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Quando Jacques Bollinger faleceu em 1941, sua viúva Lily Bollinger levou sua famosa casa de champagne através dos difíceis anos de ocupação alemã na França. Ela dirigiu a empresa até o seu falecimento em 1977. A Blollinger prosperou sob sua liderança, dobrando de tamanho. Ela era uma figura amada em Champagne, onde era vista andando de bicicleta pelos vinhedos todos os dias. Em 1961, quando um repórter de Londres perguntou quando ela bebia Champagne, Madame Bollinger respondeu: “Só bebo Champagne quando estou feliz e quando estou triste. Ás vezes, bebo quando estou sozinha. Quando estou em companhia, considero obrigatório. Bebo um golinho se não estou com fome e bebo quando estou com fome. Caso contrário nunca toco nele, a não ser que esteja com sede.”

A formidável Madame Lily Bollinger faleceu aos 78 anos, aparentemente, nada pior por causa de todo aquele Champagne!

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No Brasil, vinhos chilenos são os mais consumidos. A história do vinho chileno, o mais consumido por brasileiros, começa em 1551, na primeira colheita de uvas feita por Francisco de Aguirre, na cidade de Copiapó. Os vinhedos eram de uma tinta simples, denominada país, a mesma varietal plantada por religiosos na Califórnia, chamada de mission.

À época, os vinhos foram usados em ofícios religiosos, mas logo seu consumo se tornou hábito, e o sucesso do vinho chileno, nos 270 anos da dominação espanhola, criou uma involuntária competição com vinhos da Espanha. E logo surgiram decretos proibindo novas plantações de uvas e aumentando impostos para coibir a concorrência.

A Coroa espanhola agiu ainda de forma drástica, proibindo exportações e arrancando videiras. Essas medidas ajudaram a fomentar a revolta contra os colonizadores, o que, combinado com os eventos políticos na Espanha e com as guerras napoleônicas, culminou, em 1810, com a luta pela independência.

A luta duraria até 1818, com a vitória das forças de Bernardo O’Higgins e de José de San Martín, este último um general argentino que atuou na libertação do Chile.

INFLUÊNCIA FRANCESA

A influência da França nos rumos do vinho chileno veio a seguir. As mudanças na vitivinicultura que se seguiram à independência são creditadas a ricos donos de minas.

Indo à França, se tornaram apreciadores dos vinhos franceses, em especial dos produzidos em Bordeaux, e levaram uvas bordalesas para o Chile, especialmente das varietais cabernet sauvignon, carmenère, malbec, merlot, sauvignon blanc e sémillon.

O pioneiro foi Silvestre Ochagavía, em 1851; ele foi seguido por outros fundadores de vinícolas ainda em atividade: Viña Concha y Toro, Viña Errazuriz, Víña Carmen, Viña Cousino-Macul, Viña San Pedro, Viña Santa Carolina e Viña Santa Rita etc.

Com as uvas, vieram técnicas francesas e houve ganho de qualidade. Outro fator que diferenciou os vinhedos chilenos foi a ausência da filoxera, praga que dizimou videiras ao redor do mundo, exceto no Chile, no final do século 19, por razões não totalmente compreendidas. Hoje, seu território é um santuário de videiras originais, centenárias, plantadas em pé-franco, sem a necessidade do uso de enxertia.

O período de prosperidade propiciado pelas exportações para a Europa, que à época não tinha como produzir vinhos, revitalizou vinhedos.

A retomada da produção em países tradicionais, como a França e a Itália, se seguiu à cobrança de pesadas taxas para a importação de vinhos, adotada em 1902. Com isso, o Chile perdeu o mercado internacional e viveu período de estagnação.

Em 1970, o governo Salvador Allende iniciou um processo de reforma agrária, com expropriação de terras e divisão das grandes propriedades, golpeando a indústria do vinho. Para completar, exportações caíram a nível mínimo no período Pinochet.

Os tempos difíceis foram superados e, entre a metade dos anos 1980 e os anos 1990, o Chile respirou novos ares, com investimentos em vinícolas e vinhedos, buscando locais de plantio. Estudos do “terroir” conduzidos por nomes como Pedro Parra e Marcelo Retamal resultam em novíssimas regiões de plantio e fazem surgir vinhos elegantes e inovadores.

