Os vinhos “laranja” ou “âmbar” voltaram a moda e estão conquistando o paladar de enófilos cansados da mesmice vínica que assola o grande mercado de vinhos no Brasil. Eles são uma releitura dos vinhos produzidos nas origens da viticultura, que seu deu provavelmente na República da Geórgia, no Cáucaso.

A sua linda coloração alaranjada, que pode se alternar entre o dourado intenso e o âmbar, seja brilhante ou um pouco turva, decorre do processo de maceração das uvas brancas com o mosto, tal como se produzem os vinhos tintos a partir de uvas tintas. A vinificação “oxidativa” – ou pelo menos não exasperadamente protetiva à ação do oxigênio – reforça esta pigmentação da matéria colorante.

Estes vinhos laranjas possuem uma complexidade ímpar, revelando desde notas florais, de cítricos confitados, de drupas e frutas secas, até notas de cogumelos, além de fortes notas minerais. Sua estrutura é firme, fenólica, tal como um tinto, mas com o frescor e a mineralidade de um grande branco.

Na mesa os vinhos laranjas fazem o papel de um grande branco acompanhando peixes e crustáceos em preparações bem saborosas, mas também fazem as vezes de um tinto escoltando com perfeição até carnes intensas como a de cordeiro.

Recentemente tive a oportunidade de provar dois belos caldos da Itália, do produtor Damijan. A vinícola foi fundada em 1998 por Damijan Podversič com um enorme desejo de recuperar e desenvolver alguns vinhedos abandonados na nobre região do Friuli. Uma década de trabalho foi necessária até que surgissem as primeiras garrafas no mercado, fruto de intensa redução dos rendimentos no vinhedo, com poucos cachos por planta e de uma filosofia que converge para extrair a maior pureza da fruta a partir do uso de técnicas ancestrais na cantina. Forte do amor pela terra e incentivado pelos ensinamentos de Josko Gravner, por quem nutre grande admiração e amizade, Damijan enveredou-se também por um caminho sem volta, que prevê macerações de até 4 meses durante a vinificação, além da completa renúncia na utilização de leveduras sintéticas, nada de clarificações, filtrações e controles térmicos. Veja abaixo:

Damijan Ribolla Gialla 2010

Classificação legal: I.G.T. (Indicazione Geografica Tipica)

Região: Friuli – Gorizia – Monte Calvario, vinhedos localizados na margem direita do rio Isonzo.

Uva: 100% Ribolla Gialla (Vinhas 10-60 anos)

Amadurecimento: 3 anos em grandes cubas de carvalho de 20-30 hl.

Guarda: 10 anos

Serviço: 15°C, decantado por 2h.Taça Borgonha

Clima: Clima continental com forte influência dos Alpes, temperatura média anual de 13°C. Vinhedos colinares expostos ao sul. Altitude: 110-140 m.s.n.m.

Solo: Marga-calcária pedregosa (Oponka).

Elaboração: Vindima manual no final de Setembro-Outubro segundo calendário lunar. Desengace e maceração por 60-90 dias em grandes cubas de carvalho. Fermentação natural (leveduras indígenas), sem controle térmico. Longo amadurecimento. Não há clarificação ou filtração. Envelhecimento mínimo de 6 meses.

Na taça: Cor dourada/alaranjada, certa turbidez. Buquê intenso e etéreo, com damasco seco, erva aromática, casca de laranja cristalizada e iodo. Elegante e profundo, substancioso sem ser pesado, dotado de notável mineralidade.

Harmonização: Ovo pochê sobre cogumelos salteados em manteiga de trufas. Mil folhas de palmito pupunha, caviar e mousse de haddock. Ravióli com pecorino, ricota e favas. Sopa de amêijoas.

Nota: ST (96)

Preço: R$ 280

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Damijan Nekaj 2010

Região: Friuli – Gorizia – Monte Calvario, vinhedos localizados na margem direita do rio Isonzo

Uva: 100% Friulano (Vinhas 10-60 anos)

Amadurecimento: 3 anos em grandes cubas de carvalho de 20-30 hl.

Guarda: 10 anos

Temperatura de serviço: 15°C, decantado por 2h.Taça Borgonha.

Teor de álcool: 14,5° GL

Clima: Clima continental com forte influência dos Alpes, temperatura média anual de 13°C. Vinhedos colinares expostos ao sul. Altitude: 110-140 m.s.n.m.

Solo: Marga-calcária pedregosa (Oponka).

Elaboração: Vindima manual no final de Setembro-Outubro segundo calendário lunar. Desengace e maceração por 60-90 dias em grandes cubas de carvalho. Fermentação natural (leveduras indígenas), sem controle térmico. Longo amadurecimento. Não há clarificação ou filtração. Envelhecimento mínimo de 6 meses.

Na taça: Cor alaranjada e opaca. De explosivos aromas florais, de pêssego maduro, menta e cítricos confitados. Completo na boca, com ótima mineralidade, quente, longo final amendoado.

Harmonização: Tagliolini envolvido com dados de lagosta e aspargos frescos. Guacamole com camarões. Paccheri com amêijoa, berinjela e bottarga. Galinha caipira estufada ao curry.

Nota: ST (93)

Preço: R$ 280

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