Dando continuidade aos comentários sobre a recente viagem a Portugal, falo hoje sobre a visita a uma floresta de sobreiros, árvore que a sua casca “cortiça” é a matéria prima da rolha tradicional. Portugal é o maior produtor mundial, seguido pela Espanha, Argélia, Marrocos, Tunísia, França e Itália, porém com uma produção bem menor.

A rolha é considerada a maior parceira do vinho. Se for ruim, não vedar corretamente, todo o trabalho na produção, tecnologia, marketing e empenho de vendas foram por água abaixo.

Além da de cortiça tradicional, existem rolhas e outros métodos para vedar os vinhos. A rolha de aglomerado de cortiça, mais barata, feita de cortiça moída e cola, a tampa de rosca - conhecida como “screwcap”, a de vidro e a sintética.

O motivo pela busca de novas métodos de vedar as garrafas de vinho é o TCA (tricloroanisol), um defeito que ocorre nas rolhas de cortiça. Vinhos infectados pelo TCA são chamados popularmente de “bouchonné” (lê-se “buxonê”). Mesmo assim, a rolha de cortiça continua sendo a mais confiável e, utilizada pelos grandes produtores ao redor do mundo.

O Quercus suber, o sobreiro, é uma árvore da família do carvalho, e juntamente com o Pinheiro-Bravo, a espécie de árvores predominante em Portugal, sendo mais comum no Alentejo litoral e serras Algarvias. Foi devido à cortiça que o sobreiro tem sido cultivado desde tempos remotos.

Seu crescimento é lento; o primeiro descortiçamento em ocorre somente por volta dos 30 anos de vida, sendo que os seguintes acontecem em intervalos de 10 anos em média entre si. É só no terceiro descortiçamento e nos seguintes, que se consegue uma cortiça com características adequadas para a produção de rolhas de qualidade. É a chamada “cortiça de reprodução”. Algumas espécies chegam a viver por volta de 300 anos. O interessante nesse processo é a renovação da casca, não causando dano algum, e sim melhorando a sua qualidade a cada retirada.

Depois de retirada e cortada em forma de pranchas, a cortiça precisa descansar durante até seis meses, para depois ser lavada. O passo seguinte é cozinhá-la em água aquecida a 95 0C. Depois do banho, mais alguns dias de descanso e pronto: pode receber o corte na forma cilíndrica e ser chamada de rolha.

Além da produção de rolhas, a cortiça, é utilizada na produção de isolantes térmicos e sonoros de aplicação variada e também artigos decorativos.