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Archive for the ‘ Amarone ’ Category

A região do Vêneto, localizada ao norte da Itália, é uma das maiores exportadoras de vinhos daquele país. Para se ter uma ideia, sua produção – cerca de 850 milhões de litros – equivale a três vezes a produção de todo o Brasil. Entre os vinhos elaborados por lá, alguns são bastante conhecidos por aqui: o Prosecco, o Soave, o Bardolino e o Valpolicella. Mas o ícone chama-se Amarone Della Valpolicella, ou apenas Amarone.

A convite da Consorzio Tutela Vini Valpolicella, estive na cidade de Verona entre os dias 22 e 29 deste mês para participar da Anteprima do Amarone, a prova da safra 2010. Também fui conhecer algumas vinícolas e suas produções. O momento não poderia ser mais propício. A nova safra apresentada para especialistas de todo o mundo no Palazzo Della Gran Guardia já ostenta a Denominação de Origem Controlada e Garantida (D.O.C.G.), conforme decreto do ministério da agricultura local. Esse upgrade de denominação, que todo vinho italiano almeja, significa que seus rótulos agora são certificados de acordo com as regras de produção, as condições sanitárias e a localização geográfica, colocando-os em igualdade com outros dois ícones do país, o Brunello e o Barolo.

Geograficamente, a área de produção do Valpolicella é a mesma do Amarone: um conjunto de colinas ao norte de Verona. Os vinhos tintos por lá se dividem em cinco níveis: Valpolicella Clássico, Valpolicella Superiore, Valpolicella Superiore Ripasso, Amarone della Valpolicella e Recioto della Valpolicella (de sobremesa).


Castas

As uvas utilizadas também são as mesmas. Conforme a legislação italiana, devem ser em sua maioria Corvina, Rondinella, Molinara e mais 14 tipos em pequenas proporções. A primeira (Corvina) confere cor e maciez, a segunda (Rondinella) estrutura e a terceira (Molinara) entra com a acidez e o toque amargo característico. Mesmo com essas semelhanças, o Valpolicella é normalmente um vinho leve e simples, com média de 12% de teor alcoólico. Já o Amarone é um vinho estruturado, com teor de álcool que vai de 14% (mínimo por lei) a 17%. Essa diferença é explicada pelo método de elaboração, muito diferente do que estamos acostumados a ver. O Amarone é feito através de uma técnica chamada appassimento. Logo após a colheita das uvas, em vez de as frutas serem esmagadas e fermentadas, como em qualquer outro vinho de mesa, as mesmas são colocadas em caixas plásticas ou em esteiras por até cinco meses, até que se tornem “passificadas”. Durante o processo, as uvas perdem cerca de 35% de seu peso, o que acarreta uma perda na mesma proporção na quantidade de vinho, o que faz com que seu preço seja alto. Ao final do appassimento, nos meses de janeiro e fevereiro, começa o período de fermentação, com um longo processo de maceração em que o suco da uva permanece em contato com a casca, transformando os açúcares em álcool, a fim de se apresentar seco, com leve teor de açúcar residual.


Barricas

Em seguida, o vinho é amadurecido durante um intervalo de 25 a 48 meses, conforme decisão do enólogo. Mesmo que alguns produtores já utilizem barricas pequenas e novas, habitualmente são empregados na produção barris de 5 mil litros de madeira usada, chamados de “botti”, o que confere mais equilíbrio. Em seguida, o vinho descansa em garrafas por 12 meses, antes de chegar ao mercado. O resultado é uma bebida estruturada, macia, com acidez viva e taninos doces. É quase um vinho do Porto, porém sem a adição de álcool. De qualquer modo, é um grande vinho, e por isso deve ser apreciado em momentos festivos ou de meditação.

A harmonização indicada é com o grande queijo regional grana padano, com polenta, com carne condimentada, com salames e com presuntos. Em virtude dos posicionamentos geográficos diversos, os vinhos podem variar em estilo e qualidade. A dica é procurar no rótulo a distinção “Amarone Clássico”, o que significa estar na área de Valpolicella, onde normalmente são mais elegantes e complexos.


