O movimento natural chegou com tudo no mundo dos vinhos. Cada vez mais apreciadores da bebida de baco procuram rótulos menos industriais e com baixa porcentagem de aditivos químicos, que nesse mundo são divididos em três categorias: os vinhos naturais, os vinhos orgânicos e os vinhos biodinâmicos.

No caso dos orgânicos o cultivo é feito sem a utilização de agrotóxicos, substâncias sintéticas e adubos químicos. O intuito é manter o equilíbrio do ecossistema e proteger o meio ambiente, contribuindo, assim, para todos os envolvidos na cadeia – da terra ao consumidor final.

Já nos biodinâmicos começa com o cultivo orgânico das uvas, mas essa etapa é apenas o início de um trabalho minucioso e ancestral da agricultura que se baseia na observação das fases da lua, das estações do ano e da influência do sol sob as plantas.

E por fim os naturais. Embora ainda não haja uma legislação oficial, os vinhos são produzidos exclusivamente a partir do sumo da uva, sem a remoção ou adição de absolutamente nenhum elemento durante todo processo.

Na semana passada em virtude da 9ª edição da Vitória ExpoVinhos tive a oportunidade de conhecer pessoalmente o trabalho e os vinhos elaborados pelo casal Valentina Grez e Yves Pouzet, enólogos e proprietários da vinícola Tipaume, Chile. Em almoço na Cantina do Bacco, na Praia do Canto, eles explicaram como descrito acima, a filosofia biodinâmica, que resulta em vinhos mais frescos, complexos, saborosos e saudáveis. Ah, o bate-papo foi regado a uma pequena vertical de seus vinhos.

A vinícola nasceu em 1996 com 7 hectares no vale Alto Cachapoal, Chile. O enólogo Yves Pouzet, francês nascido em Beaujolais, França, com muita experiência internacional em países como India, Peru, USA e Brasil, decidiu firmar raiz no Chile e produzir vinhos orgânicos e biodinâmicos, no qual tem a certificação da Demeter.

Para iniciar os trabalhos foi servido Tipaume cremant 2009, um espumante rosé, produzido pelo método tradicional (9 anos em autólise), sem adição de açucar e uma mescla de 90% de Pinot Noir e 10% Viognier. Se mostrou bastante seco, com boa acidez e boa expressão da PN. Apenas 500 garrafas produzidas. Coisa finíssima!

Seguimos com uma memorável vertical com rótulos da vinícola Tipaume – Grez (Ânfroras de 150 litros) 2016, 2015 e 2013 – Tipaume (Barrica 400 litros) 2015, 2014, 2012 e 2008. Frescor, complexidade e elegância. Todos muito integros, mostrando sua capacidade de evolução.

Uma degustação vertical é quando varias safras do mesmo vinho são provadas de forma seqüencial. São colocados na mesa do provador 50 ml de cada safra. Os provadores analisam tecnicamente como as condições climáticas de cada ano, as técnicas de vinificação e os aspectos da viticultura podem influenciar nos aromas e nos sabores do vinho. Na prova podemos sentir as diferenças no aroma e no gosto de uma safra para a outra que são também influenciados pelos anos de guarda.

Os dois tem a mesma mescla e percentagem de uvas: Carmenére 60%, 30% Cabernet Sauvignon, 4% Merlot, 3% Lacrima Cristo, 2% Viognier e 1% Malbec, porem com métodos de vinificação diferentes.

Grez 2015 ( R$ 190,00)– vinificado em ânfora de barro, um dos mais antigos recipientes para conservar e transportar líquidos. A ânfora serve há mais de dois milénios para fazer vinho. Seu grande diferencial é a micro oxigenação natural proporcionada pela porosidade do barro. Tive a oportunidade de provar o resultado. Uma delícia, fruta limpa, fresca, mineral e toques terrosos. A minha praia no momento.

Tipaume 2015 (R$ 150,00) – a vinificação do Tipaume acontece em barris de carvalho de 400 litros (20% dos quais são novos). Nesse caso ganha uma textura mais sedosa, sedutora, com notas de café, baunilha…tudo muito sutil sem atropelar a fruta, e que fruta, sempre em destaque.

As safras disponiveis do Tpaume e do Grez são 2015 e podem ser adquiridas com Boris Azevedo da importadora Santiago Vinhos pelo telefone (27) 98178-6379 ou pelo email boris@santiagovinhos.com.br. Além disso, visitas a vinícola também podem ser agendadas pelo mesmo contato.