolos podem exigir o dobro do tempo para serem degustados.
  • A pequena área plantada em Barbaresco, rende cerca de 35% da produção anual de Barolo, mas de modo geral, os Barbarescos são mais consistentes que a média dos Barolos e custam, na maioria das vezes, bem menos que os afamados Barolos.

Presentes na noite: Alvanir Denaday, Aldir Manoel de Almeida, Ubericilas Polido, Weligton Andrade, Luiz Cola, Flavio Maraninchi e Silvestre.