Depois de seis anos visitando o Sul do Brasil, finalmente tive a oportunidade de ser recebido pela família Geisse em Pinto Bandeira (RS), cerca de 20 minutos de Bento Gonçalves, onde se localiza a vinícola Geisse, fundada em 1979 pelo chileno Mario Geisse, que foi o grande responsável por descobrir o potencial do terroir da região. Foto acima: os filhos de Mario, Inácio, Rodrigo e Daniel, que em conjunto com o tio e enólogo, Carlos Arbazua, comandam hoje o negócio.

A vinícola é a queridinha dos críticos nacionais e internacionais, como Jancis Robinson, Oz Clarke, e mais recentemente o inglês Steven Spurrier, que declarou em um evento em SP que Geisse é a sua borbulha preferida.  


Logo na chegada fui convidado a participar de um novo projeto, batizado de Geisse Experience, um passeio de mini-bugre especial por todo seu terroir, com objetivo de descobrir suas características e vivenciar seus diferenciais. Durante o passeio desfrutei das belezas desse terroir e entendi o porquê de todo esse sucesso.


A primeira parada foi em um deck construído para comtemplar a beleza natural e se refrescar com uma bela taça de espumante.


Atravessando o rio



O conceito Terroir consiste na união de vários fatores, como a melhor combinação entre o micro-clima, solo e a variedade selecionada, somando a isto todo o ecossistema que envolve os vinhedos e que oferece características únicas e personalidade aos vinhos elaborados a partir desses uvas, além, é claro, da mão do homem, ou seja, a forma como esses vinhedos são conduzidos para que possam expressar sua melhor qualidade. Seu terreno basáltico, de origem vulcânica, com camadas de argila e rochas assegura muita mineralidade, perfeito para a produção das variedades Chardonnay e Pinot Noir.

A área total da vinícola são 76 hectares, das quais somente 23 hectares foram demarcadas e selecionadas para o plantio dos vinhedos em virtude das suas características excepcionais, o restante da área foi preservada com a mata nativa que ajuda a compor o nosso terroir,  imprimindo características únicas aos nossos espumantes.

A vinícola também é conhecida por não utilizar produtos químicos no parrerais. Isso é possível utilizando uma máquina de jato de ar quente, chamada de Thermal Pest Control, desenvolvida no Chile pela Lazo TPC.

A produção

Essa máquina faz a prensagem da uva resfriada, onde envia somente o suco para os tonéis de inox, por uma tubulação específica para cada tipo de uva.


Fiz a prova do vinho base direto nos toneis de inox, vinho esse que passa cerca de seis meses repousando.


Logo depois é engarrafado e mantido por cerca de um tempo na cave, de 6 meses a cinco anos, dependendo da intensão do enólogo , em uma temperatura aproximada de 12 graus C, fazendo com que a levedura absorva todo o açúcar. É nessa fase que acontece segunda fermentação, dentro da garrafa, descrito como método Champenoise ou clássico.


Na luz são nítidas as borras, células mortas das leveduras que processaram a segunda fermentação do espumante. Estas células, com o tempo, dissolvem-se no líquido em um processo chamado de autólise. Este “tempo com as borras”, ou “tempo sur lie”, ou “tempo de autólise”, é o tempo que o espumante permaneceu com suas borras. Quanto maior o tempo, maior o corpo, a complexidade e a cremosidade.


Ao final deste etapa, o líquido não pode ser simplesmente filtrado, pois, se a garrafa fosse aberta, perderia seu precioso perlage. Este problema é resolvido através do remuage e do dégorgement.

É um processo muito lento e cuidadoso. As garrafas são colocadas em cavaletes especiais de madeira chamados pupitres, onde as garrafas ficam na posição horizontal. O profissional especializado nesta tarefa passa periodicamente pelos pupitres fazendo o giro de 90 graus nas garrafas, e, ao mesmo tempo, colocando-as um pouco mais inclinadas para cima, de modo que as leveduras mortas vão, aos poucos, sendo levadas ao gargalo. Quando as garrafas estiverem bastante inclinadas para cima, as leveduras já estarão quase inteiramente sobre a tampinha. Este processo dura cerca de dois meses, ou cerca de uma semana, se for realizado mecanicamente.

A etapa seguinte é o remuage, quando os sedimentos no gargalo são congelados e expelidos por pressão. Esse método é conhecido como Dégorgement ou Disgorgement. A mesma máquina que retira o sedimento congelado acrescenta o Liqueur d’Expédition (licor de expedição).

Ao final do processo de elaboração de um espumante é acrescentado ou não o licor de expedição, uma espécie de xarope que determinará a “dosagem” de doçura do espumante. A classificação do espumante quanto ao teor de açúcar pode ser verificado no rotulo: Extra-brut – entre 0 e 6 gramas de açúcar por litro (g/l) | Brut Nature – menos de 3g/l | Brut – menos de 15 g/l | Extra Dry – de 12 a 20 g/l | Sec (ou Dry) – de 17 a 35 g/l | Demi-sec – de 33 a 50 g/l | Doux – mais de 50 g/l | O Brut Nature pode ser chamado também de “Pas Dosé”, “Brut Sauvage”, “Brut Zéro”, “Dosage Zéro”, “Brut Intégral”, “Brut Non-Dosé” etc.

Os espumantes estão disponíveis em todo mercado nacional e no site da vinícola: . Eu sou fã do Blanc de Blanc, descubra o seu!

Obrigado Carlos Eduardo Abarzúa Espejo (foto acima) e toda família Geisse pela atenção dispensada ao blog Vivendo a Vida. Saúde!

Cave Geisse – www.vinicolageisse.com.br
Linha Jansen, s/n – Tel.: 54 – 3455-7461 e 3455-7463 |95700-000 – Pinto Bandeira – Região de Bento Gonçalves – RS

O Geisse experience:

  • O custo por pessoa, até duas pessoas, é de R$ 300,00 e de 3 a 5 pessoas R$ 270,00.
  • Tempo estimado 2hs

O que inclui:

  • Passeio por trilhas em meio a mata virgem e vinhedos Geisse
  • Degustação em um local exclusivo dos espumantes Tops da coleção Cave Geisse acompanhados de típicas empanadas chilenas artesanais.