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Como prometido segue o terceiro capítulo do curso Aprendiz de Sommelier, apresentado por Didu Russo, editor do blog www.didu.com.br. Para quem perdeu o primeiro capítulo > aqui e o segundo > aqui. O intuito é de ajudar pessoas que se interessam por vinho e muitas vezes não têm condições de fazer um curso, seja por falta de dinheiro, ou por falta de tempo ou ainda por não ter cursos em suas cidades.

Os vinhos biodinâmicos, orgânicos e naturais estão virando tendência. Particularmente tem me dado um novo ânimo para seguir em frente na minha curta caminhada vínica. São vinhos puros, autênticos, mais francos e com muita história para contar.

Semana passada estive provando mais uva vez, porém com muita atenção, os três vinhos da safra 2008 de Nicolas Joly, vinicultor Francês, da região do Loire, pioneiro e uma das principais personalidades do vinho biodinâmico. Seus vinhos são constantemente citados como um dos melhores vinhos brancos secos do mundo.

Nenhuma outra propriedade no Loire desperta tanta paixão e opinião diversa como a propriedade de Coulée-de-Serrant. Muitos produtores lançam um olhar de inveja sobre suas premiadas vinhas Chenin Blanc, sem dúvida, o mais privilegiado terroir dentro da denominação. 

A propriedade começou sua atividade em 1839, quando foi projetada pelo arquiteto Edouard Moll. É uma residência de grande beleza, que sobreviveu a duas guerras mundiais e permanece praticamente inalterada até hoje. Passou por sucessivas gerações da família Walsh de Serrant do século 18 ao início do 19. Em 1840 a propriedade passou para família Trémoille onde permaneceu até 1894, quando, ameaçado com o custo de ter que replantar toda a vinha após filoxera, os Trémoïlles decidiram vender. O momento crucial da sua história veio em 1962, quando André Joly comprou a propriedade. Seu filho Nicolas continua até hoje com grande energia, defendendo suas opiniões controversas e apaixonadas.

As vinhas são totalmente certificadas “biodinâmica” desde 1985. São produzidos três vinhos distintos; todos a partir da casta Chenin Blanc, porém em diferentes terroirs e métodos de vinificação. 

O Les Vieux Clos (R$ 73,00), vinho de entrada da vinícola é 100% fermentado em aço inoxidável e produzido a partir de vinhas de menor expressão do terroir. Já o Clos de la Bergeri (R$ 110,00), é fermentado em barricas de carvalho de várias idades a partir de vinhas de baixo rendimento de um terroir diferente da Coulée de Serrant. E por fim, o Clos de la Coulée de Serrant (R$ 318,00), produzido a partir de vinhas de baixo rendimento, de terroir privilegiado, montanhoso, fermentado em barricas de carvalho novo. Na taça os vinhos se mostraram únicos e complexos, oferecendo um bouquet incrível (mel, damasco, remédio…) e paladar cheio de acidez, frescor e mineralidade. Uma loucura!!! Mas em minha opinião, a diferença entre os três não justifica. Comprarei o de entrada por 73 dilmas, uma verdadeira pechincha.

Os preços citados são de uma tabela promocional com 50% de desconto. Aos interessados > aroldonatal@brazilexplorer-es.com.br.

Pelos próximos dois anos, a Associação Brasileira de Enologia contará com um novo presidente. Juliano Perin foi eleito por unanimidade em assembleia que ocorreu na noite do dia 11 de dezembro, no Dall’Onder Grande Hotel. A eleição ocorreu após uma breve explanação das propostas que Juliano apresentou aos associados. O candidato pertencia a uma chapa única e vem para suceder e dar continuidade ao trabalho de Luciano Vian, que se despede em janeiro de 2015 do comando da entidade.