Também está nascendo no Chile o enoturismo, atividade próspera que atrai apreciadores: boa parte deles são brasileiros.

Autor: ARTHUR AZEVEDO, médico e enólogo, foi presidente da Associação Brasileira de Sommeliers (SP) e edita a revista “Wine Style” e o site Artwine.

Via: Jornal Floripa

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Para quem ainda não sabe a Filoxera, Phylloxera vastatrix, Dactylosphaera vitifoliae, Viteus vitifolii ou simplesmente Filoxera é um tipo de pulgão, cujo tamanho varia de 0,3mm a 3mm de comprimento, conforme a fase de seu complexo ciclo de vida. Esta praga ataca várias partes da videira em diversos momentos do ano. O pulgão destrói as folhas da planta (que ficam amareladas prematuramente e caem), diminuindo sua capacidade de fazer fotossíntese. Mas o que geralmente a mata é o ataque do inseto às suas raízes, que são sugadas pelo pulgão. Dessa forma, as feridas abertas sofrem a ação de fungos que geram o apodrecimento – a verdadeira causa mortis da videira.

O ataque da praga na Europa aconteceu de forma semelhante às epidemias levadas por navegadores espanhóis às suas colônias americanas. Povos aborígines foram dizimados por vírus inofensivos aos europeus. É fundamental entender o contexto em que se deu a Filoxera. No final do século XIX, a economia européia era movida a vinho: nada menos que 80% da população da Itália vivia direta ou indiretamente dele. Na França, cerca de 20% da receita do Estado vinha do fermentado e 30% das pessoas trabalhavam diretamente com o produto. Em Portugal, o vinho do Porto era o item número um na balança comercial do país…continue a leitura… http://j.mp/nE4Xek.

A única região da Europa que resistiu a Filorexera foi Colares em Portugal:

A ligação de Colares ao vinho perde-se no tempo, mas há conhecimento que na altura da ocupação romana já se fazia vinho nesta região, posteriormente, em 1230, o Rei D.Afonso III, entregava terras aos nobres na condição de implementarem o cultivo da vinha.

A região de Colares ficou famosa nos finais do século XIX, mais precisamente em 1865, quando desabou sobre a viticultura mundial a sua maior ameaça, a filoxera. Este minúsculo insecto, proveniente das Américas, começou a chegar vivo à Europa quando a duração das viagens foi reduzida devido à introdução das máquinas a vapor nos barcos.

Curiosamente, as vinhas da região de Colares foram as únicas que resistiram à filoxera, uma vez que o insecto atacava a raíz das vinhas e não se propagava nos terrenos de areia, devido à profundidade das raízes, que por vezes chegavam aos 8 metros.

Em toda a Europa, exceto nesta região começaram a utilizar-se plantas americanas (resistentes ao inseto), enxertadas com castas europeias.

Nas vinhas desta Região, utilizam-se paliçadas de cana para proteger dos ventos marítimos dada a proximidade do mar. As características do terreno e o microclima desta região, em que as diferenças de temperatura entre o inverno e o verão não ultrapassam os dez graus centígrados, não permitem uma graduação elevada e conferem-lhe um inconfundível sabor.

O vinho produzido nos terrenos de areia é o famoso vinho de Colares de Chão de Areia, tem direito à denominação “D.O.C.-COLARES” e a casta Ramisco nos tinto e Malvasia nos brancos, têm uma representação mínima de 80%.

As vinhas plantadas nos terrenos argilosos, dão origem ao vinho de “Chão Rijo”, que tem direito à denominação “Regional Estremadura”.

Fonte de pesquisa: j,Baeta e Revista Adega

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Vinho_Madeira

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A Tannat foi introduzida por volta de 1870 para o Uruguai por imigrantes bascos, tornando-se então a “casta nacional”, bem adaptada ao seu solo e clima. Considerada uma variedade exótica, a demanda está crescendo rapidamente.

O Uruguai é o único produtor no mundo onde existem vinhedos significativos em quantidade ainda mais longas do que em sua terra natal: Madiran e Irouléguy, no sudoeste da França. A Tannat é cerca de um terço da superfície de vinhedos plantados no país.

