Para quem ainda não sabe a Filoxera, Phylloxera vastatrix, Dactylosphaera vitifoliae, Viteus vitifolii ou simplesmente Filoxera é um tipo de pulgão, cujo tamanho varia de 0,3mm a 3mm de comprimento, conforme a fase de seu complexo ciclo de vida. Esta praga ataca várias partes da videira em diversos momentos do ano. O pulgão destrói as folhas da planta (que ficam amareladas prematuramente e caem), diminuindo sua capacidade de fazer fotossíntese. Mas o que geralmente a mata é o ataque do inseto às suas raízes, que são sugadas pelo pulgão. Dessa forma, as feridas abertas sofrem a ação de fungos que geram o apodrecimento – a verdadeira causa mortis da videira.

O ataque da praga na Europa aconteceu de forma semelhante às epidemias levadas por navegadores espanhóis às suas colônias americanas. Povos aborígines foram dizimados por vírus inofensivos aos europeus. É fundamental entender o contexto em que se deu a Filoxera. No final do século XIX, a economia européia era movida a vinho: nada menos que 80% da população da Itália vivia direta ou indiretamente dele. Na França, cerca de 20% da receita do Estado vinha do fermentado e 30% das pessoas trabalhavam diretamente com o produto. Em Portugal, o vinho do Porto era o item número um na balança comercial do país…continue a leitura… http://j.mp/nE4Xek.

A única região da Europa que resistiu a Filorexera foi Colares em Portugal:

A ligação de Colares ao vinho perde-se no tempo, mas há conhecimento que na altura da ocupação romana já se fazia vinho nesta região, posteriormente, em 1230, o Rei D.Afonso III, entregava terras aos nobres na condição de implementarem o cultivo da vinha.

A região de Colares ficou famosa nos finais do século XIX, mais precisamente em 1865, quando desabou sobre a viticultura mundial a sua maior ameaça, a filoxera. Este minúsculo insecto, proveniente das Américas, começou a chegar vivo à Europa quando a duração das viagens foi reduzida devido à introdução das máquinas a vapor nos barcos.

Curiosamente, as vinhas da região de Colares foram as únicas que resistiram à filoxera, uma vez que o insecto atacava a raíz das vinhas e não se propagava nos terrenos de areia, devido à profundidade das raízes, que por vezes chegavam aos 8 metros.

Em toda a Europa, exceto nesta região começaram a utilizar-se plantas americanas (resistentes ao inseto), enxertadas com castas europeias.

Nas vinhas desta Região, utilizam-se paliçadas de cana para proteger dos ventos marítimos dada a proximidade do mar. As características do terreno e o microclima desta região, em que as diferenças de temperatura entre o inverno e o verão não ultrapassam os dez graus centígrados, não permitem uma graduação elevada e conferem-lhe um inconfundível sabor.

O vinho produzido nos terrenos de areia é o famoso vinho de Colares de Chão de Areia, tem direito à denominação “D.O.C.-COLARES” e a casta Ramisco nos tinto e Malvasia nos brancos, têm uma representação mínima de 80%.

As vinhas plantadas nos terrenos argilosos, dão origem ao vinho de “Chão Rijo”, que tem direito à denominação “Regional Estremadura”.

Fonte de pesquisa: j,Baeta e Revista Adega