Alternativa

Para quem quer provar o Amarone mas acha caro, sugiro procurar pelo Valpolicella Ripasso, refermentado por 15 a 20 dias com a casca da uva que produziu o Amarone. Já o Recioto della Valpolicella D.O.C.G., de sobremesa, é feito com as mesmas uvas do Amarone, porém sua fermentação é interrompida, deixando assim o açúcar residual no vinho. Concentrado e complexo, cheio de frutas secas, muito tanino e boa acidez para equilibrar o dulçor. Suporta 30 anos de guarda tranquilamente. Ótimo com doces de chocolate preto.

App com valiosas informações

Para informações sobre vinícolas, hospedagem e mapas da região, há aplicativos indispensáveis para você ter no seu smartphone. São eles: Valpolicella Wines, Strada Del Vino Valpolicella e Itinerari in Valpolicella.

Abertura oficial

Salão de prova com os produtores

 

Belos e saborosos petiscos

Algumas visitas – Azienda Montresor

Com origem francesa, no século XVI, alguns da família migraram para Castelo Montresor, Verona, onde adquiriram terras e começaram a crescer suas vinhas. Quando o fundador Giacomo Montresor, na segunda metade do século 19, começou a vender o vinho que ele produziu com o seu nome, não poderia imaginar que um século mais tarde, os seus vinhos chegaram aos quatro pontos do mundo. Hoje, seus sucessores continuidade a esta tradição, que combina operações de seleção de agricultura, envelhecimento, engarrafamento e distribuição. A azienda elabora clássicos italianos da região do Vêneto, como Valpolicella, Amarone e Recioto.

Eduardo Montresor, a atual geração da família.

“Botti” como são chamados os barris italianos.

Uma bela vertical de Capitel dela Crosara: 2000, 2005 e 2008. Muito elegantes, complexos, feitos com uvas exclusivas da propriedade.

Azienda Agricola Novaia

Os vinhedos da Azienda Agricola Novaia estão situados entre 250 e 300 metros acima do nível do mar, em uma pequena área de 7 hectares. A viticultura técnica tradicional, foi quase completamente substituído pelo chamado espaldeira, técnica que permite uma melhoria na qualidade das uvas, em virtude de uma melhor exposição ao sol e uma menor produção de uvas por hectare. Um dos poucos produtores orgânicos em Marano.

Variedades de uvas produzidas por Azienda Agricola Novaia são os seguintes: “Corvina Veronese” (50%), “Corvinone” (30%), “Rondinella” (20%). Para as três variedades mencionadas foi recentemente adicionado “Oseleta”, uma variedade histórica de Valpolicella que se perdeu durante os últimos cinquenta anos.

A adega foi recentemente restaurada e renovada tanto na estrutura e equipamentos, realizando, dessa forma, um “casamento” perfeito entre o passado e o presente, entre a tradição e a tecnologia.

Enólogo Marcello Vaona de NOVAIA é a 4ª geração da família.

 

Produtos: Amarone della Valpolicella Classico DOC “Selezione Corte Vaona” – Amarone della Valpolicella Classico DOC Riserva “Le Balze” – Recioto della Valpolicella Classico DOC “Le Novaje” – Valpolicella Classico DOC Superiore “Eu Cantoni” – Valpolicella Classico DOC Superiore “Ripasso” – Valpolicella Classico DOC.

Cantina Valpolicella Negrar

La Cantina Valpolicella Negrar foi fundada em 1933 com o objetivo de promover e valorizar a cultura e produção de pequenos produtores de uvas do vale de Negrar, no coração da Valpolicella Classico. Hoje, a empresa dirige e coordena as atividades de mais de 200 produtores de vinho para um total de 500 hectares de vinhedos, direcionando o cultivo até o máximo respeito pelo meio ambiente, com especial atenção para a preservação da biodiversidade e vocações de seu território e vinhas.

As uvas no processo a apassimento.

Maravilhoso almoço com belos pratos e todas as uvas do amarone ao fundo em caixas para prova.

Provamos na Cantina cinco Amarones da safra 2005 Domini Veneti, um de cada um vale de Valpolicella Classico.

Azienda Agricola San Felice 

Azienda Agricola San Felice nasceu em 1974, formado por membros da Família Falezza, os proprietários de cerca de 12 hectares totalmente plantados com vinhas Valpolicella Doc. Nos últimos anos, a empresa adquiriu novos terrenos plantados com vinhas na área Marcellise e Mezzane na província de Verona. Foto acima:

Vinhedos anexo a sede da azienda.

