Em Portugal, Filipa Pato. Com formação em Bordeaux, estágios na Argentina, Austrália e França, hoje Filipa Pato (foto à esquerda) lidera o projeto FP Wines. Com o conceito que o vinho é uma questão de origem, a enóloga procura que seus produtos demonstrem a forte identidade com o local onde são produzidas as uvas, isto adaptado ao consumidor internacional. “Não quero ter um vinho que se confunda com outro, do Novo Mundo, por exemplo”, diz a mais badalada musa do vinho português do momento. Hoje o vinho feito por enólogas está na moda em Portugal, num universo até há pouco tempo dominado por homens. A qualidade está quase sempre acima da média e o reconhecimento, pelo menos para Filipa, veio rápido, com suas maravilhas do Dão e Bairrada.Na Argentina, Laura Catena ocupa, hoje, o ranking de uma das maiores personalidades do vinho argentino. Jovem, talentosa, filha de Nicolás Catena, o emblemático vitivinicultor daquele país, Laura estudou biologia em Harvard e medicina em Stanford, mas desde meados dos anos 1990, dedica-se exclusivamente à vitivinicultura. Hoje, além de vice-presidente e braço direito do pai nas Bodegas Catena Zapata, ela é proprietária das prestigiadas vinícolas Luca e La Posta.E por falar nelas, existem vinhos femininos?Vejamos: na França, se diz que o vinho de Bordeaux é masculino e os Bourgognes são femininos. No Piemonte, esta associação é feita com as uvas Nebbiolo e Barbera. As primeiras são masculinas e as segundas, femininas. Maria Borio, presidente da Associazione Nazionale Le Donne Del Vino, entidade que congrega 150 mulheres proprietárias ou casadas com proprietários de vinícolas da Itália, diz que o principal objetivo desse grupo é divulgar o vinho entre as mulheres. Ela se preocupa com detalhes femininos na apresentação dos vinhos como, por exemplo, as garrafas e os rótulos. As primeiras confrarias femininas brasileiras apareceram a partir do ano 2000 e fazem a mesma coisa que as masculinas: reúnem-se para degustação, comentários e papos de vinho.Mas, já que o assunto é mulheres e vinho, vamos falar das grandes “Damas de Baco” do século 19. Na França, a Veuve Clicquot (1777-1866) e a Mme. Pommery (1819-1890) ocupam lugar de histórico destaque. E em Portugal, a personagem-referência é a emblemática Dona Antónia (1881-1896) (gravura à direita), que naufragou num rabelo (aquelas barcaças que singram o Rio Douro) junto com o marido – ele morreu e ela sobreviveu graças às sete saias, que lhe serviram de boia – e que durante o ataque da phyloxera, “o fungo assassino” que devastou as vinhas do Douro, pagou do bolso durante anos a sobrevivência/manutenção dos seus empregados (vinhateiros), até que se dominou a praga e a Casa Ferreirinha pode voltar a colher a uva sadia e, consequentemente, fazer o bom vinho, de mesa e do Porto.Detalhe: todas viveram muito. A Veuve Clicquot morreu com 89 anos, a Pommery com 71 e a Dona Antonia com 85. Alguém ainda duvida que vinho faz bem à saúde?

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