Amigos, dentre os vários tipos de Vinhos do Porto, os “Colheita” me agradam mais. Além de entregar uma paleta de aromas e sabores mesmo novos (mel, casca de laranja, especiarias, chá…) tem a vantagem que depois de aberto podem ser consumidos ao longo de alguns meses sem perder suas características.

Por regra permanecem um mínimo de 7 anos em cascos, porém na real ficam muito mais. É possível encontrar no mercado Colheitas muito antigos, como comprovado no post anterior, com um da década de 40, e neste (como comentado no decorrer deste texto), que ficou por 60 anos em madeira antes de chegar às prateleiras para venda. Normalmente permanecem em cascos e são engarrafados somente com a demanda de mercado e trazem a data de engarrafamento na garrafa. Na Kopke os rótulos são pintados e a cápsula vedada com cera, tudo feito à mão.

Por envelhecer em barricas e não na garrafa, estando assim em contato com o oxigênio, existe uma suposta perda de cerca de 0,2% do álcool ao ano. Este teor alcoólico é corrigido anualmente com a adição de uma quantidade mínima de aguardente.

No Essência do Vinho – Porto 2017 tive a oportunidade de participar no Salão Árabe do Palácio da Bolsa, de uma prova incrível com 6 décadas de Colheitas do produtor Kopke, comentada pelo enólogo Carlos Alves.

“Fundada em 1638, ainda antes da demarcação da Região do Douro, a Kopke ostenta orgulhosamente o título de casa mais antiga de Vinho do Porto. O terroir, a geografia, as castas, o envelhecimento em cave e as práticas seculares artesanais dos Colheita verdadeiros sinais do tempo.”

Vinhos em prova vertical – Kopke Colheita 1957, Kopke Colheita 1967, Kopke Colheita 1978, Kopke Colheita 1981, Kopke Colheita 1999, Kopke Colheita 2007.

Os vinhos foram provados em separado, do mais novo para o mais velho, sob comando do enólogo e com comentários dos participantes. Ficou claro pra mim que na sua evolução, a coloração amarelo vai mudando para um (âmbar) alaranjado, seus aromas passam de frutas frescas, nozes, avelãs, baunilha – para cacau, caramelo, remédio, iodo, amêndoa e mel. Sem falar no álcool, que vai se integrando diante do tempo, tornando cada vez mais coadjuvante. O paladar reflete essa integração, aumentando a complexidade, porém mantendo a ótima acidez, presente em todas as safras, dando vivacidade, frescor e equilibrio ao conjunto.

Muito feliz por participar dessa prova histórica! Grato aos envolvidos!