Com a uva Tannat pode-se elaborar o vinho tinto de maior potencial em cor e corpo que é possível de ser transmitido. É um vinho preferido para acompanhar as refeições, principalmente carnes assadas. É um vinho forte e austero que irá surpreendê-lo.

As vinícolas uruguaias produzem vinho Tannat da qualidade Reserva através do envelhecimento em barricas de carvalho, conseguindo atenuar significativamente a sua dureza, com excelentes resultados. Sua complexidade e sólida estrutura nos permitem elaborar assemblages incomuns. Está sendo usada com Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc, mesmo com a Syrah.

As vinícolas também se dedicaram com esmero para desenvolver vinhos das melhores castas francesas como a Cabernet Sauvignon e Merlot, com envelhecimento em barricas de carvalho, ou vinhos brancos Chardonnay eSauvignon Blanc, de qualidade superior.

Fonte: winesofuruguay

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“Já disse mais bobagem sobre vinhos do que sobre qualquer assunto, com a possível exceção do orgasmo feminino e da vida eterna. Isto porque é impossível transformar em palavras as qualidades ou defeitos de um vinho, ou as sensações que ele provoca, assim como é impossível, por exemplo, descrever um cheiro e um gosto. Tente descrever o sabor de uma amora. Além de amplas e vagas categorias, como “doce”, “amargo”, “ácido”, etc., não existem palavras para interpretar as impressões do paladar. Estamos condenados á imprecisão ou ao perigoso terreno das metáforas. Tudo é literatura ”

Sobre a dificuldade de descrever as sensações proporcionadas pela degustação do vinho.

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O Brasil é o maior país da América Latina e é considerado o quinto maior produtor de vinhos no Hemisfério Sul. Vem elaborando vinhos desde o início de sua colonização, no começo do Século XVI. Atualmente, as regiões vinícolas brasileiras somam 83,7 mil hectares, divididos em seis regiões: Serra Gaúcha, Campanha, Serra do Sudeste e os Campos de Cima da Serra, no Rio Grande do Sul, Planalto Catarinense, em Santa Catarina, e Vale do São Francisco, no nordeste do país.

Hoje são mais de 1,1 mil vinícolas espalhadas pelo país, a maioria instalada em pequenas propriedades (média de 2 hectares por família). A cadeia produtiva da uva e do vinho combina técnicas que garantem a qualidade de seus rótulos, como a colheita manual, com tecnologia de ponta nos processos de viticultura e vinificação. Nessas condições, o Brasil consegue dar origem a vinhos frescos, frutados e equilibrados, com teor de álcool moderado e muito prazerosos.

1532 – O começo de tudo

As primeiras videiras são trazidas ao Brasil por Martim Afonso de Souza, que vem de Portugal com o objetivo de disseminar a agricultura na nova colônia. As mudas de Vitis vinifera são plantadas na Capitania de São Vicente, no sudeste do país, mas as condições desfavoráveis de clima e solo impedem que a experiência siga adiante. FOTO: Fragmento da obra Fundação de São Vicente, de Benedito Calixto.

1551 – Insistência Lusa

Membro da expedição colonizadora de Martim Afonso de Souza, o jovem Brás Cubas insiste no cultivo de videiras, transferindo suas plantações do litoral para o Planalto Atlântico. Em 1551, ele consegue extrair o caldo de uvas Vitis viniferas, elaborando o primeiro vinho brasileiro. Sua iniciativa, contudo, não é duradoura, devido às condições de clima e solo. FOTO: Fragmento da obra Nègres Cangueiros, de Jean-Baptiste Debret.

1626 – Estímulo divino

A chegada dos jesuítas à região das Missões impulsiona a vitivinicultura no extremo sul do Brasil. A introdução de videiras no Rio Grande do Sul é creditada ao Padre Roque Gonzales de Santa Cruz, que conta com a ajuda de índios guaranis na manutenção das plantas e na elaboração de vinho, elemento fundamental nas celebrações religiosas. FOTO: Fragmento de retrato de Padre Roque Gonzales de Santa Cruz.


