Continuando a falar sobre o magnifico jantar na casa do amigo Aldir Almeida, que começou com grandes champas – veja aqui, vou relatar mais uma experiência que tive ao provar duas safras do mais ilustre e mítico vinho tinto português (Douro), o Barca Velha safras 1966 e 1985.

Essa prova reforçou o meu entendimento sobre a importância da safra para o envelhecimento do vinho, mais até que o armazenamento. Explico: Os fatores que ditam a vida de um vinho é a qualidade da uva em sua safra. Em seu amadurecimento é preciso ter grande concentração de açúcares, o que preserva um bom nível de acidez e acumula substâncias que trarão aromas, sabores e a qualidade de seus taninos. Para isso é necessário a benção de “São Pedro” com alguns fatores climáticos favoráveis – muita luz, calor e umidade na medida. Muito calor, por exemplo, reduz a acidez, muita chuva, diluem seus aromas e sabores, resultando em vinhos desequilibrados, com baixa qualidade e baixo potencial de guarda.

Essas características blindaram a safra 1966 (Safra excelente), que a garrafa em questão que teve nitidamente uma vida difícil, surrada, acondicionada fora de climatização x uma safra 1986 (alguns dizem que não era para ser declarado Barca Velha) considerada ruim (4/10), com um histórico perfeito de acondicionamento, mas que não mostrou a que veio na taça.

Para quem quiser saber sobre os 60 anos de história do Barca Velha, segue uma matéria muito boa feita pelo site .

O prato para harmonizar com o Barca Velha foi “Coelho a caçadora” by Aldir Almeida.

Casa Ferreirinha Barca Velha 1966

Rolha em péssimo estado, totalmente embebida, que quebrou e esfarelou na tentativa de ser retirada. Visual atijolado sem sedimento aparente, aroma intenso de couro, fumo, madeira velha e leve nota balsâmica. Paladar rico, textura macia, muito complexo com todas as notas do nariz, persistente, elegante com boa acidez. Simplesmente perfeito. Um vinho memorável! ST (100).

Casa Ferreirinha Barca Velha 1985

Rolha também toda embebida, mas saiu inteira sem esfarelar. Visual escuro, omitindo a idade, aroma tímido, fechado, com poucas nuances. Paladar austero, tânico, pouco expressivo em relação ao seu irmão mais velho. Talvez melhore com mais tempo de guarda, mas depois que tive as informações que relatei acima sobre a safra, acredito que é um caso perdido. ST (90)