Terminando o roteiro de viagem pelo Chile, já hospedado em Santiago, fui visitar a vinícola Almaviva. Para chegar lá é fácil. Fica dentro da região metropolitana, cerca de 20 minutos de carro do centro. O endereço é: Av. Santa Rosa, 821 – Paradero 45, Puente Alto. A visitação e prova da safra 2008 custa U$$ 80 dólares por pessoa, somente com agendamento de segunda a sexta nos horários: 09:30, 11:30, 14:00 e 16:00 horas. E-mail para contato:  |Site: www.almavivawinery.com | Telefone: (56-2)2270 4226.

A vinícola que foi criada através de uma “joint venture” entre o Château Mouton Rothschild na França e a gigante Chilena Concha y Toro, nasceu em 1997, sob o conceito de Chateau Francês.  Suas características arquitetônicas mesclam o moderno com à paisagem da Cordilheira dos Andes além das tradições dos antigos moradores da região, os índios mapuches. 


Tive o privilegio de ser recebido pessoalmente pelo enólogo Michel Friou, pessoa de fino trato, humilde e profissional de muita capacidade, que inclusive me buscou no hotel. Logo na chegada passeamos pelo vinhedo que ocupa um terroir exclusivo, e depois pela única adega, no qual Michel comanda uma equipe técnica que se dedica ao vinho Almaviva, ícone supremo dos vinhos tops do Chile, e ao seu segundo vinho, Epu, uma versão mais econômica, mas de muita qualidade.

O terroir do Vale do Maipo, na zona central do Chile, Puente Alto, é reconhecido como oferecer as melhores condições ideais para o cultivo da uva Cabernet Sauvignon. No qual foram reservados 85 hectares exclusivamente para Almaviva.

A imagem do rótulo é uma reverência aos ancestrais chilenos, com a reprodução de um desenho que simboliza a visão do universo pela civilização Mapuche. 

A produção do Almaviva gira em torno das 12.000 a 15.000 caixa de 9 litros, sendo vendida para todo mundo, exceto os Estados Unidos, através de distribuidores especiais, os conhecidos “Negociantes de Bordeaux” e através de cadeias de distribuição. Atualmente, a distribuição de Almaviva na América Latina corresponde a 17% de suas vendas anuais, onde o mercado mais importante é o Brasil. Ásia representa 50%, Europa 18% e América do Norte 15%. Custa entre 550 a 900 reais no Brasil.

O segundo vinho da vinícola, o Epu (significa “dois” em mapuche), é elaborado também com uvas Puente Alto e composto pelo mesmo corte do Almaviva, a diferença é que este percentual da composição pode variar um ano para outro. O vinho também é engarrafado na vinícola o mesmo que Almaviva. Agora está sendo liberada a vindima de 2012, mesma que o Almaviva. Custa cerca de R$ 190 no Brasil.

Índios mapuches

Vinhas velhas de Cabernet Sauvignon, casta predominante no corte do Almaviva.

Vinhas mais novas plantadas em solo pedregoso.

As uvas chegam à adega em pequenas caixas plásticas, onde é feita uma rigorosa seleção dos bagos.  Após a seleção é feito a prensagem e a fermentação.

Os tanques de fermentação onde o mostro permanece por um período, cerca de duas a três semanas, com remuage feita com bomba hidráulica.

Após esse processo o vinho é transferido para as barricas de carvalho francês, onde amadurece separadamente antes de ser preparado o blend.

Michel Friou e Silvestre Tavares

Sala de engarrafamento e rotulagem.

Sala de degustação

Ao termino da visita tive a oportunidade de provar uma vertical de safras do Almaviva: 1997, 2005, 2008 e 2011, junto com Michel Friou. Na taça os vinhos estavam incrivelmente distintos, evidenciando a variação climática entre as safras, seu tempo de estagio em barricas, em garrafa e o percentual de Cabernet Sauvignon no corte. Diferente de outras vinícolas a vinícola a Almaviva engarrafa todos os anos, mesmo em condições climáticas adversas.

Almaviva 1997 – 72% Cabernet Sauvignon, 23% Carmenére e 5% Cabernet Franc – 16 meses em barrica – 13,5% – ST (93)

  • Visual já mostrando evolução com tom atijolado. Nariz intenso de frutas negras e vermelhas, além de tabaco, café e agradáveis toques de mentol e cânfora. Na boca, um vinho encorpado com taninos macios, boa acidez e persistência longa. Apesar de se mostrar inteiro, elegante e complexo, não acredito que vá evoluir mais. Um vinhaço para ser provado agora.

Almaviva 2005 – 74% Cabernet Sauvignon, 21% Carmenére e 5% Cabernet Franc – 18 meses em barrica – 14,5% – ST (91)

  • Visual rubi violáceo, aroma franco e fresco, mostrando notas de frutas negras e vermelhas, além de especiarias e notas minerais. Paladar com taninos macios confirmando as notas do nariz.

Almaviva 2008 – 66% Cabernet Sauvignon, 26% Carmenére e 8 Cabernet Franc 18 meses em barrica – 14,5% – ST (92)

  • Rubi violáceo denso, aroma com notas de frutas vermelhas, especiarias e mineral. Paladar de bom corpo, com finos e doces. Um belo Almaviva, profundo, complexo e muito bem proporcionado.

Almaviva 2011 – 67% Cabernet Sauvignon, 25% Carmenére, 5% Cabernet Franc, 2% Merlot e 1% Petit Verdot – 18 meses em barrica – ST (91+)

  • Visual impenetrável, aroma intenso, com muita concentração de fruta e de madeira se integrando. Paladar aveludado, com taninos finos. Paladar concentrado equilibrado, marca registrada da marca Almaviva.