O Brasil é o maior país da América Latina e é considerado o quinto maior produtor de vinhos no Hemisfério Sul. Vem elaborando vinhos desde o início de sua colonização, no começo do Século XVI. Atualmente, as regiões vinícolas brasileiras somam 83,7 mil hectares, divididos em seis regiões: Serra Gaúcha, Campanha, Serra do Sudeste e os Campos de Cima da Serra, no Rio Grande do Sul, Planalto Catarinense, em Santa Catarina, e Vale do São Francisco, no nordeste do país.

Hoje são mais de 1,1 mil vinícolas espalhadas pelo país, a maioria instalada em pequenas propriedades (média de 2 hectares por família). A cadeia produtiva da uva e do vinho combina técnicas que garantem a qualidade de seus rótulos, como a colheita manual, com tecnologia de ponta nos processos de viticultura e vinificação. Nessas condições, o Brasil consegue dar origem a vinhos frescos, frutados e equilibrados, com teor de álcool moderado e muito prazerosos.

1532 – O começo de tudo

As primeiras videiras são trazidas ao Brasil por Martim Afonso de Souza, que vem de Portugal com o objetivo de disseminar a agricultura na nova colônia. As mudas de Vitis vinifera são plantadas na Capitania de São Vicente, no sudeste do país, mas as condições desfavoráveis de clima e solo impedem que a experiência siga adiante. FOTO: Fragmento da obra Fundação de São Vicente, de Benedito Calixto.

1551 – Insistência Lusa

Membro da expedição colonizadora de Martim Afonso de Souza, o jovem Brás Cubas insiste no cultivo de videiras, transferindo suas plantações do litoral para o Planalto Atlântico. Em 1551, ele consegue extrair o caldo de uvas Vitis viniferas, elaborando o primeiro vinho brasileiro. Sua iniciativa, contudo, não é duradoura, devido às condições de clima e solo. FOTO: Fragmento da obra Nègres Cangueiros, de Jean-Baptiste Debret.

1626 – Estímulo divino

A chegada dos jesuítas à região das Missões impulsiona a vitivinicultura no extremo sul do Brasil. A introdução de videiras no Rio Grande do Sul é creditada ao Padre Roque Gonzales de Santa Cruz, que conta com a ajuda de índios guaranis na manutenção das plantas e na elaboração de vinho, elemento fundamental nas celebrações religiosas. FOTO: Fragmento de retrato de Padre Roque Gonzales de Santa Cruz.


1640 – Controle de qualidade

É realizada a primeira degustação orientada no Brasil, relatada na 1ª Ata da Câmera de São Paulo. A intenção é padronizar os vinhos comercializados no país, descartando os que não atingem qualidade mínima. A ação é voltada principalmente aos produtores do Sudeste, que seguem os passos de Brás Cubas e persistem no cultivo de uvas em locais inadequados. FOTO: STOCK XCHNG.

1732- Novos focos no sul

Imigrantes portugueses, principalmente os açorianos, passam a povoar a zona litorânea do Rio Grande do Sul, formando colônias nas cidades de Rio Grande, Pelotas e Porto Alegre, em um processo que se estende até 1773. Eles trazem na bagagem mudas de Vitis vinifera das ilhas dos Açores e da Madeira, mas a falta de incentivo e de técnicas adequadas de cultivo fazem com que as plantações não ganhem expressão. FOTO: Fragmento de painel pintado por Augusto Luiz de Freitas.

1789 – Reserva de Mercado

Percebendo a multiplicação das iniciativas em torno da vinicultura no Brasil, a corte portuguesa proíbe o cultivo de uva no país como forma de proteger sua própria produção de vinho. A medida inibe a comercialização da bebida na colônia e restringe a atividade ao ambiente doméstico. FOTO: STOCK XCHNG.

1808 – Popularização do Corte

No ano da transferência da coroa portuguesa para o Brasil, com a vinda da família real, não só é derrubada a proibição ao cultivo da uva como ganham corpo os hábitos em torno do vinho. A bebida é incorporada a refeições, reuniões sociais e às numerosas festividades religiosas. FOTO: Fragmento de retrato de Dom João VI pintado por Jean-Baptiste Debret.

1817 – Pioneirismo Meridional

O pioneirismo gaúcho na vinicultura se materializa na figura de Manoel Macedo, produtor localizado nas proximidades da cidade de Rio Pardo. Em um período que se estende até 1835, ele registra a elaboração de até 45 pipas em um ano, o que lhe rende a primeira carta-patente para a produção da bebida no país, concedida pela Junta do Comércio do Rio de Janeiro. FOTO: STOCK XCHNG.

