Qual a diferença entre as uvas Syrah, Shiraz e Petite Sirah? À primeira vista, não parece existir diferença diferenças entre elas por se tratar de diferentes nomes ou grafias para a mesma variedade de uvas.

A lenda conta que a Shyraz originalmente se desenvolveu na região de Shiraz, antiga cidade da Pérsia, atual Irã. Séculos mais tarde, levada ao Vale do Ródano, os franceses adaptaram a grafia e a pronúncia ao seu idioma. Na Austrália, hoje o maior e mais importante produtor dessa cepa, mantém-se a tradição de usar o seu nome original.

A despeito de serem da mesma qualidade botânica, a francesa Syrah e a australiana Shiraz refletem tipicamente diferentes estilos de vinificação. A australiana desenvolve-se principalmente nos Vales de Clare, Barossa e McLaren, onde o vinho de riqueza maior provém do clima mais quente e seco do Vale de Ródno. Os vinhateiros australianos algumas vezes fazem a fermentação das uvas Shiraz em tanque, mais retiram prematuramente as cascas do mosto, antes mesmo de a fermentação ter se completado. O vinho é então colocado seco ou em final de fermentação em barris de carvalho americano, de onde retira maior agressividade e desenvolve mais densidade e estrutura. Por último o vinho é transferido para o carvalho francês para completar o amadurecimento.

Certamente a Syrah francesa não apresenta uma falta de riqueza ou maturidade, mais apresenta um terroir e características diferentes da australiana.

Os franceses preferem um maior contato da casca para extraírem maior teor de taninos da uvas, em vez dos taninos da madeira. São envelhecidos em carvalho de sua própria terra, para adquirirem delicadeza e um suave amadeiramento, que não predomina no exame gustativo. São Exemplos de qualidade, E.Guigal e o Hermitage La Chapelle de Paul Jaboulet Ainé.

Todos os países produtores tentam cultivar a Shiraz. Alguns fazem vinhos realmente de destaque. Vale citar a Itália que tem conseguido excelentes resultados numa região não tradicionalmente produtora de grandes vinhos, como a Sicília. O exemplo maior é o extraordinário vinho chamado Solinero, de teor alcoólico em torno de 15°, complexidade aromática intensa, madeira delicada, mas não predominante, e grande estrutura para longa guarda.

O Chile produz o Montes Folly no novo Valle Apalta e o EQ produzido pela vinícola Matetic no Vale Del Rosario. Ambos com teor alcoólico de 14%.

Nos Estados Unidos da América do Norte a Shiraz é também muito cultivada e produz vinhos inesquecíveis. Os vinhos de maior prestigio, são os vinificados à maneira francesa do Ródano, tendo os nomes de Araujo Syrah Napa, Arrwood Syrah, Joseph Phelbs Syrah como os exemplos máximos. Os vinificados à maneira australiana produzem vinhos bons, mais não da mesma estatura.

Uma geração de enólogos e comerciante pensou tratar-se a Petite Syrah, que mais se desenvolveu na Califórnia, EUA, da mesma Shyraz ou Syrah. Pesquisa de DNA, conduzida por Carole Meredith na Universidade da Califórnia, mostrou que são aparentadas, mas não iguais. Descobriu-se que se tratava da cepa secundária Durif, desenvolvida na França nos anos de 1880.

A uva de origem da Durif é conhecida como Peloursin. É parente da Syrah, mas a identidade genética só pode ser provada só pode ser provada com o exame de DNA. Essa uva é grandemente cultivada na Califórnia desde o início do século passado e produz vinhos de coloração muito escura, taninos firmes. É utilizada também, na maioria das vezes, como uvas de corte para conferir cor e estrutura aos vinhos. Quando utilizada para vinhos varietais, produz vinhos longevos, mas sem a complexidade e a qualidade de uma Syrah.

Autor: Carlos José Vieira

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