Texto publicado originalmente na coluna Vivendo a Vida | C2 + Prazer & Cia | Jornal A Gazeta

O trabalho do enólogo é grande, árduo e merece muito reconhecimento. Ele começa pela procura e estudo do solo, passando pela seleção das variedades de uvas e termina na transformação da fruta em vinho. Nesse processo, é colhida na videira uma grande quantidade de uvas maduras que são prensadas para que elas liberem o suco. Após a prensagem, as leveduras reagem com o açúcar do suco e lentamente o transformam em álcool. Quanto mais maduras e doces forem às uvas, mais álcool terá seu vinho. Este processo se chama fermentação.

Atualmente, os enólogos usam vários artifícios para se diferenciar dos demais. Podem utilizar como recipiente no processo de fermentação aço inoxidável ou carvalho, por exemplo. A cada escolha, altera-se bastante o sabor do vinho. Após a fermentação, o enólogo escolhe quanto tempo o vinho irá amadurecer, e em qual recipiente. A maturação pode durar algumas semanas ou anos. Decisões difíceis, mas que fazem os vinhos terem características diferentes.

Na semana passada, estive no bar au vin Wine4friends, na Praia do Canto, para um bate-papo regado a bons goles com Vicenzo Protti, enólogo da vinícola Masi, uma das mais antigas e respeitadas da Itália. Sua fundação data no final do século XVIII. Localizada na região do Veneto, terra natal da denominação Valpolicella, a Masi é reconhecida internacionalmente por aplicar uma técnica de vinificação milenar chamada de apassimento: logo após a colheita das uvas, em vez de as frutas serem esmagadas, como em qualquer outro vinho de mesa, as mesmas são secadas em caixas plásticas ou em esteiras por até cinco meses, antes da fermentação, até que se tornem “passificadas”.

Durante o processo, as uvas perdem cerca de 35% de seu peso, o que acarreta uma perda na mesma proporção na quantidade de vinho, o que faz com que seu preço seja alto. Dessa técnica, associado ao seu amadurecimento em madeira e em garrafa, nasce o Amarone, um vinho estruturado, macio, com acidez viva e taninos doces. É quase um Porto, porém sem a adição de álcool. Um vinho grandioso que deve ser apreciado em momentos festivos ou de meditação.

Outra técnica de vinificação utilizada é chamada de Ripasso, criada pela Mais: as uvas são submetidas a uma segunda fermentação sobre as cascas e leveduras do Amarone. Esse processo aporta ao vinho, mais cor, álcool e mais complexidade de aromas, o que acontece no vinho Campofiorin, sendo uma opção mais acessível em relação ao preço cobrado pelos Amarones. Atualmente, Valpolicella Ripasso é uma denominação de origem “DOC” específica.

A empresa também produz vinhos na Argentina, pela Masi Tupungato, que emprega em seus vinhos a mesma técnica de produção. Provei quatro de seus rótulos, dois italianos e dois argentinos. Veja a seguir.

Masi Passo Blanco Pinot GrigioTorrontés 2013 – Mendoza – Argentina – R$ 88 – Wine4Friends e Vila Fruti

Nesse vinho branco incomum, a uva italiana Pinot Grigio passa pelo processo de apassimento por 15 dias para obter concentração. Muito fresco e aromático, com textura cremosa. Nota: 88/100 pontos

Masi Passo Doble Malbec Corvina 2010 – Mendoza – Argentina – R$ 99 – Vila Fruti e Wine4Friends

Feito com apenas uvas de vinhedos antigos de Corvina Veronese (a principal uva do Amarone) e Malbec. Notas de ameixa em calda e chocolate, com paladar macio e uma acidez viva. Nota: 87/100 pontos

Masi Campofiorin Rosso del Veronese 2009 – Vêneto – Itália – R$ 180 – Vila Fruti e Wine4Friends

Produzido pela técnica de dupla fermentação é delicioso, elegante, com notas de fumo e especiarias. Ótima acidez, o que o torna um vinho muito gastronômico. Nota: 90/100 pontos

Masi Brolo di Campofiorin Oro 2009 – Vêneto – Itália – R$ 240 – Wine4Friends e Vila Fruti

Inclui a casta Oseleta, uva autóctone de Verona, resgatada pela Masi. Ela compõe 10% do corte, reforçando a cor e a concentração do vinho. Um vinhaço! Nota: 93+/100 pontos