1824 – Desembarque Europeu

O início da colonização alemã amplia o número de imigrantes interessados no cultivo da uva. Na mesma época, o italiano João Batista Orsi se estabelece na Serra Gaúcha e, com a concessão de Dom Pedro I para o cultivo de uvas europeias, torna-se um dos precursores da cadeia produtiva do vinho na região. FOTO: Fragmento de quadro de Ernst Zeuner

1840 – Alternativa Resistente

Pelas mãos do comerciante inglês Thomas Messiter, são introduzidas nas lavouras gaúchas as uvas Vitis lambrusca e Vitis bourquina, de origem americana. Mais resistentes a pragas e doenças, as mudas foram inicialmente plantadas na Ilha dos Marinheiros, localizada na Lagoa dos Patos, mas logo se espalham pelo Estado. FOTO: STOCK XCHNG.

1860 – Disseminação de uma cultura

A uva Isabel, uma das variedades americanas introduzidas no Rio Grande do Sul, ganha rapidamente a simpatia dos agricultores, por sua resistência a doenças. Há registros de que, por volta de 1860, ela já formava vinhedos nas cidades de Pelotas, Viamão, Gravataí, Montenegro e municípios do Vale dos Sinos. FOTO: Acervo Ibravin.

1871 – Primeiras exportações

A família real portuguesa começa a tomar consciência da produção enológica no sul do país. Em viagem à Europa e ao Oriente, Dom Pedro II embarca uma pequena carga de vinho nacional para mostrar aos anfitriões. As exportações, contudo, têm início só no ano seguinte, em quantidades pequenas, sob o título de Vinho Nacional de São Leopoldo. FOTO: fragmento de retrato de Dom Pedro II pintado João Maximiano Mafra.

1875 – O Marco Italiano

O grande salto na produção nacional de vinhos ocorre com a chegada dos imigrantes italianos ao Rio Grande do Sul. Trazendo de sua terra natal o conhecimento técnico de elaboração e a cultura do consumo da bebida, eles elevam a qualidade da bebida e conferem importância econômica à atividade. Muitos trazem mudas de viníferas da Europa, mas as abandonam em razão da dificuldade de adaptação. FOTO: fragmento de panfleto italiano estimulando a emigração para o Brasil.

1881 – Nasce um terroir

Ano do mais antigo registro de elaboração do vinho no Vale dos Vinhedos, no Rio Grande do Sul, com o apontamento de 500 mil litros produzidos na cidade de Garibaldi. O número consta em relatório feito em 1883 pelo cônsul da Itália, Enrico Perrod, depois de visita à região. FOTO: Reprodução.

1912 – União em torno do vinho

Com dificuldade para negociar preços com os comerciantes e os primeiros industriários do setor, os colonos recorrem ao sistema de cooperativismo. Esta primeira fase da iniciativa é marcada pela criação da União das Cooperativas de Porto Alegre. Boicotada por aqueles com quem precisava comerciar, a proposta não tem vida longa. FOTO: Reprodução.

1928 – Regularização para o Setor

Frente à concorrência desordenada, a oscilação da qualidade e o crescimento da importância da atividade, é criado o Sindicato do Vinho, uma tentativa de organizar o setor. A iniciativa é articulada por Oswaldo Aranha, então secretário estadual do governador Getúlio Vargas. FOTO: Fragmento de retrato de Oswaldo Aranha.

1929 – Segunda onda de cooperação

O associativismo é retomado pelos agricultores. Em um período de 10 anos, 26 cooperativas são fundadas, entre elas algumas que seguem atuando até hoje. O modelo dá competitividade aos pequenos produtores e os direciona a uma situação de equilíbrio, alcançado na década seguinte. FOTO: Acervo Cooperativa Vinícola Garibaldi.

1951 – Interesse estrangeiro

O ano da transferência da vinícola Georges Aubert da França para o Brasil marca o início de um ciclo que alavancou a vitivinicultura nacional. O interesse de empresas estrangeiras no país, que se consolidaria na década de 70 com a vinda de multinacionais do setor, aportou novas técnicas nos vinhedos e nas cantinas e elevou a qualidade da produção, além de ampliar as áreas de cultivo da uva. FOTO: Reprodução.

1990 – Mudança de Modelo

A melhoria das vinícolas, que ao longo da década de 80 foi marcada pela reconversão de vinhedos (troca do sistema latada por espaldeira e cultivo de variedades europeias em vez de americanas), ganha impulso a partir da abertura econômica do Brasil. O acesso a diferentes estilos de vinhos e a concorrência com os importados levam os produtores nacionais a aumentar a qualidade. FOTO: acervo Ibravin.

2002 – Identidades regionais

Com a vitivinicultura consolidada em diferentes regiões, do Sul ao Nordeste do país, cada zona produtiva investe no desenvolvimento de uma identidade própria para seus vinhos. O pioneiro neste rumo é o Vale dos Vinhedos, que conquista a Indicação de Procedência em 2002. Seguindo seus passos, Pinto Bandeira alcança a mesma certificação em 2010. FOTO: acervo Ibravin.

Via: Vinhos do Brasil