Evento Exclusivo, contou com a presença de Felipe Larrain, Presidente de Almaviva e Executivo de Viña Conha y Toro, além de Michel Friou, enólogo de Almaviva.

Matéria publicada originalmente na coluna Vivendo a Vida | Caderno Prazer & Cia | Jornal A Gazeta em 19/10/2013

No dia 8 deste mês estive no Rio de Janeiro para participar do lançamento da 15ª safra (2010) do Almaviva, um vinho de elite chileno, adorado pelos amantes de Baco em todo mundo. Além do Chile, apenas o mercado brasileiro foi contemplado com esta comemoração. Um evento exclusivo para 42 convidados no Copacabana Palace, que contou com a presença de representantes das duas famílias controladoras.


A vinícola que foi criada através de uma “joint venture” entre o Château Mouton Rothschild na França e a Chilena Concha y Toro, nasceu em 1997, sob o conceito de Chateau Francês. O vinhedo ocupa um terroir exclusivo, possui uma única adega e uma equipe técnica que se dedica unicamente a produzir este grande vinho. Estas características o transformam em um vinho de grande sofisticação, no qual se vende para o mundo todo, exceto os Estados Unidos, através de distribuidores especiais, os conhecidos “Negociantes de Bordeaux” e através de cadeias de distribuição.


Sua pequena produção anual, em torno das 12.000 a 15.000 caixa de 9 litros, é disputada pelo mundo do inteiro. A principal preocupação de seus donos é com a qualidade e a excelência, o que lhe rendeu pontuações superiores a 90 pontos em todas suas 15 safras por parte de críticos como Robert Parker, e a revista Wine Spectator, referência máxima dessa indústria no mundo. Vale ressaltar a pontuação obtida com a safra 2009 na revista Wine Spectator de 96 pontos, foi a mais alta obtida por Almaviva.


O Blog viajou para o Rio de Janeiro com o apoio da DNA Turismo. Telefone (27) 3022.7373 | www.dnaturismo.com.br

Atualmente, a distribuição de Almaviva na América Latina corresponde a 17% de suas vendas anuais, onde o mercado mais importante é o Brasil. Ásia representa 50%, Europa 18% e América do Norte 15%.



Vertical de Almaviva na taça


Um dos pratos servidos: Cordeiro com crosta de amêndoas.

O evento que custou aos cofres das duas empresas “US$ 300.000,00″ teve duas partes distintas, ambas sensacionais: começou com uma degustação vertical de 7 safras (98,99, 01, 05, 07, 09, 2010) conduzida pelo enólogo chefe, Michel Friou, seguida de jantar de gala. Durante o jantar, especialmente criado para esta ocasião por Francesco Carli, do restaurante Cipriani, foram servidas mais duas safras, 1996 em garrafa “3 litros” e 2003 em “1,5 l”, além do Amelia, um chardonnay da Viña Concha y Toro.



Na taça os vinhos estavam incrivelmente distintos, evidenciando a variação climática entre as safras, seu tempo de estagio em barricas e o percentual de Cabernet Sauvignon no corte. Diferente de outras vinícolas a vinícola engarrafa todos os anos, mesmo em condições climáticas adversas. As safras que me chamaram atenção foram 1996, 1998, 2001, 2009, 2010.


Quando a valer o preço, em média 550,00 reais no Brasil, vai depender de muitos fatores, que começa e termina pela conta bancária do interessado. Trata-se de um dos maiores símbolos de status do mundo, muito mais do que um simples vinho.


Jazz


Conversei com enólogo chefe da vinícola, Michel Friou, que respondeu algumas perguntas para o Blog.

Uma curiosidade: de onde vem o nome Almaviva? Qual é o seu sentido?

O nome de Almaviva, apesar de sua ressonância hispânica, pertence à literatura clássica francesa: o Conde de Almaviva é o herói das bodas de Fígaro, a famosa comédia de Beaumarchais (1732-1799), que mais tarde seria transformada em uma ópera pelo gênio de Mozart. O rótulo exibe o nome de ‘Almaviva’ com o manuscrito original de Beaumarchais.

Em relação às demais vinícolas no Chile, quais são as principais diferenças?

Ao contrário de outros vinhos, que geralmente produzem uma gama completa de vinhos, desde o de “entrada” até o vinho ícone, a Viña Almaviva produz somente um vinho, com uvas de seus vinhedos, com uma equipe técnica inteiramente dedicada a ele.

Qual é o segredo do Almaviva para ser adorado como um vinho?

Nos vinhos Almaviva, a fruta está sempre presente, complexo, fresco, muito limpo e puro. A qualidade dos seus taninos, firme, mas sempre acessível, é provavelmente um dos seus principais selos.

O Almaviva pode evoluir como os grandes vinhos franceses?

Estamos muito satisfeitos com a evolução das safras antigas da Almaviva. 17 anos depois, a primeira safra produzida em 1996 ainda viva e expressiva.

O que você acha dos vinhos brasileiros?

Adoro vinhos espumantes brasileiros. Certamente é a categoria de vinhos com mais desenvolvimento e melhor qualitativa realização no Brasil. Não tenho dúvidas, dado o tamanho do Brasil e a diversidade de seus climas e solos, deve ser capaz de alcançar melhores resultados no futuro em outras categorias de vinhos.