1640 – Controle de qualidade

É realizada a primeira degustação orientada no Brasil, relatada na 1ª Ata da Câmera de São Paulo. A intenção é padronizar os vinhos comercializados no país, descartando os que não atingem qualidade mínima. A ação é voltada principalmente aos produtores do Sudeste, que seguem os passos de Brás Cubas e persistem no cultivo de uvas em locais inadequados. FOTO: STOCK XCHNG.

1732- Novos focos no sul

Imigrantes portugueses, principalmente os açorianos, passam a povoar a zona litorânea do Rio Grande do Sul, formando colônias nas cidades de Rio Grande, Pelotas e Porto Alegre, em um processo que se estende até 1773. Eles trazem na bagagem mudas de Vitis vinifera das ilhas dos Açores e da Madeira, mas a falta de incentivo e de técnicas adequadas de cultivo fazem com que as plantações não ganhem expressão. FOTO: Fragmento de painel pintado por Augusto Luiz de Freitas.

1789 – Reserva de Mercado

Percebendo a multiplicação das iniciativas em torno da vinicultura no Brasil, a corte portuguesa proíbe o cultivo de uva no país como forma de proteger sua própria produção de vinho. A medida inibe a comercialização da bebida na colônia e restringe a atividade ao ambiente doméstico. FOTO: STOCK XCHNG.

1808 – Popularização do Corte

No ano da transferência da coroa portuguesa para o Brasil, com a vinda da família real, não só é derrubada a proibição ao cultivo da uva como ganham corpo os hábitos em torno do vinho. A bebida é incorporada a refeições, reuniões sociais e às numerosas festividades religiosas. FOTO: Fragmento de retrato de Dom João VI pintado por Jean-Baptiste Debret.

1817 – Pioneirismo Meridional

O pioneirismo gaúcho na vinicultura se materializa na figura de Manoel Macedo, produtor localizado nas proximidades da cidade de Rio Pardo. Em um período que se estende até 1835, ele registra a elaboração de até 45 pipas em um ano, o que lhe rende a primeira carta-patente para a produção da bebida no país, concedida pela Junta do Comércio do Rio de Janeiro. FOTO: STOCK XCHNG.

1824 – Desembarque Europeu

O início da colonização alemã amplia o número de imigrantes interessados no cultivo da uva. Na mesma época, o italiano João Batista Orsi se estabelece na Serra Gaúcha e, com a concessão de Dom Pedro I para o cultivo de uvas europeias, torna-se um dos precursores da cadeia produtiva do vinho na região. FOTO: Fragmento de quadro de Ernst Zeuner

1840 – Alternativa Resistente

Pelas mãos do comerciante inglês Thomas Messiter, são introduzidas nas lavouras gaúchas as uvas Vitis lambrusca e Vitis bourquina, de origem americana. Mais resistentes a pragas e doenças, as mudas foram inicialmente plantadas na Ilha dos Marinheiros, localizada na Lagoa dos Patos, mas logo se espalham pelo Estado. FOTO: STOCK XCHNG.

1860 – Disseminação de uma cultura

A uva Isabel, uma das variedades americanas introduzidas no Rio Grande do Sul, ganha rapidamente a simpatia dos agricultores, por sua resistência a doenças. Há registros de que, por volta de 1860, ela já formava vinhedos nas cidades de Pelotas, Viamão, Gravataí, Montenegro e municípios do Vale dos Sinos. FOTO: Acervo Ibravin.

1871 – Primeiras exportações

A família real portuguesa começa a tomar consciência da produção enológica no sul do país. Em viagem à Europa e ao Oriente, Dom Pedro II embarca uma pequena carga de vinho nacional para mostrar aos anfitriões. As exportações, contudo, têm início só no ano seguinte, em quantidades pequenas, sob o título de Vinho Nacional de São Leopoldo. FOTO: fragmento de retrato de Dom Pedro II pintado João Maximiano Mafra.

