Como já foi mencionado aqui, barris de carvalho são custosos e têm impacto direto no preço final de uma garrafa. A conta é simples: um barril de 600 dólares que comporta 225 litros ou 300 garrafas, encarecerá o vinho, na origem em dois dólares. Se esse valor for multiplicado por três ao somarem-se impostos e taxas, só o barril significará 6 dólares, cerca de dez reais no preço final de uma garrafa. É fácil deduzir, então, que vinhos que custam menos de 30 a 40 reais dificilmente passaram perto de barris novos de carvalho.

A alternativa barata para dar aquele gostinho de carvalho ao vinho é o uso dos chamados “chips”. Retalhos de madeira, aduelas ou serragem. Nessa alternativa, todas as sobras de carvalho podem ser aproveitadas e colocadas em contato com o vinho em vários momentos. Os Chips podem ser usados desde a fermentação até o vinho pronto, em tanques de inox, onde podem ser colocados pedaços de madeira ou mesmo saquinhos de chá gigantes, contendo serragens de carvalho.

Dependendo do país e região, este artificio pode ou não ser legal. Geralmente, não é admitido pelos produtores. Na Austrália, a pratica é permitida por lei e comum na produção de vinhos mais baratos. Em Bordeaux e na Borgonha, por exemplo, a prática e proibida.

O que interessa saber, de fato, é: quais os efeitos dos chips no vinho? Naturalmente, eles simulam o barril de carvalho, passado aromas de madeira ao vinho, mas sem a mesma qualidade e a micro-oxigenação, que dará complexidade e longevidade ao vinho. Geralmente os Chips funcionam bem para elaboração de vinhos muito simples, de consumo imediato, que realmente podem ganhar ao receber esse aporte de aroma e sabor. Jamais se prestaram à produção de vinhos de maior qualidade, estrutura, complexidade e, sobretudo, de longa guarda, já que os aromas de carvalho dados por este método tendem a se perder alguns meses após o engarrafamento do vinho.