Em mais uma visita à Serra Gaúcha, participei, no dia 8 de fevereiro, da 4ª Colheita Simbólica no Vinhedo do Mundo. O evento recebeu 40 convidados, entre artistas, empresários, autoridades e jornalistas, no Ecomuseu da Cultura do Vinho Dal Pizzol, que integra a Rota Cantinas Históricas, em Bento Gonçalves (RS). Se eu pudesse resumir esse dia com uma expressão, seria “muito além da taça”.

Presença ilustre Luis Fernando Veríssimo participou do evento com a esposa, Lúcia Helena Massa. Ao colher um cacho da uva Shiraz, do Irã, o escritor afirmou que viver essa experiência foi algo bastante significativo.

Sob sol forte, a 38ºC, participei de atividades que contemplaram além da colheita, uma visita à exposição do Ecomuseu, a inauguração de uma exposição ao ar livre, a exibição da Fanfarra Bersaglieri de Faria Lemos, a mostra das 35 uvas colhidas e a apresentação e degustação do Vinum Mundi 2013, elaborado a partir de 100 castas de uvas do Vinhedo do Mundo.

Ecomuseu da Cultura do Vinho Recepcionado pelo presidente do Instituto R. Dal Pizzol, Rinaldo Dal Pizzol, nosso grupo pode conhecer a evolução do vinho na sala de exposição do museu, onde há um acervo com mais de 330 peças, sendo 235 delas exemplares de vinhos, garrafas exclusivas e objetos históricos da vitivinicultura.

O projeto conta com recursos da Lei Rouanet, de incentivo à cultura. Colheita Nessa ocasião, cada convidado vestiu um avental e colocou um chapéu de palha e, de posse da tesoura de colheita, pode viver a experiência de colher um cacho de um determinado tipo de uva.

Foi um verdadeiro passeio pelo universo vitivinícola através do Vinhedo do Mundo, que reúne 401 variedades de 30 países dos cinco continentes, sendo 164 em plena produção, 131 de primeira colheita em 2015 e 106 produzindo em 2016 (estas de origem caucásica). Coleção O Vinhedo do Mundo já é a terceira maior coleção privada de uvas do planeta. Daqui a duas safras, quando todas as variedades estarão produzindo, o projeto será a segunda maior coleção particular do mundo. “O Vinhedo do Mundo é um símbolo e uma mensagem de solidariedade humana que só a cultura do vinho e suas implicações filosóficas são capazes de expressar. A cultura do vinho não se limita apenas ao que está dentro da taça”, afirmou Rinaldo Dal Pizzol.

Exposição itinerante

Paramos em seguida na exposição ao ar livre, onde pudemos apreciar a mostra que integra o projeto do Ecomuseu da Cultura do Vinho, apresentada de forma moderna, permitindo uma maior interação do público com a preservação da memória da imigração e da cultura da bebida. A exposição, itinerante, deve fazer parte de eventos e de datas comemorativas, como o Dia do Vinho.

Seguimos para um restaurante do local, onde fomos recebidos pela fanfarra Bersaglieri de Faria Lemos. Criada e mantida pela Associação Caminhos de Faria Lemos, a fanfarra conta com 35 integrantes, de idades entre 11 e 78 anos, na maioria viticultores campesinos e estudantes. São amadores que se dedicam com entusiasmo e amor à arte.

O circuito encerrou-se em um almoço com prova de vinhos e espumantes da vinícola Dal Pizzol. O protagonista do cardápio foi o Vinum Mundi 2013, um gran assemblàge feito com 100 variedades cultivadas no Vinhedo do Mundo.

O rótulo do vinho retrata a obra do artista bento gonçalvense Aido Dal Mas, inspirado pela vindima de 2013.

Pinturas das artistas Eliane Averbuck e Sônia Bervian Possamai estarão estampadas na próxima safra, no Vinum Mundi 2014. Palavras do enólogo da Dal Pizzol, Dirceu Scottá: “elaborar o Vinum Mundi é, talvez, um dos projetos mais desafiadores da vinícola, devido às variáveis impostas nesse tipo de vinificação e nesse grande assemblàge”. São apenas 600 garrafas numeradas, que não estão à venda.

Serviço

O Ecomuseu e o Vinhedo do Mundo são abertos a visitação, com entrada franca, no Km 5,3 da RS 431, em Faria Lemos, Bento Gonçalves. Visitas de grupos devem ser agendadas pelo telefone (54) 3449-2255. O colunista viajou a convite da vinícola Dal Pizzol.