Vinhos biodinâmicos, orgânicos, ecológicos, biológicos e naturais. Mesmo reconhecendo os esforços dos produtores que deixam de lado técnicas mais fáceis de cultivo por outras mais trabalhosas que visam o equilíbrio ambiental e a saúde das pessoas, tenho que dizer que o resultado na taça é controverso, um estilo de vinho “ame ou odeie”. O motivo na maioria dos casos são seus aromas e evoluídos e ligeiramente oxidados, em virtude da baixa ou nenhuma adição de SO2 (conservantes), e demais métodos de vinificação. Esses vinhos estão na moda entre os enófilos mais rodados, mas que dificilmente agrada os bebedores de final de semana. Eu gosto. Os poucos que provei não decepcionaram, e sim, foram gratas surpresas, apresentando aromas e sabores bastante atrativos. Ah, também não tive dor de cabeça, rs.

A anuência de alguns pesos pesados à biodinâmica funciona como um endosso a essa tendência. Um desses produtores é Pierre Frick, uma propriedade familiar que produz vinho a doze gerações, em apenas 12 hectares de vinhedos na Alsacia, França. Por lá, seis integrantes da família trabalham unidos para cuidar de todo o processo produtivo. Os vinhedos são biológicos desde 1970 e utilizam as técnicas Biodinâmicas a partir de 1981. Seus principais vinhedos são: Grands Crus Steinert (Pfaffenheim), Grand Cru Vorbourg (Rouffach) et Grand Cru Eichberg (Eguisheim), Bihl, Rot Murlé, Bergweingarten, Lerchenberg, Carrières (Krottenfues) et Strangenberg, 

Recentemente tive a oportunidade de provar seis vinhos em painel do Domaine Pierre Frick, no qual descrevo a minha opinião abaixo.

Pierre Frick Crémant d’Alsace 2007

Perlage em boa quantidade, fina e duradoura. Aroma vivo, lembrando algo cítrico. No paladar apresentou bom corpo, fresco e equilibrado. Acidez marcante, com notas confirmando o nariz. 12% de álcool | Nota: 88/100 | R$ 95,50

Pierre Frick Pinot Blanc “Vin Biologique – Vinifié Sans Soufre” 2007

Visual escuro, marrom (nunca tinha visto em um vinho branco), indicando uma rápida evolução pela não adição de sulfito. Nariz apresentado notas oxidativas e frutadas em harmonia, com leve gengibre. Paladar meio doce, com acidez dando suporte, com sabores de frutas secas. 13% de álcool | Nota: 88/100 | R$ 91,00

Pierre Frick Pinot Blanc 2005

Apesar de mais antigo, apresentou uma cor clara. Nariz boa fruta, lembrando a tipicidade da casta, maça e pêssego. No paladar agrada pelo frescor e fruta delicada. Bastante equilibrado. 12,5% de álcool | Nota: 90/100 | R$ 80,00

Pierre Frick Riesling Grand Cru Steinert 2006

No nariz mostrou notas minerais que remetem em destaque à petróleo, seguidos de notas florais e discretamente cítricas. Paladar deliciosamente fresco, com uma certa untuosidade mesclada por uma ótima acidez, e uma final longo e agradável, colocam este Riesling Grand Cru num patamar acima dos demais neste painel. 13% de álcool | Nota: 93/100 | R$ 146,00

Pierre Frick Pinot Noir 2004

Visual rubi clarinho, nariz com boa tipicidade mostrando leve “brett” que agradou por não passar por cima da fruta. Um vinho correto e elegante. Paladar vivo e com bom final. 12,5% de álcool | Nota: 89/100 | R$ 102,00

Pierre Frick Pinot Noir Rot Murlé 2007

Foi o que menos gostei, talvez por apresentar um característica novo mundo, destoando dos demais. Visual rubi escuro, aromas doces, com uma compota de goiaba em destaque. No paladar apesar de não confirmar o dulçor do nariz, apresentou uma acidez mediana e final de boca meio desequilibrado. 12,5% de álcool. | Nota: 84/100 | R$ 141,90