Um projeto de pulso – Parte II – Quinta de Bella no Dão e Colinas de São Lorenço na Bairrada
Postado pormai 20
Continuando a viagem por Portugal, com uma recepção mais do que generosa de Carlos Lucas, Ceo do grupo Ideal Drinks, um pessoa divertida, animada e chegada à uma boa mesa. Isso ajuda muito nessas viagens para regiões vinícolas, ás vezes um pouco cansativas, que não foi o caso.
Nessa “excursão vínica”, além de Carlos Lucas, tive um bravo companheiro, Dias Lopes, um conhecedor entusiasmado, jornalista do mais alto gabarito de São Paulo.
Partimos no segundo dia para o Dão, no centro Norte de Portugal, região protegida dos ventos pelas serras do Carmulo, Montemuro, Buçaco e Estrela. As vinhas situam-se entre os 400 e os 700 metros de altitude, em planaltos de solos xistosos e graníticos de pouca profundidade, onde abundam os pinhais, produzindo vinhos encorpados com elevada capacidade de envelhecimento em garrafa. Considerados os Borgonhas de Portugal.
O clima de influência continental apresenta extremos, com Invernos frios e chuvosos e verões quentes e secos. Inicialmente a vinha foi desenvolvida pelo clero, especialmente pelos monges de Cister. Em 1908, tornou-se segunda região demarcada portuguesa. Com a entrada de Portugal na Comunidade Europeia, em 1986, as vinhas passaram por um processo de reestruturação, com novas técnicas vinícolas e escolha de castas apropriadas.
O Dão apresenta uma grande diversidade de castas, entre as quais as tintas Touriga Nacional, Alfrocheiro, Jaen e Tinta Roriz, e nos brancos, o Encruzado, Bical, Cercial, Malvasia Fina e Verdelho.
A parada na região foi em freguesia de Fragosela, vizinha da cidade de Viseu, para visitar uma extensa propriedade de aproximadamente 70 hectares que se desenvolve a partir da margem do rio Dão e dá origem ao vinho Dom Bella.
A vinha, parcialmente reenxertada e ampliada através de novas plantações, ocupa atualmente a área de 25 hectares dedicados às castas Touriga Nacional e Sauvignon Blanc, estando programada a plantação adicional de oito hectares de vinha.
Com um estreito compasso de plantação, pratica-se uma viticultura sustentável tradicional, evitando ao máximo a utilização de herbicidas, inspirada na ancestral técnica francesa de Bordaux e Borgonha denominada “Les Quatre Façons”. Uma intervenção humana que respeita e valoriza a riqueza natural do Térroir, potenciando a expressão do seu carácter na produção de vinhos tintos e brancos de excepção.
A marca da propriedade – Dom Bella – inspira-se num enigmático e curioso Senhor que, em tempos recentes, se surpreendeu e fascinou pelo potencial deste magnífico Térroir e, com a paixão e determinação que o caracterizam, decidiu abraçar o desafio de produzir dos melhores vinhos da região. Uma marca desenvolvida em torno de um imaginário inusitado, com um toque de irreverência, que nos provoca e desafia a descobrir complexos e surpreendentes sabores.
Dom Bella 2010
– 100% Toutiga Nacional
Visual rubi purpura com aromas de frutas vermelhas frescas, toque terroso, mineral e um fundo denotando mentol. Em boca, está jovem, mas já pronto com taninos macios, estruturado e uma ótima acidez. Deve evoluir muito bem. Perfeito para pratos a base de caça. 13% de álcool. Nota: 90/100
Seguimos para a Bairrada, que estende-se na Beira Litoral, entre Águeda e Coimbra, até às dunas do litoral. A Bairrada tem um clima suave, temperado pela proximidade do Oceano Atlântico. Apesar da produção de vinho existir desde o século X, foi no século XIX que se transformou numa região produtora de vinhos de qualidade tintos, brancos e espumantes.
Na região destacam-se dois tipos de solos que originam vinhos diversificados: os argilosos, cujo barro deu origem ao nome Bairrada, e os solos arenosos. A casta Baga já foi a variedade tinta dominante na região. Cultivada nos solos argilosos, origina vinhos carregados de cor e muito ricos em taninos, que lhes dão elevada longevidade. Nas castas brancas, plantadas nos solos arenosos da região, destacam-se as castas Bical e Fernão Pires, na região denominada Maria Gomes, que origina vinhos brancos delicados e aromáticos. Os espumantes naturais da região são muito utilizados a acompanhar a cozinha local, como o tradicional Leitão da Bairrada, que falarei em breve.
Recentemente, foi permitido na região DOC da Bairrada plantar castas internacionais, como a Cabernet Sauvignon, Syrah, Merlot e Pinot Noir que partilham os terrenos com as castas nacionais.
As COLINAS DE S. LOURENÇO foi a primeira propriedade a integrar o Grupo Ideal Drinks, uma moderna quinta.
Adquirida em 2009, esta extensa propriedade está implantada em São Lourenço do Bairro, Anadia, no coração da Bairrada, zona vitivinícola por excelência e Região. Os 50 hectares de vinha espalham-se pelos solos argilo-calcários das suaves colinas típicas da Região, as quais deram origem ao seu nome.
A vinha, que foi totalmente remodelada e replantada com diversas castas nacionais e internacionais - Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Merlot, Petit Verdot, Syrah,Pinot Noir, Pinot Meunier, Chardonnay, Sauvignon Blanc e Arinto -, permite produzir uma ampla e diversificada gama de produtos, incluindo vinhos tintos, rosés, brancos e espumantes.
A adega da quinta, recentemente construída de acordo com os melhores exemplos a nível mundial, recorre à mais moderna tecnologia de vinificação, fazendo toda a movimentação dos líquidos e massas por gravidade. As amplas salas de estágio, equipadas com as melhores barricas de carvalho francês, reúnem as condições ideais para o tranquilo repouso dos vinhos que, normalmente, também estagiam em garrafa durante vários anos. Os vinhos de reserva destinados à produção dos espumantes envelhecem também nestas salas em imponentes tonéis de reserva.
O berçario
Colinas espumante Brut Reserva 2009
- Pinot Noir, Chardonnay, Pinot Meunier
Visual amarelo dourado, com perlage abundante e intenso. No nariz merece destaque com notas de frutas brancas, leveduras e levemente tostado. Paladar com boa estrutura e volume. Acidez, cremosidade, com final limpo e de boa persistência. 12,5% de álcool. Nota: 88/100
Principal Tête rosé de cuvée 2010 – 100% Pinot Noir
Visual rosado claro, delicado, lembrando um Provence. Nariz com nota de fruta vermelha e muito mineral. Em boca, mostrou elegância, aliado a uma estrutura gastronômica. Confirmou as notas do nariz. Final logo e agradável. 12,5% álcool. Nota: 92/100
Principal tinto Gran Reserva 2009
- Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Merlot
Visual vermelho rubi intenso, aromas de frutas vermelhas e negras, notas florais e tostadas. Aparece também leve herbáceo e fumo. No paladar mostrou potente, equilibrado, boa acidez e taninos finos. Final intenso e longo. 13,5% de álcool. Nota: 90+/100
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