Mestre em Ciência e Tecnologia de Alimentos com especialização em Nutrição Humana e Saúde, o enólogo Juliano Perin foi homenageado pela ABE em 2013 com o título de Enólogo do Ano, o que comprova o seu comprometimento com a enologia. Como presidente à frente da ABE, Juliano afirma que manterá o trabalho desenvolvido pela entidade, com foco na valorização do associado através de palestras, degustações temáticas e experiências imersivas. Como novidade, Perin pretende enfatizar ainda mais a questão das visitas técnicas, promovendo conhecimento em todos os âmbitos aos profissionais do vinho, reforçando seu comprometimento com a categoria.

Licenciado em Enologia e Indústria Fruti-hortícola pela Universidad Juan A. Mazza – Faculdad Tecnológica de Enologia y de Industria Frutihortícola, Don Bosco, em Mendoza, Argentina, Juliano atua desde 2000 como gerente de Enologia na Chandon do Brasil, em Garibaldi (RS).

Despedida

Luciano Vian, enólogo que deixa a presidência da ABE no dia 1º de janeiro de 2015, quando ocorre a posse de Juliano, fez um breve balanço de sua gestão. Emocionado, enfatizou a importância de trabalhar em equipe, o que faz a ABE uma entidade de reconhecimento mundial. “O presidente é a figura que leva críticas e elogios. Mas nada disso seria possível se não fosse o comprometimento de todos os associados da nossa entidade”, finalizou.

Nominata – Diretoria da ABE Gestão 2015 – 2016

Presidente: Juliano Daniel Perin

Vice-Presidente: Samuel Cervi

1° Tesoureiro: Dario Crespi

2° Tesoureiro: Gabriel Carissimi

1º Secretário: Luciano Vian

2ª Secretário: Leocir Bottega

Diretor Social: Christian Bernardi

Diretor de Eventos: André L. F. Peres Júnior

Diretor de Eventos: Daniel Salvador

Diretor de Degustação: Larissa Bettú

Diretor de Degustação: Gilberto Simonaggio

Diretor Cultural: Ricardo Morari

Diretor Técnico em Viticultura: Carlos Abarzúa

Diretor Técnico em Viticultura: João C. Taffarel

Diretor Técnico em Enologia: Edegar Scortegagna

Diretor Técnico em Enologia: André De Gasperin

Turistas poderão participar da colheita, degustar uvas e vinhos, viver a pisa, saborear um piquenique nos parreirais, passear de tuc-tuc, visitar o Ecomuseu da Cultura do Vinho e ainda contemplar paisagens de tirar o fôlego

Quem visitar os empreendimentos da Rota Cantinas Históricas, no interior de Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha, de janeiro a março vai poder viver muitas experiências. Durante os três meses, a rotina seguirá a colheita da uva com atrações variadas como a pisa das uvas e o edredom nos parreirais, por exemplo. A ideia é levar o turista a viver uma vindima sensorial, com vivências únicas e inesquecíveis.

A paisagem da rota já indica que a vindima se aproxima. Os vinhedos que conduzem o visitante pelo roteiro estão carregados de uvas, que aguardam a maturação para serem colhidas. Tons de verde invadem um cenário privilegiado pela natureza. Enquanto não vira o calendário, produtores de uva e vinhateiros alinham atividades para levar turistas a vivenciar a vindima despertando os sentidos.

A partir de janeiro, o Armazém das Cantinas Históricas terá uma programação especial para quem deseja participar de um dia de colheita, com pisa das uvas e degustação de vários tipos da fruta, além de um passeio de tuc-tuc (trator típico da região) pelos parreirais. Para quem aprecia um piquenique a Cristófoli Vinhedos e Vinhos Finos tem o charmoso e inusitado Edredom nos Parreirais, que reúne vinhos, espumantes e produtos típicos regionais num edredom super aconchegante sob o vinhedo. A opção pode ser desfrutada de manhã ou de tarde, mediante agendamento prévio.

