Don Melchor, Almaviva e Manso de Velasco X Cheval des Andes, Poesia e Achaval Ferrer Finca Altamira

Chile e Argentina são as duas grandes estrelas da América do Sul quando o assunto é produção de vinhos. Juntas correspondem 60% das importações brasileiras de vinhos. Os fatores que influenciam sua qualidade são as excelentes condições de clima, solo, resultando no cultivo de uvas com ótima qualidade. Apesar de novas castas começarem a apresentar bons resultados na Argentina, a Malbec reina soberana no paladar dos apreciadores da bebida. Já no Chile as principais castas são as varietais francesas, como as tintas, Cabernet, Merlot, Pinot e Merlot, a as brancas Chardonnay e Sauvignon Blanc.

Recentemente participei de um painel com seis tintos de elite desses dois países, 3 x 3. A degustação confirmou a qualidade e a capacidade de evolução desses vinhos. Vamos a eles:

Don Melchor 2001 (Chile) – Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc – R$ 450

  • A capacidade de inovação de Enrique Tirado, enólogo responsável por esse vinho, é marcante. Desde 1997, sua primeira safra, nota-se a quase eliminação do herbáceo que já foi a marca desse vinho. Mostrou no nariz muita fruta negra, tabaco e café. Paladar equilibrado e intenso com taninos finos. Uma das melhores safras.

Almaviva 2006 (Chile) – Cabernet Sauvignon, Carmenère, Cabernet Franc e Merlot – R$ 750

  • Dos últimos anos impares do Chile, 2006 está entre as melhores. Temperaturas mais baixas em abril desacelerou o processo de amadurecimento, gerando uma colheita na data certa. As condições secas e amadurecimento lento contribuíram para um grande acúmulo de compostos fenólicos, um bom equilíbrio e uma maturação ótima das uvas. Nariz complexo, que foi abrindo conforme tempo em taça, mostrando várias nuances, frutas, couro, fumo e especiarias. Paladar redondo, com taninos de excelente qualidade. Ter a oportunidade de provar um Almaviva é realmente uma experiência ímpar.

Manso de Velasco 2004 (Chile) – R$ 250 – www.devinum.com.br

  • Feito em homenagem ao fundador da cidade de Curicó, Don José Manso de Velasco com vinhas de Cabernet Sauvignon, préfiloxera, de mais de 100 anos, mostrou na taça depois de 1 hora respirando, grande expressão aromática, toque herbáceo típico, frutas negras maduras, e delicioso tostado proveniente da barrica de carvalho. Na reta final, ficou em terceiro lugar do painel.

Cheval des Andes 2002 (Argentina) – Malbec, Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc e Petit Verdot – R$ 325 –

  • O Cheval des Andes, que na minha opinião, foi o grande vinho da noite, talvez seja o melhor vinho produzido na Argentina na safra 2002, que foi considerada 10. É um projeto vinícola de categoria ultra-premium pertencente à LVMH, holding francesa especializada em artigos de luxo, entre os quais se destacam a Louis Vuitton e outras marcas de moda, relógios e perfumes, além de rótulos de peso na área de bebidas, como os celebrados Châteaux Cheval Blanc e d’Yquem, e as casas de champagne Moët & Chandon, Veuve Clicquot e Dom Pérignon. Como o nome sugere, o Cheval des Andes tem a ver com seu irmão, Premier Grand Cru Classé “A” de Saint-Émilion, o Cheval Blanc. O projeto nasceu de uma joint venture entre a Terrazas, bodega pertencente à Chandon argentina, e o château bordalês. Na taça se mostrou delicioso no nariz, com notas de coco, baunilha, couro e chocolate. Paladar aveludado, rico, concentrado, com muita vida pela frente.

Poesia 2002 (Argentina) – 60% de Cabernet Sauvignon e 40% de Malbec – R$ 280 – www.worldwine.com.br

  • A Bodega Poesia é de propriedade da familia Garcin-Lévêque, que produz os Grands Crus de Bordeaux Clos l’Église, Château Branon, Château Barde-Haut e Château Haut-Bergey. O Poesia 2002, é um top da Argentina, já evoluído, mas que ainda preserva a boa fruta, textura cremosa, com excelente acidez. Foi o segundo vinho da noite. Muito elegante e integro.

Achaval Ferrer Finca Altamira 2007 (Argentina) – R$ 450 –

  • Achaval Ferrer produz seus vinhos com a Malbec em três “Terroirs”: o Finca Altamira, situado em La Consulta a 1.050m; o Finca Bella Vista, vinhedo em Perdriel a 980m que circunda a bodega; e o mais recente, o Finca Mirador, localizado em Medrano a 700m de altitude. O premiado Altamira 2007, proveniente de vinhas de baixo rendimento com produção de apenas 8.736 garrafas. Muita fruta com destaque para ameixa negra. Tem ainda um tostado e uma baunilha marcante no nariz. Paladar intenso, com corpo marcante e taninos doces. Elegante, com bom equilíbrio entre a grande estrutura, acidez e álcool. Vai melhorar com mais tempo em garrafa.