1875 – O Marco Italiano

O grande salto na produção nacional de vinhos ocorre com a chegada dos imigrantes italianos ao Rio Grande do Sul. Trazendo de sua terra natal o conhecimento técnico de elaboração e a cultura do consumo da bebida, eles elevam a qualidade da bebida e conferem importância econômica à atividade. Muitos trazem mudas de viníferas da Europa, mas as abandonam em razão da dificuldade de adaptação. FOTO: fragmento de panfleto italiano estimulando a emigração para o Brasil.

1881 – Nasce um terroir

Ano do mais antigo registro de elaboração do vinho no Vale dos Vinhedos, no Rio Grande do Sul, com o apontamento de 500 mil litros produzidos na cidade de Garibaldi. O número consta em relatório feito em 1883 pelo cônsul da Itália, Enrico Perrod, depois de visita à região. FOTO: Reprodução.

1912 – União em torno do vinho

Com dificuldade para negociar preços com os comerciantes e os primeiros industriários do setor, os colonos recorrem ao sistema de cooperativismo. Esta primeira fase da iniciativa é marcada pela criação da União das Cooperativas de Porto Alegre. Boicotada por aqueles com quem precisava comerciar, a proposta não tem vida longa. FOTO: Reprodução.

1928 – Regularização para o Setor

Frente à concorrência desordenada, a oscilação da qualidade e o crescimento da importância da atividade, é criado o Sindicato do Vinho, uma tentativa de organizar o setor. A iniciativa é articulada por Oswaldo Aranha, então secretário estadual do governador Getúlio Vargas. FOTO: Fragmento de retrato de Oswaldo Aranha.

1929 – Segunda onda de cooperação

O associativismo é retomado pelos agricultores. Em um período de 10 anos, 26 cooperativas são fundadas, entre elas algumas que seguem atuando até hoje. O modelo dá competitividade aos pequenos produtores e os direciona a uma situação de equilíbrio, alcançado na década seguinte. FOTO: Acervo Cooperativa Vinícola Garibaldi.

1951 – Interesse estrangeiro

O ano da transferência da vinícola Georges Aubert da França para o Brasil marca o início de um ciclo que alavancou a vitivinicultura nacional. O interesse de empresas estrangeiras no país, que se consolidaria na década de 70 com a vinda de multinacionais do setor, aportou novas técnicas nos vinhedos e nas cantinas e elevou a qualidade da produção, além de ampliar as áreas de cultivo da uva. FOTO: Reprodução.

1990 – Mudança de Modelo

A melhoria das vinícolas, que ao longo da década de 80 foi marcada pela reconversão de vinhedos (troca do sistema latada por espaldeira e cultivo de variedades europeias em vez de americanas), ganha impulso a partir da abertura econômica do Brasil. O acesso a diferentes estilos de vinhos e a concorrência com os importados levam os produtores nacionais a aumentar a qualidade. FOTO: acervo Ibravin.

2002 – Identidades regionais

Com a vitivinicultura consolidada em diferentes regiões, do Sul ao Nordeste do país, cada zona produtiva investe no desenvolvimento de uma identidade própria para seus vinhos. O pioneiro neste rumo é o Vale dos Vinhedos, que conquista a Indicação de Procedência em 2002. Seguindo seus passos, Pinto Bandeira alcança a mesma certificação em 2010. FOTO: acervo Ibravin.

Via: Vinhos do Brasil

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Na Europa medieval, o deslocamento dos senhores feudais e dos príncipes para a conquista de novos territórios ou para a gerra era sempre seguido de comitiva numerosa.

Parte dessa comitiva, sempre na retaguarda, era formada pelos subalternos que transportavam alimentos e bebidas, panelas e caldeirões, talheres, copos e pratos. Essas mercadorias vinham dentro de fardos e constituíam a soma, somme, em francês, isto é, o conjunto de víveres com que se alimentavam os nobres de seu séquito. Por isso mesmo os animais de transporte e as viaturas eram chamados sommiers (sic).

Por uma evolução lingüística natural, os oficiais encarregados do transporte de tais passaram a ser chamados, inicialmente, sommierliers.

Mais tarde esse nome passou representar funções mais sofisticadas. Inicialmente nos palácios, mais tarde nos restaurantes, o nome era dado ao encarregado dos alimentos e das bebidas, de seu provimento, serviço e conservação.