Para quem curte unir cultura, história e natureza o Ecomuseu da Cultura do Vinho da Dal Pizzol é parada obrigatória. Lá, o visitante pode caminhar entre plantas nativas, exóticas e frutíferas catalogadas em meio a animais como pavões, gansos e coelhos à beira de lagos. O acervo conta, ainda, com uma sala de exposições que reúne garrafas históricas que contam a história do vinho no Brasil e no mundo. Ânforas, objetos de museu e uma coleção de saca-rolhas compõem a coleção. O local também abriga o Vinhedo do Mundo, hoje com 360 variedades de uvas, o que o coloca entre as três maiores coleções privadas do mundo. E para completar, uma Enoteca, com garrafas consideradas peças de museu, que ficam armazenadas numa antiga olaria da família, registrando a produção dos 40 anos da vinícola. No Enoteca Dal Pizzol, um pitoresco restaurante ao lado dos lagos, que atende grupos pré-agendados, é possível provar cardápios temáticos que resgatam as tradições dos imigrantes italianos que colonizaram a região.

O roteiro conta com a Casa Dequigiovanni, um espaço gastronômico com cardápios regionais que se unem a arte dos vinhos e espumantes, embalados por apresentações artísticas conduzidas pelo proprietário. A Montevino e Estrelas do Brasil se diferencia por estar no alto da montanha, um lugar privilegiado e digno de ser apreciado com uma taça de espumante na mão. Na Vinícola Mena Kaho o turista tem a oportunidade de provar vinhos e sucos orgânicos. No local também são oferecidos jantares mediante agendamento prévio. Outra opção para quem aprecia vinhos finos é a Vinícola Monte Rosário, com vista panorâmica dos vales e montanhas.

Para completar, a Vistamontes Sucos Naturais, instalada em uma casa centenária construída com pedras extraídas do solo da propriedade, especializou-se na produção de sucos com qualidade superior. A paisagem do local é formada por montes cobertos por vinhedos, muitos deles sustentados por plátanos. Para todas as atrações recomenda-se agendamento direto com os empreendimentos. Mais informações: www.cantinashistoricas.com.br.

CONTATOS

ARMAZÉM DAS CANTINAS HISTÓRICAS

Agendamento para grupos a partir de 15 pessoas.

De segunda a sábado, das 8h às 19h

Aos domingos, das 8h30min às 12h

www.armazemdascantinashistoricas.blogspot.com.br | (54) 3439-1168 (54) 9931-3748

CASA DEQUIGIOVANNI

Atende somente por agendamento.

www.casadequigiovanni.com.br | (54) 3454-3200 (54) 9944-8156

CRISTOFOLI VINHEDOS E VINHOS FINOS

Agendamento a partir de seis pessoas. Refeições somente para grupos de oito a 20 pessoas mediante reserva antecipada.

De segunda a sexta-feira, das 8h às 11h30min e das 14h às 17h

Nos finais de semana e feriados, das 9h30min às 17h

www.vinhoscristofoli.com.br | (54) 3439.1190 (54) 9917.1903

DAL PIZZOL VINHOS FINOS ECOMUSEU DO VINHO

Agendamento para grupos a partir de oito pessoas.

De segunda a sexta-feira, das 9h às 11h30min e das 14h às 17h

Nos finais de semana e feriados, das 9h30min às 17h

www.dalpizzol.com.br | (54) 3449-2255

MONTEVINO ESPUMANTES ESTRELAS DO BRASIL

Atendimento somente através de agendamento.

www.estrelasdobrasil.com.br | (54) 3439-1089 (54) 9924-1016

VINÍCOLA MONTE ROSÁRIO

Visita e degustação.

De segunda a sexta-feira, das 7h30min às 12h e das 13h30min às 17h45min

monterosario@cantinashistoricas.com.br | (54) 3439.1193

VISTAMONTES SUCOS NATURAIS

Atendimento somente através de agendamento.

www.vistamontes.com.br | (54) 9603-3230

VINÍCOLA MENA KAHO

Visita e degustação. Agendamento para grupos a partir de 20 pessoas.

