O aprimoramento dos modos de produção promovido pela moderna sociedade industrial fez com que algumas palavras caíssem em desuso, tornando-as esquecidas e até mesmo ignoradas pela geração atual. É o caso, por exemplo, da palavra mó, a pedra de moinho utilizada para triturar grãos e produzir farelos como trigo, fubá, etc. Os moinhos foram inventados pelos gregos e depois difundidos por toda a Europa pelos romanos no século II. Eram movidos por roda d’água, quando ficavam perto de um regato, ou por tração animal.

Assim é que em algum lugar da França mediterrânea, em uma data perdida nas brumas do tempo, havia um moinho de trigo cuja funcionária, a moleira (meunière), era uma jovem e bela mulher muito desejada pelo próximo. E completando a cena, também um riozinho piscoso e um cozinheiro apaixonado.

Esse apaixonado, para vê-la, usava a desculpa de ir lá comprar o trigo. Em sua homenagem ou para conquistá-la, criou um prato que se tornou um clássico da culinária francesa, o Poisson a La Belle Meunière. A receita como a original, descrita por Escoffier em seu “Le Guide Cuillinaire” (Editoria Flammarion, 1993- pg 282) e assim transcrita:

Ingredientes:

  • Filé de peixe de carne branca de boa textura, como o linguado, a truta ou a tilápia
  • Sal e pimenta-do-reino branca moída na hora
  • Manteiga clarificada
  • Alcaparras lavadas
  • Salsa grosseiramente picada
  • Suco de limão tahiti
  • Trigo para empanar, por isso a razão da meunière.

Modo de preparar:

  • Temperar os filés com sal e pimenta-do-reino, Reservar por 20 minutos.
  • Enfarinhar os filés e depois retirar o excesso de trigo.
  • Em uma frigideira de fundo grosso, aquecer bem a manteiga. Em seguida dourar cada lado do filé por 3 minutos, sem ficar mexendo. Reservar em uma travessa aquecida.
  • Para o molho, aquecer mais um pouco de manteiga, adicionar as alcaparras, a salsinha picada e suco do limão. Mexer bem.
  • Servir imediatamente o peixe com o molho por cima.

Como se pode notar, este é um prato delicado de peixe com sabor levemente salgado e acídulo em que predomina o aroma da manteiga e da salsa. O recomendado para uma harmonização deve ser um vinho branco, leve, seco, delicado, de boa estirpe, moderadamente encorpado, sem madeira ou muito pouco evidente. Certamente um Chardonnay da Borgonha ou do Napa Valley e nem por último e nem menor, uma verdadeira Champagne brut.

Voilà!

Por Carlos José Vieira, novo parceiro do Blog Vivendo a Vida

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