Não tenho duvida que saborear uma refeição em que a bebida esteja em perfeita harmonia com a comida é um dos maiores prazeres da vida. O vinho certo pode transformar a mais simples refeição num verdadeiro acontecimento.

Quando o assunto é harmonização muitas velhas “regras” estão ficando desgastadas. Mas uma básica vale ouro. O equilíbrio entre ambos: o prato e o vinho devem se completar e não se sobrepor, um deve valorizar os atributos do outro, surgindo um terceiro sabor, agradável, é claro. Uma tarefa difícil. Não foi à toa que os franceses inventaram a profissão de sommelier, capaz de aconselhar com toda propriedade o vinho ideal para o menu escolhido.

Hoje, a dica é a harmonização de vinhos com a nossa tradicional Torta Capixaba, um prato complexo, discutível, mas dependendo dos ingredientes utilizados, acompanha uma variedade de vinhos bem escolhidos, trazendo alegria e possibilidades à mesa.

Em busca da uma ampla opinião a coluna reuniu no Supermercado São José, Praia do Canto, um dos locais mais tradicionais no preparo da Torta Capixaba, enófilos experimentados e curiosos, onde combinamos a torta com diversos estilos de vinho a fim de encontrar o que melhor harmoniza com prato. Como sempre degustação foi surpreendente, mudando conceitos para a maioria dos participantes, inclusive eu.

Em virtude da textura e sabores intensos dos ingredientes como , siri, sururu, bacalhau, coentro, entre outros utilizadas em seu preparo, brancos aromáticos, frescos, de sabor intenso, com pouca ou sem passagem por madeira como o chileno Morandé Reserva Gewurztraminer 2013, o português Tapada do Fidalgo Branco 2011, com as uvas Antão Vaz e Verdelho e o rosé espanhol Lambuena 2012, mostraram a melhor companhia para a torta.

Ainda existe a opção de tintos, com poucos taninos – aquele ingrediente que amarra a boca, como algumas frutas verdes. A falta de compatibilidade do Sal e o iodo dos peixes, crustáceos e frutos do mar com o tanino é outro complicador. É comum aparecer um gosto amargo e metálico. Testamos com Merlot, Pinot Noir, Tempranillo e Carmenére. O único tinto que escoltou bem a nossa torta foi o Clos des Fous Subsollum 2012 elaborado com a uva Pinot Noir, todos os outros atropelaram a torta. A orientação se não quiser errar é usar como coringa as “bolhinhas”, espumantes em geral, que combinam com tudo.

Ortigão Bruto – Portugal – Bairrada – R$ 45 – Vila Fruti

  • É elaborado pelo método clássico, Arinto, Bical, Cerceal e Maria Gomes apresente um belo perlage. Os aromas são de fermento, frutas secas e um leve floral. No paladar com certeza é a sua maior qualidade, bastante seca, mostrando muita intensidade e frescor. 

Santa Augusta Brut – Brasil (SC) – R$ 39,45 – São Jose

  • Elaborado pelo método Charmat longo, com as uvas 54% Cabernet Sauvignon, 30% Chardonnay e 16% Merlot, apresentou aroma muito bom, fresco e intenso, lembrando maça verde e frutas cítricas. Na boca é leve, frutado e muito refrescante. 

Lambuena rosé 2012 – Espanha – Ribera Del Duero – R$ 99 – São José

  • Elaborado 100% com a uva Tempranillo, apresentou aroma frutado, de cerejas, laranjas e framboesas. Paladar de médio corpo, macio e fresco. Um rosé intenso sem perder a elegância.    

Casal Garcia – Vinho Verde (Minho) – Portugal – R$ 31,20 – São José

  • Elaborado com as uvas Trajadura, Loureiro, Pedernã e Azal, é leve e refrescante. Ligeiramente efervescente, seu aroma é delicado e remete a frutas brancas e cítricas.

Tapada do Fidalgo Branco 2011 – Alentejo – Portugal – R$ 35 – Carone 

  • Elaborado com as uvas Antão Vaz e Verdelho, apresentou aroma com muitas frutas tropicais, como abacaxi em calda e também algo de mel. Seguiu no mesma linha em boca. Sedoso, macio e fresco. 

Morandé Reserva Gewurztraminer 2013 – Chile – 53,00 – Grand cru

  • Grande surpresa da prova, foi considerado a melhor companhia para a torta. Aroma exuberante de jasmim, rosas e flor de laranjeira. Paladar com textura cremosa, com agradável equilíbrio entre doçura e acidez.

Casa Marin Cartagena Sauvingon Blanc 2010 - San Antonio – Chile – R$ 59 - www.buywine.com.br 

  • Elaborado exclusivamente com a uva Sauvignon Blanc, sem passagem por madeira, apresenta notas tipicas de frutas citricas, florais e herbáceas. Muito fresco. 

Clos des Fous Pinot Noir Subsollum 2012 – Chile – R$ 132 – www.ravin.com.br

  • Um Pinot Noir muito aromático, delicado, elegante e com boa persistência em boca. O único tinto em prova que harmonizou com a torta.