De segunda a sexta-feira, das 7h30min às 12h e das 13h30min às 17h

www.menakaho.com.br | (54) 3454-5840 (54) 3454-9142

Dez opções de vinhos estão disponíveis nas classes Business Light e econômica das aeronaves A330-200 da Azul Linhas Aéreas Brasileiras para os voos internacionais. A carta, que conta com bebidas originárias da França, Itália, Portugal, Argentina e Estados Unidos, foi composta em uma parceria da companhia com a Wine.com.br, o terceiro maior e-commerce de vinhos do mundo.

“Estamos trazendo alguns dos melhores vinhos do mundo diretamente para o nosso serviço internacional, escolhidos a dedo em conjunto com a equipe de especialistas da Wine.com.br. Esta parceria é uma forma de potencializarmos ainda mais a Experiência Azul de nossos Clientes em ambas as classes das aeronaves que fazem os voos internacionais. Apostamos num serviço refinado e de primeira linha, com opções de vinhos que atendem a todos os gostos”, afirma Gianfranco Beting, diretor de Comunicação, Marca e Produto da Azul.

Na Business Light, os Clientes contam com vinhos como Clos de Los Siete (Argentina), MacMurray Russian River Pinot Noir (Estados Unidos), Champagne Jacquart Brut Rosé (França) e Champagne Jacquart Brut Mosaïque (França). Já na classe econômica, há opções como Fantinel Borgo Tesis DOC Grave Pinot Grigio (Itália) e William Hill Central Coast Cabernet Sauvignon (Estados Unidos). Além destes, também é servido, na Business Light, o vinho de sobremesa Grande Renaissance Sauternes AOC (França).

No dia 19 de novembro participei de um magnifico jantar harmonizado com os Vinhos do Porto Taylor´s, promovido pela importadora Qualimpor, no restaurante Aleixo, aqui na capital capixaba. Para apresentar os vinhos esteve em vitória, Duda Zagari, gerente responsável pelo mercado brasileiro e América Latina (Taylor´s).

A Taylor’s é uma das mais antigas casas de vinho do Porto. De certa forma sua história se confunde com a própria história do vinho do Porto. Desde sua fundação a empresa se manteve independente. Agora, no seu quarto século, cresceu e prosperou, se firmando como uma das casas históricas de vinho mais respeitadas de todo o mundo. Isto foi conseguido através da perseverança, espírito pioneiro e da continuidade de tradição em que sucessivas gerações da família se envolveram.

Duda Zagari

Os privilegiados

Já começamos a noite com grandes vinhos, os Tawnys “10, 20 e 40 nos”. Chamados de Tawny com indicação de idade eles amadurecem em cascos e são resultado de misturas de safras. Podem ser tintos ou brancos, porém os brancos são raros. Nessa categoria um Porto de 1980, por exemplo, pode ser engarrafado com um “Colheita 1980″, ou mesclado com vinhos mais novos e mais velhos formando um Tawny velho, conforme os vinhos e quantidade de cada que foi adicionado ao lote. Na taça o Taylor´s 10 anos mostrou aroma intenso, com notas de figo, passas, madeira e mel. Paladar meio doce, textura muito macia e longo. ST (90)

A indicação “Tawny 20 anos”, por exemplo, indica que a média de idade dos vinhos misturados. Assim este “20 anos” podem conter vinhos com mais de 20 anos e outros com menos de 20 anos, por exemplo. Um vinho mais velho se beneficia normalmente ao ser misturado com um mais novo, ficando mais fresco. Na taça o Taylor´s 20 anos mostrou aroma de mel, especiarias, casca de laranja entre outros. Paladar longo, fresco e cremoso. O mais equilibrado dos três. Show! ST (94)

Na taça o Taylor´s 40 anos mostrou uma cor ligeiramente mais claro que os demais, notas de evolução e textura aveludada. Chama atenção pela complexidade. ST (91)

