Degustar vinhos italianos é viajar pela história. Por lá, o vinho é mais que um produto, é uma verdadeira identidade cultural. Na noite desta segunda feira realizamos o 2º encontro da Confraria Vivendo a Vida, com a oportunidade de apreciar vários estilos, gerando muito conhecimento e prazer na taça!

A noite começou ao contrario (pela intensidade), fomos recebidos com uma garrafa do grande vinho do Vêneto, o Amarone Tommasi 2004, oferecido pelo confrade Flavio Maraninchi.

Elaborado no Veneto o Amarone Della Valpolicella DOC é elaborado com as uvas, Corvina Veronese, Rondinella e Molinara (obrigatóriamente). Suas uvas passam por um processo de secagem, ficando parecida com uva passa, pouca água e muito açúcar. O seu envelhecimento é de no mínimo 24 meses. O resultado é um vinho potente, rico, longevo, com teor alcoólico que varia de 14% a 16%. Um vinho perfeito para noites frias, acompanhado de queijos fortes, boa companhia e meditação.

Os pratos:

Depois de um bate papo regado a Amarone, fomos para mesa começar realmente a degustação, que teve o Chef Aldir Almeida que preparou um verdadeiro banquete para os confrades, no qual iniciamos com uma bela salada americana, seguindo para um Brasato “sem barolo” e finalizando com uma Panna Cotta com Cobertura de carambola in calda de anis estrelado ao rum.

Brasato “sem Barolo”

Panna Cotta com Cobertura de carambola in calda de anis estrelado com Rum

Os vinhos: A descrição dos vinhos ficou a cargo do confrade Marcos Fonseca.

A uva Dolceto é doce, porem é distintamente seco e com bastante sabor de fruta e com um tanino notável. Geralmente é comparado ao Beaujolais (França), porém é mais seco e acompanha melhor uma refeição.

Elvio Cogno Dolcetto d’Alba Vigna del Mandorlo 2009 – 13%. Estágio de 8 meses em aço inox (60 dias “sur lie”) + 6 meses em garrafa.

  • Frutas silvestres maduras, com destaque para cereja, e uma leve ponta adocicada. Na boca um vinho agradável, com boa fruta (preferiria até que fosse um pouco menos extraída), taninos macios e média acidez. No meio do caminho entre aquelas coisas mais exageradas que existem por aí e aquelas mais simples e despretensiosas, que, em se tratando de Dolcetto, costumam me agradar mais. Senti uma pontinha de pretensão nesse aqui, mas muito bem trabalhada.

A uva Barbera é a segunda uva vermelha mais plantada da Itália (Sangiovese é a primeira). É no Piemonte, mais especificamente nas áreas viníferas de Asti e Alba, que a Barbera se destaca. É um vinho rico, com alta acidez e um generoso traço de framboesa.

Bruno Giacosa Barbera d’Alba 2003 – 14%. Estágio de 12 meses em grandes barris de carvalho (provavelmente botti de carvalho da Eslavônia) + 6 meses em garrafa.

  • Uma beleza de Barbera, com fruta já apresentando sinais de evolução, caldo de carne levemente picante, floral discreto e madeira perfeitamente integrada. Na boca um vinho muito equilibrado, com taninos agradáveis, boa acidez e final de boca delicioso. Show.

As vinhas ao redor da vila de Barbaresco são responsáveis por 45% da produção regional, com muitas vinhas localizadas dentro da cidade. As vinhas desta área tendem a ser relativamente mais claras na cor e ter um corpo mais bem estruturado e aromático.

Albino Rocca Barbaresco Vigneto Brich Ronchi 1998 – 14%

  • Ainda estava enamorado pelo Barbera do Giacosa quando abri esse aqui. Pois é… Rótulo todo detonado, feinho pra caramba. Diz o ditado que quem vê cara não vê coração. Lindo lindo, com fruta (muito bem) evoluída, cheio de terciários, alcatrãozinho luxo, funghi, especiarias e madeira integradíssima. Nariz falando alto, etéreo, cheio de nuances. Pela primeira vez não senti falta daquele floral que tanto me agrada na Nebbiolo. Talvez pelo fato de sempre associá-lo a um vinho mais delicado, mais elegante. Esse, porém, era isso tudo mesmo sem o bendito floral. Delicado, elegante, complexo, equilibrado, muito bem costurado. Taninos resolvidos, acidez perfeita e final de boca de chorar. Um dos melhores Barbarescos que já tive o prazer de beber. Roubou meu coração.

Apesar de utilizarem a mesma casta e ser produzidos a 15 km um do outro, os vinhos das DOGC’s Barbaresco e Barolo tem diferenças bem distintas. Os Barolos tendem a ser mais fechados e encorpados, mas é nos taninos que se estabelece a grande diferença. Os Barbarescos tendem a ter taninos mais delicados e podem ser bebidos mais cedo, enquanto os Barolos podem exigir o dobro do tempo para serem degustados.

Gianni Gagliardo Barolo Preve 1996 – 13,5%

  • Isso aqui tava muito legal também. Só levou azar de ter sido aberto na seqüência do Barbaresco Brich Ronchi. Elegante, com fruta evoluída, um traço terroso, chá mate, alcatrão discreto e madeira de casa antiga. Menos multifacetado que o Brich, mais contido também, com um quê de de seriedade. Tipo biblioteca de avô sizudo (o meu era… só não tinha biblioteca).


Farei um post exclusivo sobre este fortificado da Itália.

Sobremesa: Cantine Pellegrino Marsala Superiore Riserva Ambra Semisecco 1985 – 18%.

  • Pra resumir, manga, nozes e mel. Nada enjoativo. Boa acidez e álcool muito bem integrado. Fechou a noite com louvor.

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