Cada vez mais gosto dos vinhos evoluídos. Essa predileção foi reforçada recentemente pela degustação de vinhos Argentinos da Bodegas Lopez Montchenot, que tive a oportunidade de participar a convite da “Confraria di Bacco“, uma das mais conhecidas e respeitadas da capital capixaba. O local escolhido para essa prova histórica foi a importadora e loja “Espaço D.O.C“, que fica no meio do Shopping Day By Day, Praia do Canto, cercada de bares e restaurantes muito atraentes e bastante frequentados (Rua Elesbão Linhares, Loja 23, telefone: 3024.1222).


Os confrades na foto: João Gomes Netto, Gabriel Lordêllo, Zé Braz Neto, Fabiano Lopes, Danilo Storari, Liemar Pretti, André Bourguignon, Plínio Ceolin, Thiago Rocha, Lívio Bassani, Pero Paraíso, Felipe Dalla Bernardina e eu, Silvestre Tavares.

A bodegas Lopez Montchenot, também chamada no passado de Château Montchenot, localizada na Cruz de Piedra (Alto Valle del Río Mendoza), Maipú, Mendoza, teve a primeira colheita em 1960. A região apresenta um microclima privilegiado, verões quentes e secos, com dias ensolarados e noites frias. Essa notável amplitude térmica favorece o desenvolvimento das uvas, atingindo uma alta qualidade.

O grande “pulo do gato”, que tornam os vinhos dessa vinícola com um estilo inconfundível, é o seu processo de amadurecimento x madeira. Composto de um corte de Cabernet Sauvignon, Merlot e Malbec, com predominância do primeiro, seu envelhecimento ocorre em barris de carvalho francês, de 5.000 a 20.000 litros de capacidade, onde o vinho evolui por 10 anos ganhando uma notável complexidade de sabores e aromas antes de ir para o mercado. Os Montchenot nomeados de 15 e 20 años envelhecem mais 5 e 10 anos em garrafa. A oferta desses vinhos no Brasil é limitada. Existe algumas safras disponíveis na www.winelands.com.br.

O tamanho do barril influencia na qualidade do vinho? Quanto maior o recipiente, menor será o contato da madeira com o vinho e, consequentemente, menor e mais lento será seu efeito no sabor da bebida, aportando bastante elegância. Grandes tonéis de dez mil litros influem bem menos no vinho que pequenas barricas bordalesas de 225 litros (o padrão mais usado hoje no mundo).

O que é uma degustação Vertical? Uma degustação vertical é quando varias safras do mesmo vinho são provadas de forma seqüencial. São colocados na mesa do provador 50 ml de cada safra em taças numeradas, normalmente em número de cinco vinhos e costuma ter a presença de um “expert” ou do produtor para orientar a prova. Os provadores analisam tecnicamente como as condições climáticas de cada ano, as técnicas de vinificação e os aspectos da viticultura podem influenciar nos aromas e nos sabores do vinho. Na prova podemos sentir as diferenças no aroma e no gosto de uma safra para a outra que são também influenciados pelos anos de guarda. Vamos aos vinhos degustados:


1976 Bodegas Lopez Montchenot

  • Incrível como um vinho argentino, de 38 anos, ainda se apresenta vivo e com notas complexas. Belíssimo halo de evolução alaranjado, tijolo. E que complexidade. Aroma lembrando couro, tabaco, mel, frutas secas, fumo e leve toque balsâmico. Paladar de médio corpo, com boa acidez e equilíbrio. Confirmou as notas do nariz. As cegas arriscaria um Rioja tradicional evoluído. Coisa muito fina. Para se guardar na memória.


1988 Bodegas Lopez Montchenot (Magnum -1,5ml) | Edição Especial de 115 anos da vinícola. 

  • O mais fechado do painel. Fruta escura meio tímida acompanhada por um leve traço de baunilha. Na boca, equilibrado, com taninos ligeiramente rústicos, acidez correta e boa persistência. Precisa de mais tempo em garrafa, para ganhar complexidade e elegância. Eu confio nele – ;) .


1992 Bodegas Lopez Montchenot Gran Reserva 20 años

  • Diferenciou-se dos demais pela destacada fruta cítrica associada a notas passadas de madeira velha e especiarias. Na boca estava muito macio, com taninos redondos, acidez correta e ótima persistência. Essa fruta diferente e seus taninos macios demais me deixaram com a pulga atrás da orelha com relação ao seu potencial de guarda. Um vinho pronto e delicioso no momento.


1998 Bodegas Lopez Montchenot Gran Reserva 15 años

Visual acastanhado, com halo evoluído. Aromas também remetendo aos vinhos da “Rioja tradicional”, notas de carne, madeira velha, mel, associado a frutas secas e especiarias. No paladar se mostrou integro, ainda com boa acidez, notas confirmando o nariz, redondo, e com boa persistência. Evoluiu muito bem. Lindão!


2002 Montchenot (crédito da foto: Gabriel Lordello)

  • Apresentou aroma concentrado, com terra molhada, madeira, canela, nozes, tostados. Paladar de médio corpo, aveludado, taninos maduros, elegante e equilibrado. Prazeroso. A sensação é de vida longa.