Partimos para o para um Porto colheita. Os “Colheitas” tem estilos semelhantes do Tawnys com indicação de idade, porém são elaborados com uma única safra. O vinho provado foi o lançamento Taylor´s Colheita 1964 de edição limitada, envelhecido por 50 anos em cascos de madeira antes de ser engarrafado. A empresa promete lançar no próximo ano a safra 1965. Na taça se mostrou exuberante, visual âmbar, aroma complexo com notas de frutos secos, especiarias, de tabaco e de caixa de charuto. No paladar impressiona pelo conjunto equilibrado, aveludado, acidez viva, aporta vida ao vinho. ST (94)

Seguimos com o Taylor´s Vintage 2011, safra considerada histórica, para o estilo de maior prestigio entre os Vinhos do Porto. Somente os melhores vinhos, com maior corpo e cor, nas melhores safras, três a quatro anos por década apenas, são declarados Vintage. Falando em volume, o Vintage representa somente dois a cinco por cento da produção, noa anos em que são produzidos. Eles permanecem em toneis por aproximadamente dois anos até ser engarrafado. Traz sempre o ano da colheita no rótulo, não é filtrado, é longevo, evolui por décadas (alguns mais de um século). Um Vintage novo pode aguentar aberto por vários dias. Na taça mostrou potência de fruta, taninos e acidez, que premiarão a paciência dos que comprarem e guardarem essa garrafa.  ST (97)

Finalmente chegamos ao ponto alto da degustação, provar o Porto Tawny “Taylor’s Single Harvest 1863” produzido com uma única colheita datada do século XIX, pré-filoxera. O produto vem em uma belíssima garrafa de cristal em uma caixa de madeira nobre, somente 1.600 exemplares. Com a colheita datada de 1863, tem um preço de R$ 11,000.00 a unidade. Na taça mostrou um vinho soberbo, cheio de nuances e texturas. Memorável. ST (100)

Com a globalização de estilos os vinhos estão ficando sem brilho. Por isso quando encontro caldos com personalidade, sem maquiagem, de uvas e regiões diferentes, fico feliz da vida. O Domaine de L’Idylle 2013, foi uma grata surpresa na noite de ontem, me fazendo dormir bem.

Elaborado na pequena cidade de Cruet, região de Savoie, na França, com a uva branca Jacquère, autóctone da região, mostrou na taça aromas e sabores exuberantes, floral, fruta fresca (pera e maça), além de mineral, com calcário e rocha. Fecha com bastante frescor e acidez. Simplesmente delicioso. Ideal para as altas temperaturas que vem chegando. ST (92) – R$ 65 na http://www.delacroixvinhos.com.br/.

Nas 752 páginas, distribuídas em três volumes, Rinaldo Dal Pizzol e Sérgio Inglez de Sousa fazem um amplo relato entre 1620 e 2010

Foram 30 anos recolhendo documentos de fatos relacionados ao universo vitivinícola, ocorridos entre os anos de 1620 e 2010, para a organização do livro Memórias do Vinho Gaúcho, de autoria de Rinaldo Dal Pizzol e Sérgio Inglez de Sousa. Neste ano, o lançamento acontecerá em dois momentos: no dia 15 de dezembro, no Ecomuseu da Cultura do Vinho, em Bento Gonçalves, e no dia 17 de dezembro, na Farsul, em Porto Alegre. No início de 2015 será lançado em São Paulo e nos dias 25 e 26 de fevereiro será apresentado especialmente para o setor vitivinícola em Bento Gonçalves e Flores da Cunha.

O levantamento das memórias começa pelos primórdios da vitivinicultura gaúcha, entre 1600 e 1875, em que trata, por exemplo, dos jesuítas como os primeiros viticultores gaúchos, e se encerra com as grandes transformações do vinho brasileiro entre 1990 e 2000.