Uma degustação de três safras do seu Amarone 2008/2009/2010. O destaque na taça foi 2010, já com o status DOCG. Muito futuro pela frente.

Azienda Agricola Rocca Sveva

A Cantina di Soave é uma cooperativa fundada em 1898 por 30 produtores. Hoje são 2.200 agricultores, sócios, tem 6.000 hectares e produzem cerca de 30 milhões de garrafas. Rocca Sveva é uma de suas cantinas, dedicado as marcas top, onde recebe uvas de somente 100 melhores membros e vinhedos.

A cave de totaliza uma área de 2500 m2 foram usadas como bunkers na Segunda Guerra Mundial.

Dois valpolicella Ripasso 2007 e 2009 e quatro safras de Amarone- 2006/2004/2001/2000 – na taça. Muito bem feitos, equilibrados e saborosos.

Azienda Agricola Corte Adami


Uma pequena azienda jovem, que desde 2004 vinificam uvas provenientes do terror de Castelcerino nas colinas di Soave. Mantem nos 36 hectares de vinhedos, apenas uma parte, para garantindo o máximo cuidado e processamento de vinho.

Os vinhedos cerca de 20 minutos de carro da sede.

Belíssimo Valpolicella Ripasso Superiore 2011, pronto para o consumo.

Azienda Agricola Bertani

Bertani é um dos principais produtores de Amarone, e sua primeira safra de Amarone Bertani foi feito em 1958. Sua sede está localizada em Grezzana, uma bonita aldeia no vale Valpantena, lado oriental de Verona. Foi fundada por dois irmãos Bertani, Giovan Battista e Gaetano, em 1857. (Em breve um post exclusivo).

Grupo de jornalistas de vários países.

Sala de barricas

Provamos três safras de seu Amarone 2005, 2006 e 1967 (fantástico).

A convite do Consorzio di Valpolicella, sigo hoje para Verona na Itália a fim de participar da 11ª edição da Anteprima Amarone (2010), o grande vinho do Vêneto, já sob o status DOCG (Denominação de Origem Controlada e Garantida). Permaneço até a próxima semana conhecendo a sua produção por meio de visitas técnicas a vinícolas, participando de palestras com o intuito de aprofundar o meu conhecimento sobre o setor vitivinícola do país e seus produtos.

Acompanhem via instagram @silvestretg
a viagem. No dia 31 de janeiro publicarei na Coluna Vivendo a Vida no C2 + Prazer & Cia do Jornal A Gazeta uma matéria com exclusividade.

Degustar vinhos italianos é viajar pela história. Por lá, o vinho é mais que um produto, é uma verdadeira identidade cultural. Na noite desta segunda feira realizamos o 2º encontro da Confraria Vivendo a Vida, com a oportunidade de apreciar vários estilos, gerando muito conhecimento e prazer na taça!

A noite começou ao contrario (pela intensidade), fomos recebidos com uma garrafa do grande vinho do Vêneto, o Amarone Tommasi 2004, oferecido pelo confrade Flavio Maraninchi.

Elaborado no Veneto o Amarone Della Valpolicella DOC é elaborado com as uvas, Corvina Veronese, Rondinella e Molinara (obrigatóriamente). Suas uvas passam por um processo de secagem, ficando parecida com uva passa, pouca água e muito açúcar. O seu envelhecimento é de no mínimo 24 meses. O resultado é um vinho potente, rico, longevo, com teor alcoólico que varia de 14% a 16%. Um vinho perfeito para noites frias, acompanhado de queijos fortes, boa companhia e meditação.

Os pratos:

Depois de um bate papo regado a Amarone, fomos para mesa começar realmente a degustação, que teve o Chef Aldir Almeida que preparou um verdadeiro banquete para os confrades, no qual iniciamos com uma bela salada americana, seguindo para um Brasato “sem barolo” e finalizando com uma Panna Cotta com Cobertura de carambola in calda de anis estrelado ao rum.

Brasato “sem Barolo”

Panna Cotta com Cobertura de carambola in calda de anis estrelado com Rum

Os vinhos: A descrição dos vinhos ficou a cargo do confrade Marcos Fonseca.

