Matéria publicada hoje, 26/04, coluna Vivendo a Vida – Caderno Prazer & Cia – Jornal A Gazeta

Diariamente recebo e-mails solicitando dicas de vinhos com adjetivos que não costumam andar juntos “bons e baratos“. Com todas as taxas, tributos e margens de lucro dos comerciantes encontrá-los é uma tarefa cada vez mais difícil.

Dentre os países que mais oferecem essa relação custo x benefício, sem dúvida está Portugal. Com centenas de uvas nativas, também chamadas de “autóctones“, expressam em cada garrafa a história das regiões deste belo país.

Recentemente esteve em Vitória apresentando seus vinhos, o enólogo português Paulo Laureano, conhecido mundialmente por sua grande experiência e pelo bigode cheio de estilo. De bem com a vida, simpático, para ele, “O vinho tem que passar emoção, expressar o terroir, mostrar sua origem, identidade”.

Engenheiro agrónomo com especialização na área de enologia, pós graduado em Portugal, Espanha e na Austrália, durante 10 anos deu aulas na Universidade de Évora (1993-2003). Atualmente presta consultoria para mais 12 vinícolas espalhadas por Portugal, Ilha da Madeira e Açores. A grande maioria está no Alentejo, onde se destaca o Mouchão, e as restantes estão em Terras de Sado, Bucelas, Douro, Ilha do Pico e Madeira.

Em 1999 criou em Portugal, a Eborae Vitis e Vinus, uma empresa familiar de produção de vinhos, que em 2006 se dividiu na Paulo Laureano Vinus. Hoje em dia a Paulo Laureano Vinus, tem 120 hectares de vinhedos na Região Demarcada do Alentejo, num terroir de excelência que é a Vidigueira. A sub-região de Vidigueira foi eleita pela Associação de Municípios Portugueses do Vinho, como cidade nacional do vinho em 2013. Por lá, os vinhos são elaborados, com base na utilização de uvas com grande qualidade, expressando o clima quente do Alentejo, os solos de xisto (ardósia) dos vinhedos e as uvas autóctones. Anualmente estão produzindo quase 1 milhão de garrafas que são exportadas para todo o mundo.

Paulo é reconhecido por utilizar apenas uvas portuguesas, algo que sempre defendeu. “Gosto de manter essa personalidade tão própria que o Alentejo tem”, explica. Curioso perguntei: Qual a uva que melhor se adaptou ao terroir do Alentejo? “No Alentejo as melhores uvas tintas são a Trincadeira e o Alicante Bouschet, certamente”.

Para quem acha que a vida de um enólogo se restringe há época de sua produção está enganado. Paulo Laureano acompanha todas as fases de produção dos vinhos desde os vinhedos até à sua venda e promoção nos mercados, passando pela vinificação, maturação, envelhecimento, embalagem e expedição. Por isso a atividade do enólogo é continua e não se restringe aos meses da vindima.

A novidade do ano fica por conta do lançamento exclusivo para o mercado brasileiro do “Tradições Antigas Tinto 2011″. Único desde a concepção da garrafa com um formato de ânfora (Talha de barro), o rótulo tem uma edição limitada de 4 mil unidades. Sua elaboração é feita com cinco castas, fermentado em ânforas, através de uma técnica ancestral, utilizada pelos romanos há 2 mil anos e que cada vez é reutilizada no mercado. Nesse processo a uva é a artista principal, revelando sua essência, sem a máscara da madeira. Marketing? Preservação histórica? Não importa. Além de apresentar boa qualidade na taça, é sem dúvida um belo presente.

Paulo Laureano Reserve 2011 branco

Um corte de Antão Vaz, Arinto e Fernão Pires. O Antão Vaz com breve passagem em barricas novas de carvalho de francês e o Arinto estagiou em inox. Aroma intenso de frutas tropicais e secas, mel e baunilha. Paladar untuoso, maduro, em perfeito equilíbrio – 14% de álcool. Delicioso! Nota: 88/100 – R$ 68,90 – Onde encontrar: Carone

Paulo Laureano Clássico tinto 2011

Corte de Alfrocheiro, Aragonez e Tricadeira. Fermentado em inox. Aroma com bom ataque, frutas frescas, ameixa e amora, com toque de especiarias. Paladar leve e fresco, 13% de álcool, equilibrado. Muito bem elaborado. Excelente custo benefício. Nota: 88/100 – R$ 29,00 – Onde encontrar: Carone

Paulo Laureano Reserve tinto 2009

Um corte de Alicate Bouschet, Aragonez e Tricadeira. Amadureceu por longos 18 meses em barricas novas de carvalho francês. Aroma de fruta doce, especiarias, madeira nobre com fundo mineral. Paladar de bom corpo, taninos e acidez presentes – 14,5% de álcool – Gastronômico, pede comida. Nota: 89/100 – R$ 65,90 – Onde encontrar: Carone

Paulo Laureano Premium tinto 2010

Um corte de Alicate Bouschet, Aragonez e Tricadeira. Estagiou por 6 meses em barricas de carvalho francês. Aroma vivo de frutas negras, especiarias com fundo floral. Paladar seco, macio, e com taninos bem presentes – 13% álcool, bem equilibrado. Nota: 87/100 – R$ 39,90 – Onde encontrar: Carone