Tomás Roquette, um dos proprietários da vinícola portuguesa Quinta do Crasto, esteve recentemente em Vitória para comandar uma degustação. O local escolhido foi restaurante Aleixo, onde formadores de opinião tiveram a oportunidade de aprender um pouco sobre a região e provar novas safras e rótulos.

A Quinta do Crasto tem cerca de 130 hectares, dos quais 70 são ocupados por vinhas, com localização privilegiada na Região Demarcada do Douro, situada na margem direita do Rio Douro, entre a Régua e o Pinhão. É propriedade da família Roquette há mais de 100 anos.


Foi um almoço agradável preparado pelo jovem e competente chef Jonathan Erlaches, no qual se destacou o Gnochi de batata doce com bacalhau, um casamento perfeito com o delicioso Crasto Superior Branco 2013, lançamento da vinícola.

Começamos os trabalhos com o Crasto Douro branco (R$ 67), elaborado com as castas brancas tradicionais do Douro – Gouveio, Roupeiro e Rabigato. Na taça se mostrou agradável, com bom frescor e intensidade de aromas e sabores, tanto no nariz quanto em boca. Superou a minha expectativa. ST (87)

Tartar de salmão

A grande novidade foi a prova, em primeira mão, do lançamento Crasto Superior branco 2013 (R$ 105), primeiro vinho branco do Crasto estagiado em madeira. Foi elaborado a partir das castas Verdelho e Viosinho, de vinhas da zona de Muxagata, Douro Superior. Na taça o vinho surpreendeu pelo seu equilíbrio. Notas minerais agradáveis e fruta branca, com a barrica (6 meses) bem trabalhada, não sobrepondo a fruta. Foram produzidas 8.900 garrafas. Agradou a todos na mesa. Em breve estará a venda no Brasil. ST (91)


Gnochi de batata doce com bacalhau

Já o Crasto Superior 2012 tinto (R$ 105), velho conhecido, confirmou seu encanto. Um blend de Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Sousão e Vinha Velha, que passa por 12 messes em barrica, resultando em um vinho concentrado, com notas de fruta em compota, florais e de especiarias. Boa acidez, taninos finos e longa persistência. Recomendo decantar pelo menos 1 hora antes. ST (90)

No almoço também tivemos o prazer de provar o Azeite Premium Virgem Extra da vinícola, elaborado com azeitonas de três variedades: Cobrançosa, Madural e Negrinha de Freixo. Provém de olivais com idade superior a 100 anos, cultivados em regime biológico, sem aditivos.

Outra grata surpresa foi Quinta do Crasto Reserva Vinhas Velhas 2011 (R$ 220), que achei agradável para beber agora, apesar de bastante novo. É elaborado através de uvas selecionadas nas Vinhas Velhas, com uma média de 70 anos e cerca de 30 variedades de castas. Nata taça mostrou aroma potente e com várias nuances. Paladar bastante concentrado, gordo, mas não agressivo, com acidez dando suporte ao peso. Redondo e gostoso. Bastante longo. Deixou sensação agradável e duradoura. ST (94)

Finalizamos com o LBV 2008. O Late Bottled Vintage tem quase a mesma qualidade do Vintage, mas custa bem menos. Ao contrario dos Vintages, os LBV são feitos todos os anos. A categoria foi criada após a Segunda Guerra Mundial. Naquela época sobrava muito Vintage nos balseiros por não encontrar comprador, alterando suas características, sendo engarrafado mais tarde. Em virtude dessa pratica acabou se criando uma categoria própria, que foi oficializada nos anos 1960. Os LBV´s, também chamados de “baby vintage” ficam em grandes balseiros por quatro a seis anos após a colheita. O primeiro LBV do mercado teria sido o Taylors 1965, lançado em 1970.