Os vinhos biodinâmicos, orgânicos e naturais têm me dado um novo ânimo para seguir em frente na minha curta caminhada vínica. São vinhos puros, autênticos e com muita história para contar.

Recentemente estive provando mais uva vez, porém com muita atenção, algumas safras de Nicolas Joly, vinicultor Francês, da região do Loire (França), pioneiro e uma das principais personalidades do vinho biodinâmico. Joly acredita que as fases da lua interferem nas colheitas e não usa agrotóxicos. Seus vinhos são constantemente citados como um dos melhores vinhos brancos secos do mundo.

A prova de quatro safras foi do vinho considerado o top da vinícola, o Coulée-de-Serrant, produzido a partir de vinhas de baixo rendimento, de terroir privilegiado, montanhoso, fermentado em barricas de carvalho novo. 

As vinhas são totalmente certificadas “biodinâmica” desde 1985. São produzidos três vinhos distintos; todos a partir da casta Chenin Blanc, porém em diferentes terroirs e métodos de vinificação. 

Nicolas Joly Clos de la Coulée de Serrant: 1999 (13,9%) – 2002 (14,5%) – 2005 (14,5%) – 2008 (15%). Avaliação (MF)

Ao invés de comentar vinho a vinho, vou dar uma pincelada geral pra coisa não ficar muito enfadonha. Todos naquele conhecido estilo do Joly, que costuma retardar a colheita, fazendo com que os vinhos apresentem graduação alcoólica elevada, boa densidade em boca e sensação de açúcar residual, principalmente no nariz. A sorte é que vem tudo muito bem contrabalançado por boa acidez e agradável mineralidade. Não fosse isso, seria um desastre. 

O 99 e o 02 apresentaram, como esperado, aromas mais evoluídos, com o 02 aparentando maior estrutura e aromas mais intensos de cêra de abelhas e pedra branca. No 99 essa cêra já começava a migrar pra um própolis com mineralidade um pouco menos evidente.

O 05 e o 08, não obstante a inegável juventude, estavam perfeitamente prontos, embora primários. O 05 tem um malte que sempre me salta aos olhos. Parece que completaram as barricas com um litrinho de whisky. Surpreendentemente, o 08 me agradou até mais que o 05. Muito equilibrado, apesar dos 15% de álcool.

Enfim, a essa altura do campeonato não dá pra falar muito mais que isso. Há quem não goste do estilo, mas o cara sabe trabalhar a Chenin… ao seu jeito.