Considerada a mais feminina das uvas, a Pinot Noir é fonte de vinhos refinados, chamando atenção de degustadores e críticos de todo mundo. Apesar de todo sucesso, é uma uva de difícil cultivo. Necessita de um clima frio, tem uma maturação mais rápida e muito suscetível a pragas. Quando bem elaborada gera vinhos complexos, com aromas e sabores intensos, que em alguns casos, evoluem muito bem com o passar dos anos. Os vinhos jovens elaborados com a uva Pinot Noir pela sua pouca carga tânica (taninos) são ideais para o verão.

Sua origem é a região da Borgonha, França. Por lá quase todos os tintos são elaborados com a uva Pinot Noir. Tem como seu ícone o vinho Romanée Conti, sonho de consumo de qualquer enófilo do mundo. Atualmente é plantada em muitos outros países, com resultados bastante positivos. Mas para muitos a Pinot Noir fora de seu “terroir original” não consegue expressar o seu melhor. Na produção de tintos raramente é corte com outras uvas.

No “Novo Mundo” às opções positivas vem de Países como à California, Nova Zelândia, Uruguai, Chile entre outros. No Brasil, além Rio Grande do Sul, Santa Catarina vem aparecendo com bons rótulos nos últimos anos. Em sua maioria apresentam características bastante vibrantes, abertos, com aromas e sabores adocicados (Cereja e Morango). Não tem uma capacidade de evolução comprovada. 

Já na hora de escolher bons vinhos da Borgonha a coisa complica. É preciso prestar bastante atenção a detalhes como: reputação do produtor, a safra (no blog tem uma tabela atualizada) e sua denominação. Outro detalhe importante é o seu “bolso“. Nos últimos anos, os melhores vinhos como os “Grands Crus“ (produzidos nas melhores partes da terras dos municípios vinícolas) e os Premiers Cru, (produzidos em pequenas terras delimitadas com precisão, chamadas Climats, no meio de uma pequena cidade), tiveram um aumento de mais de 400% em seu preço devido a lei da oferta e da procura. Porém existem opções mais em conta que podem ser encontrados seguindo as dicas acima descritas. Ao contrário dos elaborados no Novo Mundo, na Borgonha apresentam características mais complexas, além da fruta, mostra notas terrosas, cogumelos, fumo, e especiarias, e uma acidez viva característica. Dependendo do método de produção, bem como seus vinhedos de origem, podem ser consumidos rapidamente ou com capacidade para amadurecer por décadas na garrafa.

Harmonização ideal

Para poder harmonizar precisamos nivelar o peso do vinho de acordo com o peso de cada prato: ex: Pinot Noir mais leve (peito de frango e peru, galeto), com média estrutura (frango caipira, codorna, perdiz, peru, e galinha d’angola) e estruturado (Pato, ganso e o clássico Boeuf à la Bourguignonne).

Vinhos indicados:

Aurora Pinot Noir 2012 – Brasil – Sera Gaúcha – ST (83) – R$ 23,80 – Carone

Sensi Pinot Noir Collezione 2010 – Itália – Vêneto – R$ 39,00 – ST (87) – Perim

Veramonte Ritual Pinot Noir 2010 – Chile – Casablanca – 39,90 – ST (89) – Extraplus

Hunter’s Pinot Noir 2010 – Nova Zelândia – Marlborough – ST (90) – R$ 139,00 – Enótria

Louis Latour Chassagne Montrachet 2007 – França – Borgonha – ST (90) – R$ 198,00 – Ville du Vin

Matéria publicada no Caderno Prazer & Cia (Jornal A Gazeta) – Coluna (Vivendo a Vida) – 18/01/2013

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