Poder provar em um só momento quatro safras do Almaviva EPU é um privilégio, ainda mais sendo safras como as duas primeiras produzidas, 2000 e 2001 e as duas últimas a venda no mercado, 2008 e 2009. Degustação essa que foi iniciada com dois vinhos argentinos da Bodega Cava y Weinert 1980 e 1983, que repetiram a sua grande qualidade, pela segunda vez na taça. A ideia de realizar essa vertical inédita nasceu de uma conversa com Rodrigo Mazzei do ótimo Blog Vinhos e Viagens, no qual concretizamos rapidamente, colocando na taça, 3 dias depois, com a presença de mais alguns amigos, Rogério Baracho, Dulcino Tozi e Andrè Andrès, em minha casa (Varanda Vivendo a Vida).

Segundo vinho do Almaviva, o EPU, que na língua indígena significa “número dois” é feito predominantemente com uvas Cabernet Sauvignon, Carmenère, na região de Puente Alto, Vale de Maipo, área central do Chile. O vinho é produzido com uvas de vinhedos novos, 10 anos, localizado em um terreno diferenciado, na Cordilheira do Andes, local em que o clima é muito parecido com o do Médoc, Bordeaux, na França. Segundo o guia Descorchados 2012, a diferença do primeiro para o segundo, é a utilização além da Cabernet Sauvignon e Carmenére, são incluídas Merlot e Cabernet Franc.

O Vale de Maipo, Puente Alto, foi reconhecido há mais de vinte anos por ter as melhores condições para o desenvolvimento da Cabernet Sauvignon, onde foram selecionados 85 hectares, caracterizada por solo rochoso, onde os invernos são frios e chuvosos e os verões marcados pelo calor durante a noite e durante o dia é fresco.

Mais acessível ao bolso e em minha opinião, melhor, mais agradável que o primeiro, TOP. A safra atual é vendida no Brasil pela loja virtual Wine.com.br, ao preço de 190,00, menos da metade do primeiro. Sua produção média anual é de 24 mil garrafas.

Tive bastante dificuldade em conseguir informações confiáveis sobre o EPU. Sugiro a vinícola elaborar um site especifico, vai ajudar muito que quer passar uma informação correta. Por exemplo, o site da importadora fala em uvas de vinhedos velhos, e o Descorchados, fala em uvas de vinhedos novos….mescla de uvas e por ai vai.

Avaliação das safras: 2000, 2001 e 2008 e 2009 (as primeiras e as últimas)

Almaviva EPU Safra 2000 – (a primeira produzida) – Cabernet Sauvignon, Carmenère – 14% – ST (92)

  • Visual granada de média intensidade, límpido e brilhante. No nariz frutas predominam as notas de eucalipto, mentol, balsâmico, goiaba e um fundo de especiarias. O paladar se mostrou fresco, médio corpo, equilibrado entre acidez e teor alcoólico, taninos macios de boa qualidade. O retrogosto confirma o nariz, e um final com longo e agradável.

Almaviva EPU Safra 2001 – Cabernet Sauvignon, Carmenère – 14% – ST (97)

  • Visual rubi de média intensidade, límpido e brilhante. O nariz ficou adormecido durante quase duas horas, depois abriu e mostrou características iguais ao 2000, eucalipto, mentol, balsâmico, goiaba, porem com menor intensidade. O paladar untuoso, corpulento, fino e uma madeira muito bem colocada. Equilibrado taninos macios, acidez suculenta. Um néctar dos Deuses!!!

Almaviva EPU Safra 2008 – Cabernet Sauvignon, Carmenère – 14% – ST (91+)

  • Agora as caraterísticas mudam muito, nos aromas já não aparecem às notas encontradas nas safras 2000 e 2001, e sim, muito caramelo, baunilha, frutas vermelhas e negras. O paladar confirma a fruta, bom corpo, gordo, madeira bem colocada, equilibrado e muito longo.

Almaviva EPU Safra 2009 – Cabernet Sauvignon, Carmenère – 14,5 % – ST (92)

  • Mais uma safra, e de novo notei diferença de estilo. Diferente das anteriores, a safra 2009 apresenta um aroma predominante de frutas vermelhas, fresca, limpa, com a madeira interferindo menos em seu caráter. O paladar mostrou destaque no frescor, uma ótima acidez, confirmado a fruta vermelha, cereja e groselha. A concentração de álcool e os seus taninos são mais altos, porém a maciez continua, mostrando muita elegância. O vinho está pronto, mas para os apreciadores como eu de um vinho evoluído, não custa nada ter paciência.

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