O legal dessa pergunta é fazer com que as pessoas reflitam sobre o que é um bom vinho em sua totalidade. Degustar prestando atenção no equilíbrio, persistência, profundidade, complexidade, final e tipicidade, é muito importante para se ter uma opinião coerente. Com a globalização de conceitos e técnicas de elaboração dos vinhos, cada vez mais estamos degustando vinhos de melhor qualidade “subjetiva”, e menos tipicidade.

Vamos então falar de cada uma desta características:

  • Equilíbrio: O equilíbrio na mais é do que do que a relação entre quatro componentes, doçura, acidez, tanino e álcool. Quando nenhum destes componentes se destaca na hora da degustação, como um tanino grosso, ou um dulçor excessivo, por exemplo, se considera um vinho equilibrado.
  • Persistência: É quando um vinho se destaca percorrendo o paladar, podendo ser sentido em toda a sua língua. Não confundam vinhos concentrados com persistência. Observe que ás vezes um vinho concentrado são curtos, não percorrem toda a língua. O tanino desequilibrado e o álcool sobrando são os vilões desta história. Deu então para perceber que persistência x qualidade estão juntos.
  • Profundidade: O vinho tem profundidade quando tem a dimensão de verticalidade isto é, ele não parece liso e unidimensional em sua boca.
  • Complexidade: Um vinho é considerado complexo quando apresenta múltiplos aromas e sabores. Vinhos que a cada minuto mudam, mostrando notas ás vezes até engraçadas, cultivadas por nossa ampla memória olfativa e gustativa.
  • Final: Está é a impressão da parte de trás da boca, garganta, depois de engolir o vinho, o retro-olfato. Em um vinho de qualidade, no decorrer do processo de degustá-lo ainda se sente os sabores e aromas.
  • Tipicidade: É a mudança de características de uvas x regiões produtoras “clássicas”. O vinho expresse o seu terroir original. Este é um tema subjetivo de grande discussão. O que se discute muito é que o vinho está ficando globalizado em virtude dos críticos que influenciam o grosso do consumo mundial de vinhos. As vinícolas tradicionais estão abdicando de seus conceitos para se integrarem a esta onda a fim de maiores lucros e se manterem vivas.

A foto acima é de um Penfolds Grange 1988 degustado e considerado por mim perfeito, com todos os atributos acima descritos.