Não tenho dúvida que a mesa de Natal combina com um bom vinho. Porém, sei que não é uma tarefa fácil. A grande variedade de pratos doces e salgados disponíveis na data mais saborosa do ano pode deixar qualquer pessoa confusa na hora de escolher a melhor harmonização. Hoje a coluna vai dar dicas para tornar a sua refeição de natal mais harmoniosa e saborosa.   

Entradas 

Na entrada, quando normalmente são servidos nozes, castanhas, frutas secas, tabua de frios com queijos e embutidos a dica é servir um bom espumante, verdadeiro “coringa” à mesa, tem a capacidade de harmonizar com uma enorme variedade de pratos do começo ao fim das refeições. Champagne, um Cava, um Prosecco ou um espumante nacional, são as melhores opções.  

Hora da ceia 

Na maioria das ceias de natal não pode faltar o peru, que pede um vinho mais leve, menos tânico. Entre as boas opções estão os elaborados com as uvas Pinot Noir, Grenache, Shiraz ou Zinfandel. Se os convidados gostarem de vinho branco, ofereça Sauvingnon Blanc, Viognier ou um Chardonnay sem madeira. Outra agradável opção são os rosés. Eu curto muito!

A combinação do tradicional bacalhau, peixe salgado, normalmente preparado com bastante azeite, cebolas, pimentão, azeitonas, ovos e alho, é bastante polêmico, mas pode dar certo com vários estilos de vinho. Particularmente, prefiro branco encorpado, untuoso, com estagio em madeira. Porém existem brancos mais leves como os Vinhos Verdes e tintos mais estruturados, que vão escoltar muito bem várias receitas com esse peixe, como por exemplo vinhos portugueses, do Dão, Douro e Alentejo. Já para outros tipos de peixes, como o dentão assado, por exemplo, brancos sem madeira são as melhores opções. Apostem nos Chardonnay, Sauvignon Blanc, Pinot Blanc entre outros.  

As carnes de porco assadas, entre elas o tender e o pernil, podem combinar com vários estilos de vinhos. O que deve ser considerado nessa hora é o tempero. No caso de ser temperado com especiarias, molhos agridoces ou frutas em caldas, um Chenin Blanc do Vale do Loire e um Gewürztraminer, com suas notas de mel e damasco, é perfeito. Outras opções são Riesling e um Chardonnay com passagem por madeira. Nos tintos, a Nebbiolo do Piemonte na Itália e os tempranilos da Espanha são ótimas opções.

Sobremesas 

Os alimentos doces fazem os vinhos secos parecerem ácido e azedo. A regra geral é a de servir com um vinho, pelo menos, tão doce ou mais doce do que o alimento a ser servido. Vinhos doces com um bom nível de acidez, como o Sauternes ou Late Harvest, um bom Moscatel de Setubal, os vinhos do Porto, além dos espumantes com maior concentração de açúcar, como por exemplo os de classificação demi-sec e o Moscatel, que combinam perfeitamente com o clássico Panetone.

Segue algumas dicas da coluna Vivendo a Vida | Caderno C2 + Prazer & Cia | Jornal A Gazeta

Prosecco D´Alba – Italia – R$ 60 – Zanatta

Um espumante super agradável que apresenta borbulhas delicadas e persistentes e aromas delicados de frutas brancas. No paladar é fresco, com acidez equilibrada, ideal para aperitivo e entradas leves.

Viña Marty Love Rosé 2014 – Chile – R$ 52 – www.domusvini.com.br

Feito com 50% Cabernet Sauvingon e 50% Syrah, tem coloração cereja de média intensidade. No nariz, destaca-se pelos aromas frutados de groselha e morango fresco, com um toque floral. Leve de corpo, bastante fresco no paladar. Acompanha bem o Peru de Natal. 

Roquette & Cazes 2011 – Portugal – R$ 158 – Carone 

Uma safra excepcional, considerada uma das melhores de Portugal, que rendeu um vinho de muita concentração. Expressivo mesmo na sua juventude, delicioso e encantador, macio, com ótima acidez. Para escoltar o bacalhau. 

La Duna Tempranillo 2010 – Espanha – R$ 83 – Grand Cru

Para acompanhar a carne de porco a minha dica é este espanhol com aromas de amoras, ameixas maduras e destacada tosta. Paladar de médio corpo, baunilha proporcionada por seu envelhecimento em barris de carvalho. 

Bacalhoa Moscatel de Setúbal – Portugal – R$ 69 – Perim

Delicioso vinho de sobremesa com estilo jovem, aroma intenso de flor de laranjeira, citrinos casca de laranja e frutas cristalizadas. Paladar é encorpado, com sensações de amargo doce, tendo um final muito longo e persistente.