Entre os documentos, destacam-se fotos históricas, como o registro, em 1923, de comandantes da Revolução Federalista, entre eles Oswaldo Aranha, Gomercindo Saraiva e Flores da Cunha, embaixo de uma pérgola de videira em Dom Pedrito; e um anúncio da fazenda Quinta do Seival, de propriedade João Marimon e seus filhos, em Bagé, considerado o maior estabelecimento vitivinícola do Estado naquela época. Além disso, a obra traça um perfil do imigrante ítalo-vêneto e resgata informações como a quantidade de vinho que as colônias Dona Isabel e Conde d´Eu, respectivamente hoje Bento Gonçalves e Garibaldi, produziam em 1883. Como fatos mais recentes, o livro trata da criação do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), em 1998, e a primeira Avaliação de Vinhos da Associação Brasileira de Enologia (ABE), em 1993.

O livro Memórias do Vinho Gaúcho, ultrapassa o papel de simples suporte de memórias do segmento e lança elementos para a compreensão da verdadeira  essência da atividade vitivinícola gaúcha, qualquer que seja o ponto de vista: técnico, social, político e cultural. A intenção foi trazer a público o vinho gaúcho enquanto um produto do esforço humano em suas comunidades e vinculado a seus modos de vida, que sempre é carregada de produções simbólicas e de sentidos.

Para Rinaldo Dal Pizzol, o livro pretende chamar a atenção das lideranças que conduzem a economia e a cultura estadual e nacional produzindo análises e reflexões, além de incentivar a comunidade vinícola gaúcha a vasculhar as evidências de seu passado para contribuir com essa história e estimular para que a obra possa ser ampliada, aprofundada e modificada, se for preciso. “Espero que a extensa busca realizada sobre o vinho gaúcho e sua cultura também possam estimular outros setores para que contem suas histórias, pois esse registro é uma forma de difundi-las”, ressalta.

Distribuído em três volumes, que totaliza 752 páginas, a obra é financiada pelo Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet, PRONAC 128357. Tem apresentação do escritor Luis Fernando Veríssimo, conta com prefácio ex-ministro da Agricultura Francisco Turra e prólogo do empresário Raul Randon.

O livro Memórias do Vinho Gaúcho foi editado pela AGE Editora. São patrocinadores: Banco Bradesco, Randon, Fras-le, Carraro, Salton, Verallia, Telasul, Meber, Concresul, Toniollo Busnello, SCA e tem como apoiadores a Farsul, Senar e Sebrae.

Autores

Rinaldo Dal Pizzol é natural de Bento Gonçalves (RS) e formado em Ciências Econômicas. Desde 1960 foi diretor de empresas do setor vinícola. Presidiu a União Brasileira de Vitivinicultura (Uvibra) e foi vice-presidente da Festa Nacional do Vinho, em Bento Gonçalves, e da Festa Nacional do Champanhe, em Garibadi. Atualmente preside o Instituto R. Dal Pizzol, atua como consultor de empresas vinícolas no Brasil e do exterior, é diretor da Dal Pizzol Vinhos Finos. O Instituto é responsável pela recente constituição do Ecomuseu da Cultura do Vinho que abriga entre outros atrativos culturais uma bem organizada coleção ampelográfica privada (de videiras), em campo, com cerca de 400 variedades, exposição a céu aberto e sala de exposição de longa duração que estão à disposição dos visitantes.

Sérgio Inglez de Sousa é natural de Piracicaba (SP) e engenheiro mecânico por formação. Dedicou-se ao estudo do vinho viajando por praticamente todos os países produtores das Américas, Europa, África do Sul e Oceania. Tem mais de uma centena de artigos sobre a matéria, publicados nas principais revistas especializadas brasileiras. Ministrou cursos no Senac, foi Presidente da Sociedade Brasileira dos Amigos do Vinho e, dentre seus livros sobre a cultura do vinho, destacou-se Vinho – Aprenda a degustar e a trilogia Vinho Tinto, Vinho Branco, Espumante – o prazer é todo seu. Sérgio é filho e sucessor de uma personalidade ligada à cultura da uva e do vinho, o professor, pesquisador e escritor Julio Seabra Inglez de Sousa; autor do famoso e apreciado livro Uvas para o Brasil, editado pela Cia Melhoramentos, de São Paulo, em 1969.

