Tendência de consumo, os vinhos “laranjas” estão conquistando o paladar de enófilos antenados, que procuram cada vez mais novas e agradáveis sensações na taça. Eles são uma releitura dos vinhos produzidos nas origens da viticultura, cerca de 5.000 anos atrás, que se deu provavelmente na República da Geórgia, no Cáucaso.

Josko Gravner, reconhecido enólogo do Friuli na Itália, foi o precursor na elaboração deste estilo. Abandonou o casual quando o mais lucrativo era produzir vinhos modernos na Itália, para voltar a arte da vinificação perdida no tempo. Gravner optou pela vinificação em ânforas (recipientes de barro) trazidas da Geórgia, que amplificam a pureza dos seus vinhos.

A primeira atração desse estilo de vinho é a sua coloração alaranjada (embora não sejam todos assim), que pode se alternar entre o dourado intenso e o âmbar, brilhante ou com certa turbidez, oriundo do processo de produção. Para explicar de uma forma simples, o vinho laranja é um branco produzido como um tinto. A suco da uva fica em contato com as cascas. Esse contato, que transfere cor aos vinhos, originado da casca. A exposição ao oxigênio e a utilização das ânforas de barro e em outros materiais, reforça esta coloração.

Em geral, os vinhos laranjas revelam uma enorme complexidade, apresentando desde notas florais, cítricos, frutas secas, de cogumelos, e até intensas notas minerais. A estrutura é firme, lembrando um tinto, porém com frescor e mineralidade de um grande vinho branco.

Quando o assunto é harmonização os vinhos laranjas se saem muito bem. Além de peixes e frutos do mar, pratos temperados, como por exemplo da cozinha tailandesa, carnes de frango e porco, e até intensas como a de cordeiro.

Apesar da Itália ser o maior expoente e com maior oferta de rótulos desse estilo, países como Eslovênia, Brasil, Chile e Argentina vem apresentando bons resultados a preços bem mais atrativos. Hoje indico alguns rótulos que provei e estão disponíveis no mercado capixaba e brasileiro.

Dettori Bianco Romangia IGT 2011 – Itália | sardegna – R$ 169,60 – www.decanter.com.br

Elaborado 100% com uva Vermentino e 36 meses em tanques de cimento, apresenta visual dourado, aromas de laranja, floral, defumado e ervas. Paladar estruturado, com boa acidez que da vida e equilíbrio.

Simcic Marjan Rebula 2012 – Eslovênia \ Goriška Brda – R$ 120 – www.decanter.com.br

Elaborado 100% com a uva Rebula e 8 meses em cubas de inox, apresenta visual dourado, aromas com destaque para notas cítricas e de ervas. Paladar frutado, denso, com mineralidade destacada.

Dettori Renosu Bianco Romangia IGT 2010 – Itália \ Sardegna – R$ 115 – www.decanter.com.br

Eleborado com um corte de uvas Vermentino, Moscato de Sennori e passagem por 24 meses em tanques de cimento, apresenta visual com nuançes alaranjadas, aromas de pêssegos, ervas mediterrâneas e grande. Paladar equilibrado com longo final.

De Martino Muscat Viejas Tinajas 2013 – Chile | Itata – R$ 110 – www.decanter.com.br

Elaborado 100% Muscat (Moscatel de Alexandria) e passagem por 12 meses em ânforas centenárias de argila, apresenta visual laranja, aromas de casca de laranja, pitanga, lichia e jasmim. Paladar com denso, com leve dulçor, equilibrado pela bela acidez.

Damijan Podversic Nekaj 2010 –  Itália | Friuli – R$ 330 – www.decanter.com.br

Elaborado com 100% a uva Friulano (Vinhas 10-60 anos) e passagem por 36 meses em grandes cubas de carvalho, apresenta visual alaranjado, aromas de frutas cristalizadas, especiarias, floral, mel e de frutas secas. Paladar com textura oleosa, boa acidez, corpo médio e longo final. 

Gravner Ribolla Gialla 2006 – Itália | Friuli – R$ 458 – www.decanter.com.br

Elaborado 100% com a uva Ribolla Gialla e passagem por 36 meses em botti de carvalho da Eslavônia, visual alaranjado, aromas de frutas cítricas, mel,  especiarias, e um leve toque oxidativo. Paladar seco, untuoso, com boa acidez e longo final.

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