Referência máxima de vinhos do Douro, a Casa Ferreirinha do grupo Sogrape, apresenta um portfólio amplo liderado pelo mítico Barca Velha, seguido ainda por outras referências como o Reserva Especial, o Quinta da Leda ou o Callabriga, como também celebrados vinhos de maior volume, o Vinha Grande, Papa-Figos e Esteva.

Recentemente na cidade do Porto em Portugal, durante a Essência do Vinho – Porto 2017, participei de uma vertical inesquecível do Vinha Grande, conduzida pelo enólogo Luís Sottomayor, que arrancou suspiros dos participantes, ficando impressionados com a longevidade e complexidade desse vinho.


Não tenho dúvida que uma das melhores formas de conhecer um vinho, é participar de uma degustação vertical, quando várias safras do mesmo vinho estão lado a lado. Nesse caso se consegue avaliar não só as diferentes manifestações do terroir onde as videiras estão plantadas, como também as variações do clima e também o trabalho do enólogo.

O Vinha Grande é elaborado com as castas tradicionais da região do Douro: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Barroca, Tinta Roriz, e estagia por 12 a 18 meses em barrica de carvalho francês usadas.  

Vinhos em prova: Casa Ferreirinha Vinha Grande tinto 1975, Casa Ferreirinha Vinha Grande tinto 1990, Casa Ferreirinha Vinha Grande tinto 1997, Casa Ferreirinha Vinha Grande tinto 2005, Casa Ferreirinha Vinha Grande tinto 2014.


Enólogo talentoso, Luís Sottomayor imprime a seus vinhos a elegância em detrimento da potência. Ao contrário do que se pensa, Portugal também tem anos mais difíceis, que exigem muito trabalho por parte do enólogo, em especial na seleção de uvas e no corte final dos vinhos, buscando sempre produzir o melhor possível em cada safra.


1975

Na degustação o Casa Ferreirinha Vinha Grande 1975, foi o grande destaque, deu um show de elegância e sofisticação. De cor atijolada, o vinho mostrou muita complexidade e delicados aromas de especiarias, chá, fumo e medicamento. No paladar chamou atenção pela vivacidade, equilíbrio e pela extrema fineza dos taninos de textura sedosa. Um vinho que apesar dos seus 42 anos poderá ser apreciado pelos próximos 10 tranquilamente. 

1990

Visual rubi atijolado com halo tendendo ao castanho evidenciando um vinho evoluído. Tanto o nariz quanto a boca já apresentavam algumas notas oxidativas. Na boca a fruta me pareceu ligeiramente passada. Vinho já em princípio de curva descendente. Álcool e madeira integrados. Taninos macios com acidez e persistência médias. 

1997

Visual rubi atijolado com halo tendendo ao castanho evidenciando um vinho já evoluído. O vinho se destacou pelo equilíbrio. No nariz, boa complexidade de aromas. Na boca, taninos macios, média acidez, complexo e extremamente elegante. Álcool e madeira perfeitamente integrados. Persistência média.

2005

Visual rubi profundo. Nariz e boca equilibradíssimos com fruta exuberante e taninos muito agradáveis. Potente tanto no nariz quanto na boca. Extremamente complexo e elegante. Excelente persistência. Madeira integrada e álcool equilibrado. Um vinho que consegue aliar potência e elegância. Grande potencial para evoluir.

2014

Visual rubi profundo com reflexos violáceos. Fruta exuberante. Ainda um pouco primário. Ligeiramente tânico e lácteo. Ótima persistência. Madeira e álcool presentes sem, contudo, comprometer seu equilíbrio. Necessita mais tempo de guarda.

No brasil é importado com exclusividade pela www.zahil.com.br. Preço da safra atual – 169 reais.