Hoje em dia, cabe ao sommelier, além da adequada disposição, provimento, guarda e, em especial, harmonização com os vinhos a serem servidos, sendo seu mister fazer indicações ou orientar os comensais a esse respeito:

Fonte: (Euclides Penedo Borges op.cit.p-28)

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Qual a diferença entre as uvas Syrah, Shiraz e Petite Sirah? À primeira vista, não parece existir diferença diferenças entre elas por se tratar de diferentes nomes ou grafias para a mesma variedade de uvas.

A lenda conta que a Shyraz originalmente se desenvolveu na região de Shiraz, antiga cidade da Pérsia, atual Irã. Séculos mais tarde, levada ao Vale do Ródano, os franceses adaptaram a grafia e a pronúncia ao seu idioma. Na Austrália, hoje o maior e mais importante produtor dessa cepa, mantém-se a tradição de usar o seu nome original.

A despeito de serem da mesma qualidade botânica, a francesa Syrah e a australiana Shiraz refletem tipicamente diferentes estilos de vinificação. A australiana desenvolve-se principalmente nos Vales de Clare, Barossa e McLaren, onde o vinho de riqueza maior provém do clima mais quente e seco do Vale de Ródno. Os vinhateiros australianos algumas vezes fazem a fermentação das uvas Shiraz em tanque, mais retiram prematuramente as cascas do mosto, antes mesmo de a fermentação ter se completado. O vinho é então colocado seco ou em final de fermentação em barris de carvalho americano, de onde retira maior agressividade e desenvolve mais densidade e estrutura. Por último o vinho é transferido para o carvalho francês para completar o amadurecimento.

Certamente a Syrah francesa não apresenta uma falta de riqueza ou maturidade, mais apresenta um terroir e características diferentes da australiana.

Os franceses preferem um maior contato da casca para extraírem maior teor de taninos da uvas, em vez dos taninos da madeira. São envelhecidos em carvalho de sua própria terra, para adquirirem delicadeza e um suave amadeiramento, que não predomina no exame gustativo. São Exemplos de qualidade, E.Guigal e o Hermitage La Chapelle de Paul Jaboulet Ainé.

Todos os países produtores tentam cultivar a Shiraz. Alguns fazem vinhos realmente de destaque. Vale citar a Itália que tem conseguido excelentes resultados numa região não tradicionalmente produtora de grandes vinhos, como a Sicília. O exemplo maior é o extraordinário vinho chamado Solinero, de teor alcoólico em torno de 15°, complexidade aromática intensa, madeira delicada, mas não predominante, e grande estrutura para longa guarda.

O Chile produz o Montes Folly no novo Valle Apalta e o EQ produzido pela vinícola Matetic no Vale Del Rosario. Ambos com teor alcoólico de 14%.

Nos Estados Unidos da América do Norte a Shiraz é também muito cultivada e produz vinhos inesquecíveis. Os vinhos de maior prestigio, são os vinificados à maneira francesa do Ródano, tendo os nomes de Araujo Syrah Napa, Arrwood Syrah, Joseph Phelbs Syrah como os exemplos máximos. Os vinificados à maneira australiana produzem vinhos bons, mais não da mesma estatura.

Uma geração de enólogos e comerciante pensou tratar-se a Petite Syrah, que mais se desenvolveu na Califórnia, EUA, da mesma Shyraz ou Syrah. Pesquisa de DNA, conduzida por Carole Meredith na Universidade da Califórnia, mostrou que são aparentadas, mas não iguais. Descobriu-se que se tratava da cepa secundária Durif, desenvolvida na França nos anos de 1880.

A uva de origem da Durif é conhecida como Peloursin. É parente da Syrah, mas a identidade genética só pode ser provada só pode ser provada com o exame de DNA. Essa uva é grandemente cultivada na Califórnia desde o início do século passado e produz vinhos de coloração muito escura, taninos firmes. É utilizada também, na maioria das vezes, como uvas de corte para conferir cor e estrutura aos vinhos. Quando utilizada para vinhos varietais, produz vinhos longevos, mas sem a complexidade e a qualidade de uma Syrah.

Autor: Carlos José Vieira

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