Finalmente tive a oportunidade de conhecer na taça alguns vinhos da Quinta da Figueira, elaborados pelo enólogo Rogério Gomes em Florianópolis, Santa Catarina.

A história da vinícola começou em 2008 quando um amigo trouxe para Florianópolis 120 quilos de uva Cabernet Sauvignon compradas em Bento Gonçalves para elaborar seu primeiro “Vinho de Apartamento”. Depois de fazer o primeiro vinho e decidir dar sequência ao projeto, invadiu a garagem da casa de seu pai, aonde permanece até hoje.

A inspiração para o “Quinta” no nome da vinícola veio de seu bisavô português, acrescentado pela ideia de sua esposa, sendo batizada de Quinta da Figueira em homenagem à Figueira Centenária da Praça XV de Novembro, no centro de Florianópolis.

Atualmente as uvas utilizadas na produção vêm principalmente de São Joaquim, que devido à altitude e às características climáticas, são uvas ricas em cor, taninos e acidez, mas dificilmente super maduras, pois o deslocamento da maturação para o outono e a alta amplitude térmica dificilmente irão permitir a obtenção de uma uva para elaboração de fruit-bombs.

Rogério Gomes na garagem onde produz seus vinhos.

Os rótulos levam nomes da cultura local, da cultura açoriana, dos nativos da ilha e da história de Florianópolis. Os rótulos atuais são o Reserva Perpétua, Ponte Velha, Garapuvú, Miramar, Istepô, La Purpurata e Moça Faceira.

Falo hoje sobre a linha de vinhos Garapuvú que foi restruturada a fim de identificar e expressar os diferentes estilos de Vinhos Laranja: Para que ainda não sabe o vinho laranja é um branco produzido de forma semelhante a um tinto – ou seja, o suco da uva fica em contato com as cascas por algum tempo. É esse contato, maior ou menor, que dá cor aos vinhos – a cor é extraída da casca. No caso do laranja, ele tem uma coloração alaranjada.

A primeira experiência foi com o Flor de Garapuvu 100% Chardonnay (Eleito melhor chardonnay do Brasil pelo Guia adega de vinhos do Brasil 2015) – Com o tempo de maceração curto – até 48h – este vinho é o que mais se aproxima de um vinho branco normal, que normalmente possui nenhuma ou pouquíssimas horas de maceração. Aqui, o período estendido de 48h permitiu ao vinho mais estrutura, aroma e sabor. Garapuvu Amarelo Sauvignon Blanc – Nesta linha a maceração ocorre durante a fermentação alcoólica (de 5 a 10 dias). Após, o vinho é separado das cascas e segue seu ciclo. Este estilo de Vinho Laranja é o mais comum, representado por brancos fermentados com as cascas e separados delas ao final da fermentação alcoólica. Garapuvu Laranja Chardonnay/Sauvignon Blanc – Já nesta linha, o tempo de contato com as cascas e sementes se estende por meses. Este é o estilo de vinho Qvevri – método ancestral da Geórgia. O Garapuvu Laranja 2014 permaneceu 12 meses em contato com as cascas e sementes.

Em geral, os vinhos revelaram uma enorme complexidade, apresentando desde notas florais, cítricos, frutas secas, de cogumelos, e até notas minerais. São mais estruturados que um branco comum, em alguns lembrando um tinto, como o Garapuvu Laranja, porém com frescor de um grande vinho branco.

Quando o assunto é harmonização os vinhos laranjas se saem muito bem com peixes e frutos do mar, pratos temperados, como por exemplo da cozinha tailandesa, carnes de frango e porco, e até intensas como a de cordeiro.

A Quinta da Figueira também oferece vinhos tintos, no qual falarei em breve.

Para os interessados na compra dos vinhos é só acessar o site – http://www.quintadafigueira.com.br/.

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