Amigos, hoje a dica é para quem está procurando um champagne para o brinde da virada do ano, o Réveillon. O Champagne Jacquart Brut Mosaïque Magnum (1500 ml), por R$ 211, ou seja, R$ 105,50 por 750 ml – www.wine.com.br, é sem dúvida, a melhor opção “custo x benefício” do mercado. Na taça mostra um caráter mais leve e fresco, com notas de frutas tropicais, como pêra, maça verde, além de um leve toque mineral e de fermento. ST (90)

Principal crítico de vinhos da América Latina avaliou rótulos brasileiros em passagem pela Serra Gaúcha, no Spa do Vinho

O jornalista e crítico de vinhos mais famoso da América Latina, o chileno Patricio Tapia, aprovou os espumantes brasileiros. Em recente passagem pelo Vale dos Vinhedos, Tapia avaliou os rótulos nacionais na encantadora paisagem do Spa do Vinho & Condomínio Vitivinícola. “É provável que os espumantes brasileiros ainda sejam desconhecidos pelo mundo. E isto é uma pena. A paisagem da Serra Gaúcha, exuberante e dramática, esconde alguns dos melhores espumantes da América do Sul. Borbulhas que, em muito pouco tempo, tiveram um avanço impressionante”, observa crítico.

A convite da Inner Editora e Eventos, que entre outras publicações edita a revista Adega, Tapia degustou mais de uma centena de espumantes nacionais para o Guia Descorchados. ”A gastronomia, a paisagem e, sobretudo, os espumantes, muito superiores aos vinhos tranquilos, certamente serão um grande aporte à próxima edição do Descorchados que, pela primeira vez, incluirá uma seleção das borbulhas brasileiras”, anuncia Tapia. A publicação circula nos Estados Unidos, Canadá, México, China, Chile, Argentina, Uruguai e Brasil. No Canadá, por exemplo, é referência importante para o monopólio estatal que compra vinhos e espumantes do mundo todo.

O publisher da Inner, Christian Burgos, trouxe Tapia à Serra Gaúcha com a intenção de realizar um amplo panorama da indústria brasileira no seu produto mais competitivo: o espumante. “Apresentar as joias da vitivinicultura de nosso país a Patricio Tapia e poder debater o passado, o presente e o futuro dos espumantes brasileiros foi um privilégio. Daquelas coisas que nos perguntamos por que não fizemos antes”, comenta Burgos. “Fico feliz de podermos contribuir para que os espumantes brasileiros ampliem seu reconhecimento e vendas também no exterior”, acrescenta o empresário, salientando que foi uma caminhada sólida e sem fogos de artifício até se chegar a estreia dos espumantes nacionais no Guia Descorchados.

Histórico

Formado em Jornalismo pela Universidade do Chile e diplomado em degustação e enologia na Faculdade de Enologia da Universidade de Bordeaux, Patricio Tapia é hoje o principal crítico de vinhos sul-americanos. Desde 1999, o chileno publica o Guia Descorchados, uma referência do que ocorre na América Latina, avaliando milhares de rótulos do Uruguai, Argentina e Chile. Tapia também escreve e degusta para as revistas Decanter e Wine & Spirits. 

Há quatro anos, Patrício e Inner são sócios na edição em português. Agora, os espumantes brasileiros entrarão definitivamente no radar de Tapia. “Dez anos acompanhando a indústria vitivinícola com a Adega, quatro anos produzindo o Descorchados em português junto com Patricio e quatro anos degustando uma ampla gama de vinhos brasileiros para a publicação do Guia Adega de Vinhos do Brasil nos trouxeram a este momento”, diz Burgos.