Texto publicado originalmente na coluna Vivendo a Vida | C2 + Prazer & Cia | Jornal A Gazeta

A coluna de hoje é dedicada à Pinot Noir, uma das mais importantes e antigas uvas tintas do mundo consagrada na região da Borgonha, na França, pelos seus vinhos incríveis. É também conhecida por sua utilização na elaboração de champanhes.

A principal característica da Pinot Noir é a elegância. Quando jovem, a casta apresenta sabores de frutas vermelhas e taninos macios e frescos, com textura mais leve que os da Cabernet Sauvignon, o que torna seus vinhos palatáveis e ideais para o clima do verão.

No passado, quem decidiu cultivar a Pinot Noir fora da Borgonha teve problemas. A uva é de difícil cultivo, mesmo em seu local de origem. Porém, mesmo diante das dificuldades, plantá-la sempre foi uma tentação. Que o diga os produtores do Novo Mundo. Ao longo do tempo, além de ter demandado conhecimento técnico e dedicação por parte dos enólogos, a casta mostrou sua capacidade de adaptação, desenvolvendo características próprias, com diferentes sabores, níveis de qualidade, capacidade de rendimento e tempo de maturação.

Hoje, já podemos degustar bons Pinots de diversas regiões do mundo, como, por exemplo, do Oregon e da Califórnia, nos EUA, e de países como Chile, Argentina, Uruguai, Nova Zelândia, Alemanha e até mesmo do Brasil.

A grande procura por vinhos de Pinot Noir no Brasil e no mundo ocorreu após o lançamento do filme “Sideways”, em 2004. Na trama, um homem depressivo tenta se tornar escritor. Fascinado por vinhos de Pinot Noir, ele decide dar de presente de despedida de solteiro ao seu melhor amigo uma viagem pelas vinícolas da Califórnia.

Provei para esta coluna rótulos de dentro e de fora da Borgonha, com preços entre R$ 60 e R$ 170. Ao final da degustação, tive uma grande surpresa: os vinhos não mostraram uma grande diferença de qualidade e, sim, uma nítida distinção de estilo. Os do Novo Mundo mostraram um frutado vivo, lembrando muitas vezes goiaba madura. Os do Velho Mundo, por sua vez, apresentaram um caráter mais austero e menos carregado na fruta. Sugiro para a harmonização queijos suaves, salmão, atum, vitela e pizza.

Santenay Vicent Girardin 2007 | Bom equilíbrio e concentração, com frutas vermelhas, toque de violeta e leve herbáceo. Fresco e equilibrado, com taninos muito redondos. Para quem tem mais litragem. Onde: Ok Hipermercado | R$ 176 | França

Domaine Pierre Andre Bourgogne Pinot Noir Vieilles Vignes 2011 | Notas de frutas frescas, morango e cereja, minerais e balsâmicas. Delicado e elegante. Ótima acidez. Bastante equilibrado. Onde: Buywine.com.br | R$ 99 | França

Bueno Bellavista State Pinot Noir 2011 | O vinho do comentarista Galvão Bueno é intenso, e ao mesmo tempo elegante, com fruta na medida. Macio e sedoso. Final longo. Onde: Carone | R$ 65 | Brasil

Matua Valley Pinot Noir 2011 | Belo exemplar da Nova Zelândia | Seu aroma intenso lembra frutas vermelhas, framboesa e amora (leve toque terroso). Delicado, com notas frutadas, elegantes. Onde: Wine Vix | R$ 65 | Nova Zelandia

Marichal Pinot Noir 2009 | Frutado, intenso, temperado com especiarias. No paladar, apresenta taninos macios e levemente doces. Um vinho fácil de beber e de gostar. Onde: Enótria | R$ 75 | Uruguai

Dr. Loosen Villa Wolf Pinot Noir Qualitatswein 2011 | Provei, pela primeira vez, um Pinot da Alemanha. Gostei. Boa tipicidade. Aroma gostoso, frutado e floral. Redondo, “quente”, mas não alcoólico. Onde: Wine.com.br | R$ 67 | Alemanha

Chilcas Pinot Noir Single Vineyard 2011 | Ervas e frutas dão um toque muito especial a esse vinho. Enche a boca e deixa um retrogosto duradouro e gostoso. Potente, mas não alcoólico e enjoativo. Ótimo frescor. Onde: Buywine.com.br | R$ 74 | Chile

Bodega Del Fin Del Mundo Reserva Pinot Noir 2011 | Frutas vermelhas e especiarias (canela). Paladar aveludado, com muita fruta madura e goiaba. Deixa uma impressão gostosa na boca. Onde: Wine.com.br | R$ 64 | Argentina