Um projeto vitivinícola milionário do grupo Ideal Drinks conduzido pelo enólogo Carlos Lucas (foto acima), CEO do grupo, vem chamando atenção de Portugal e do mundo. O projeto é a realização de um sonho do empresário Carlos Dias, conhecido por fazer fortuna na Suíça com a marca de relógios Roger DuBuis, que criou e tornou famosa mundialmente em apenas 10 anos. Após vender por cerca de 850 milhões de euros para o grupo Richemont (Cartier, Montblanc, Vacheron entre outras), decidiu investir no mundo do vinho. Comprou na Bairrada a Colinas de São Lourenço, depois a Quinta da Pedra e o Paço de Palmeira, nos Vinhos Verdes, e a Quinta Dão Bella Encosta, no Dão. Seu irmão Custódio dias, responde pelo gerenciamento das vinícolas.

Estive por lá na semana passada e começo hoje a falar sobre o projeto pela região do Minho – Vinhos Verdes.

Vinhos leves, frescos, exuberantes é o que a região dos Vinhos Verdes, no norte de Portugal, tem a oferecer.  A qualidade dos vinhos desta região melhorou e as exportações para o Brasil cresceram mais de 100% nos últimos anos.

O nome “vinho verde” oficialmente vem da paisagem da região, de vegetação exuberante. O “verde”, também é usada por muitos como “maduro”, em referência ao estilo que deu origem aos vinhos da região. Antigamente os vinhos da região do Minho eram elaborados pelos lavradores de forma muito rústica. A fermentação acabava na garrafa, com algum açúcar residual, o que podia gerar gás, deixando-os frisantes (com bolhinhas). O vinho branco era turvo, quase leitoso. As rolhas eram até amarradas com barbantes, para não estourar, como um espumante.

Hoje o Vinho Verde apresenta diversos estilos. O tradicional, porém com técnicas modernas, gerando vinhos límpidos, extremamente leves e frescos, com o típico frisante.

Outros estilos bem distintos são os Vinhos Verdes varietais, os Alvarinhos, os rosados, espumantes e tintos. Rosados e espumantes ainda são muito pouco produzidos na região, mas começam aparecer de forma promissora. Os tintos são vinhos quase sempre difíceis. Sua alta acidez, bons taninos e baixo teor alcoólico os tornam vinhos ásperos, duros.

Os Vinhos Verdes varietais (de uma só uva) brancos de maior estrutura, geralmente não frisantes, com destaque para os aromáticos Loureiros (elaborados pelo Paço da Palmeira) e Arinto. Os Alvarinhos são um caso a parte na região, são brancos mais encorpados, e podem amadurecer em madeira, ou evoluir por alguns anos na garrafa.

Paço de Palmeira

O Paço de Palmeira, situado na confluência dos rios Cávado e Homem, perto de Braga, um palácio que foi mandado construir por Don José de Bragança, Arcebispo de Braga, e que também era príncipe da casa real, além da história que tem para contar, que remonta o século XVIII, onde habitaram pessoas ilustres, é acima de tudo um excelente exemplo do que é uma preservação e respeito pelo patrimônio histórico ambiental, arquitetônico e artístico de Portugal.

Além do passado, outra particularidade desse palácio é o seu solo fértil e propicio para o cultivo da vinha, particularmente do Loureiro onde habitam 28 hectares.

O resultado de um trabalho sério, com inovação em todas as fazes do processo produtivo, desde a própria condução da vinha, seleção das uvas, métodos de vinificação até a comercialização, são dois varietais de Loureiro, Royal Palmeira e o Eminência. Os dois são elaborados pelo método Sur Lie, no qual o vinho estagia em contato com as borras finas, ajudando na sua complexidade e envelhecimento.

Quinta da Pedra

Localizada no concelho de Monção, na freguesia de Longos Vales, coração da Sub-Região de Monção e Melgaço, a Quinta da Pedra, tem em seu domínio a maior área de vinhedo da casta Alvarinho na região. São 43 hectares de vinha dedicada à casta, beneficia de solos graníticos e de ótima exposição solar. A vinícola apresenta um conjunto arquitetônico contemporâneo perfeitamente enquadrado na paisagem envolvente, extensão natural de uma quinta única na Região.

Uma viticultura cuidada e de precisão, garantida pelo extremo cuidado e carinho, dá origem às melhores uvas desta nobre casta, base dos vinhos varietais da propriedade – como o excelente Quinta da Pedra.

A nova adega possui instalações de vinificação modelares, suportadas pela mais moderna tecnologia, essenciais para preservar e potenciar a qualidade das uvas e produzir os melhores vinhos. Como por exemplo, a utilização de 2 maquinas de ultima geração, ao custo de 70 mil euros cada, onde as uvas são prensadas sem o risco de oxidação do mostro, pela total ausência do oxigênio. Levando a manter o melhor da uva, como aromas e sabores.

Tanques de vinificação

Barricas em ambiente controlado por umidade e temperatura.

Parte interna com projeto arrojado e de muito bom gosto

A vinícola também investiu em um equipamento TOP para produção de destilados. Por lá, é feita a destilação de vinho Alvarinho, Loureiro, bagaço de Loureiro, bagaço de Alvarinho, maçã “Bravo de Esmolfe”, Pera “Rocha” e laranja. A diferença principal na destilação, é que não conta fogo direto, e sim com banho maria ou vapor, com isso as aguardentes provenientes desse processo tem menos metanóis, prejudicando menos o fígado. São bem mais delicados. Gianni Capovilla, famoso destilador italiano, é o responsável pelo desenvolvimento de todos os produtos destilados do grupo.

Quinta da Pedra Alvarinho 2010 é 100% Alvarinho, apresenta uma garrafa lindíssima, desenhada por Carlos Dias, fermenta e estagia parte em inox, em uma parte em barricas adquiridas do Château d’Yquem, é mole! Na taça apresenta uma ótima intensidade aromática com notas cítricas. Paladar é frutado, fresco e uma mineralidade típica. A vinícola aposta em 10 anos de guarda. Álcool: 13% – R$ 160 reais – Nota: 90/100

Royal Palmeira Branco 2009, 100% Loureiro, também apresenta uma garrafa bonita, com desenho que representa os azulejos da capela da propriedade. Devido a sua passagem somente por inox, sua mineralidade e frescor são ressaltados. Equilibrado e elegante. Álcool: 12,5% – R$: R$ 140 – Nota: 91/100

Eminência Branco 2010, o TOP da vinícola, 100% Loureiro, estagia parte em inox e parte em barricas. Na taça apresenta aromas cítricos bem mesclados, com uma leve fruta branca. Paladar é cremoso, com boa estrutura, ótima mineralidade e frescor. Um vinhaço. Pede comida. Alcool: 12,5% – R$: 160 – Nota: 93/100

Os vinhos estão disponíveis no Brasil pela importadora da própria Vinícola e em Vitória na Ville du Vin

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