No meio de como disse um amigo, uma esbórnia anunciada, onde foram servidos grandes vinhos, outro amigo bem intencionado decidiu colocar às cegas mais uma garrafa para apreciação do grupo. Bom, na “minha avaliação pessoal” o vinho se mostrou bem elaborado, mostrando aromas de um bom Bordeaux, bom corpo, amplo, equilibrado, em fim, aprovei. A não ser pelo preço que se não me engano é comercializado por 160,00. O vinho as cegas era o brasileiro, Tormentas Premium 2007 ST (88), 100% Merlot, 12,6% alc, produção 700 garrafas, elaborado por Marco Danielle. Danielle é constantemente atacado pela critica, alguns amam e outros odeiam seu estilo e seus vinhos.

Agora na mesa um amigo discordou e sentiu aromas que eu realmente mesmo tendo a maior atenção não consegui achar. Veja a sua avaliação abaixo.

Opinião MF: “Tem cheiro de suco de uva!!!”. E tinha mesmo. Alguns à mesa discordaram. Falou-se em estrebaria e outras coisas mais. Mas por mais que eu tentasse perceber outros aromas o que mais me chamava a atenção era justamente esse desagradável cheiro de suco de uva. Pior que eu conhecia esse aroma de outros carnavais e sentenciei: “Vinho nacional!!!”. Na mosca. Era um Tormentas 2007. Não estou afirmando que todo vinho nacional tem esse aroma foxado, mas já bebi muitos que o têm e, definitivamente, não é algo que me agrade, pois, a mim, remete a vinho de baixa qualidade. Talvez ele tenha sido jogado aos leões ao ser servido lado a lado com o Chadwick ou mesmo com o VSC.

Palavra do autor:

Primeiro produto do atelier concebido sob vinificação 100% natural, fruto de seis anos de experimentações com elaborações a baixo SO2 (conservante INS 220), este vinho não recebeu SO2 em nenhuma etapa da vinificação, nem leveduras selecionadas comerciais. Foi fermentado espontaneamente pelas leveduras selvagens naturais, presentes nas próprias uvas. Contudo, cabe informar que as leveduras selecionadas atuando nos demais tanques, presentes no ambiente, provavelmente têm algum grau de influência sobre as leveduras selvagens. Ainda assim, este vinho é o fruto minimalista de uvas esmagadas, tão somente, e nada mais. Qualitativamente, tem demonstrado concentração, potência, raça, vocação à longevidade e grande ersonalidade, expressando a quintessência do terroir com máximo purismo. Em degustação, é o vinho mais clássico entre os três novos lançamentos, remetendo aos melhores Bordeaux, com nuances do Priorato. No que tange a naturalidade, eis aqui o expoente máximo da proposta de “vinicultura radical” tão almejada neste projeto. Se os franceses costumam chamar de alquimistas os raros vinhateiros que elaboram vinhos sem adição de sulfitos, este vinho é nossa primeira pedra filosofal – entre tantas outras vindouras, assim esperamos.