A uva Dolceto é doce, porem é distintamente seco e com bastante sabor de fruta e com um tanino notável. Geralmente é comparado ao Beaujolais (França), porém é mais seco e acompanha melhor uma refeição.

Elvio Cogno Dolcetto d’Alba Vigna del Mandorlo 2009 – 13%. Estágio de 8 meses em aço inox (60 dias “sur lie”) + 6 meses em garrafa.

  • Frutas silvestres maduras, com destaque para cereja, e uma leve ponta adocicada. Na boca um vinho agradável, com boa fruta (preferiria até que fosse um pouco menos extraída), taninos macios e média acidez. No meio do caminho entre aquelas coisas mais exageradas que existem por aí e aquelas mais simples e despretensiosas, que, em se tratando de Dolcetto, costumam me agradar mais. Senti uma pontinha de pretensão nesse aqui, mas muito bem trabalhada.

A uva Barbera é a segunda uva vermelha mais plantada da Itália (Sangiovese é a primeira). É no Piemonte, mais especificamente nas áreas viníferas de Asti e Alba, que a Barbera se destaca. É um vinho rico, com alta acidez e um generoso traço de framboesa.

Bruno Giacosa Barbera d’Alba 2003 – 14%. Estágio de 12 meses em grandes barris de carvalho (provavelmente botti de carvalho da Eslavônia) + 6 meses em garrafa.

  • Uma beleza de Barbera, com fruta já apresentando sinais de evolução, caldo de carne levemente picante, floral discreto e madeira perfeitamente integrada. Na boca um vinho muito equilibrado, com taninos agradáveis, boa acidez e final de boca delicioso. Show.

As vinhas ao redor da vila de Barbaresco são responsáveis por 45% da produção regional, com muitas vinhas localizadas dentro da cidade. As vinhas desta área tendem a ser relativamente mais claras na cor e ter um corpo mais bem estruturado e aromático.

Albino Rocca Barbaresco Vigneto Brich Ronchi 1998 – 14%

  • Ainda estava enamorado pelo Barbera do Giacosa quando abri esse aqui. Pois é… Rótulo todo detonado, feinho pra caramba. Diz o ditado que quem vê cara não vê coração. Lindo lindo, com fruta (muito bem) evoluída, cheio de terciários, alcatrãozinho luxo, funghi, especiarias e madeira integradíssima. Nariz falando alto, etéreo, cheio de nuances. Pela primeira vez não senti falta daquele floral que tanto me agrada na Nebbiolo. Talvez pelo fato de sempre associá-lo a um vinho mais delicado, mais elegante. Esse, porém, era isso tudo mesmo sem o bendito floral. Delicado, elegante, complexo, equilibrado, muito bem costurado. Taninos resolvidos, acidez perfeita e final de boca de chorar. Um dos melhores Barbarescos que já tive o prazer de beber. Roubou meu coração.

Apesar de utilizarem a mesma casta e ser produzidos a 15 km um do outro, os vinhos das DOGC’s Barbaresco e Barolo tem diferenças bem distintas. Os Barolos tendem a ser mais fechados e encorpados, mas é nos taninos que se estabelece a grande diferença. Os Barbarescos tendem a ter taninos mais delicados e podem ser bebidos mais cedo, enquanto os Barolos podem exigir o dobro do tempo para serem degustados.

Gianni Gagliardo Barolo Preve 1996 – 13,5%

  • Isso aqui tava muito legal também. Só levou azar de ter sido aberto na seqüência do Barbaresco Brich Ronchi. Elegante, com fruta evoluída, um traço terroso, chá mate, alcatrão discreto e madeira de casa antiga. Menos multifacetado que o Brich, mais contido também, com um quê de de seriedade. Tipo biblioteca de avô sizudo (o meu era… só não tinha biblioteca).


Farei um post exclusivo sobre este fortificado da Itália.

Sobremesa: Cantine Pellegrino Marsala Superiore Riserva Ambra Semisecco 1985 – 18%.

  • Pra resumir, manga, nozes e mel. Nada enjoativo. Boa acidez e álcool muito bem integrado. Fechou a noite com louvor.

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